Crítica | Impressões Submarinas

estrelas 4,5

Impressões Submarinas talvez seja o mais belo e mais simples documentário sobre a vida marinha e recifes de corais que eu já vi. Lançado em comemoração especial aos 100 anos de Leni Riefenstahl em 2002, e oficialmente, em 2003, o média-metragem não tem nenhuma ambição além de compartilhar as impressões da diretora obtidas ao longo de 26 anos, num total de dois mil mergulhos entre recifes de corais na costa das Ilhas Maldivas e no Oceano Índico.

O argumento do filme é simples. Logo de início, vemos a diretora falar por cerca de dois minutos com o espectador. Ela explica a sua intenção ao realizar o filme e faz um apelo para a preservação dessa forma de ecossistema marinho. Então o filme começa. E o que vemos é algo realmente espetacular.

Não há narração alguma no documentário, e isso é algo importante a se destacar, porque nós temos o mau hábito de esperar explicações e contextos científicos (um mau hábito criado pelos documentários televisivos) para toda produção que tenha a natureza como foco. No filme de Leni Riefenstahl, temos a nossa independência intelectual para criar o argumento e entender a mensagem que ela quis passar sem absolutamente nenhum apelo, discursos de salvação vazios e informações que mais distraem do que instruem. É através da pura observação – o que pela qualidade da direção, da fotografia e da beleza dos animais filmados se torna um exercício de caráter poético – que chegamos a uma conclusão.

O exercício cinematográfico, nesse sentido, é completo: vemos os corais, ligamos sua beleza e existência ao fato da ameaça de extinção que correm e, ao final da película, racionalizamos criticamente sobre o fato. É um ciclo crítico impressionante, se levarmos em consideração de que não há narração, letreiros ou interferência ideológica alguma durante a exibição das cenas de mergulho; apenas as imagens dos dos animais (para quem faltou às aulas de biologia ou não se lembra, corais são animais, não plantas!) e a bela música de Giorgio Moroder e Daniel Walker.

Há quem tenha tendência em rejeitar as obras de Leni Riefenstahl devido ao seu envolvimento com o Partido Nazista e pelo fato de ter trabalho e sido financiada por ele, realizando O Triunfo da Vontade e as duas partes de Olympia. Não convém falar sobre essas questões a fundo em um texto sobre um documentário a respeito de ecossistemas marinhos, mas é importante ressaltar que mesmo não concordando com a posição política ou vida pessoal de algum artista, é preciso ao menos se dispor a ver suas obras para então criticá-las e ter em mente a crítica da obra, não (unicamente) a vida de quem a realizou.

Impressões Submarinas é uma uma pequena pérola dirigida por uma cineasta de passado sombrio (a mesma situação – só que em outra arte – de Hergé, o criador de Tintim), mas que, indubitavelmente, tinha um grande talento e produziu obras de grande beleza, qualidade e importância para o cinema. Esse pequeno documentário talvez não possa ser enquadrado no quesito de “importância” para o cinema, mas certamente é um belo e excelente filme, o último de Leni Riefenstahl, que morreu aos 101 anos, alguns meses depois do lançamento oficial de Impressões Submarinas.

Para quem se interessa pelo tema dos recifes de corais, sugiro que visite alguns portais e vejam alguns dados a respeito. Um dos relatórios mais completos que eu conheço a respeito (e se alguém conhecer um outro, por favor, comente) é o Reefs at Risk Revisited, de 2011. Quem quiser ler ou apenas folhear, clique aqui (em inglês). Há também o ótimo relatório do Scientific Results to Support the Sustainable Use and Conservation of Marine Life, cuja última atualização é de março de 2011, e tem também sua versão em português do Censo de Vida Marinha. Quem quiser ter acesso ao documento, clique aqui e selecione o link com o idioma de sua preferência.

Impressões Submarinas (Impressionen unter Wasser) – Alemanha, 2003
Direção: Leni Riefenstahl
Roteiro: Leni Riefenstahl
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.