Crítica | Independence Day: O Ressurgimento

estrelas 2

Ao contrário da maioria dos fãs, não pude testemunhar o impacto cultural e tecnológico do primeiro Independence Day, em 1996, já que tinha pouco mais de 1 ano de idade. Após finalmente conhecer o filme de Roland Emmerich anos depois, encontrei uma aventura escapista e que, sinceramente, não apresentava muito além de uma diversão pipoca e previsível. Duas décadas depois, a falta de originalidade de Hollywood nos traz de volta à batalha de humanos e alienígenas com Independence Day: O Ressurgimento, uma sequência que deve agradar aos fãs devotos do original.

A trama adota esses 20 anos de intervalo para nos apresentar a uma Terra unificada e avançada tecnologicamente, utilizando os equipamentos alienígenas para avançar o desenvolvimento armamentista e garantir uma sociedade segura contra futuros ataques, com direito até mesmo a uma base lunar. Porém, chega o dia em que os alienígenas retornam para uma colossal vingança, colocando a sobrevivência do planeta em xeque mais uma vez.

História e roteiro definitivamente não devem ser preocupações aqui. O roteiro absurdamente inchado de nomes como Nicolas Wright, James A. Woods, Dean Devlin, James Vanderbilt e do próprio Roland Emmerich é uma bagunça sem fim, com planos furados e uma repetição temática que beira o absurdo em diversos momentos. Todo o plano dos terráqueos para derrotar os alienígenas gira em torno de mais algum dispositivo roubado, novamente, e agora temos um misterioso símbolo que age como o principal MacGuffin do primeiro ato, apenas para posteriormente descobrirmos tratar-se de algo muito repentino. E admito que é muito engraçado ver que os alienígenas estabeleceram uma espécie de conexão mental com alguns dos personagens…

Trazer de volta as figuras de Jeff Goldblum, Bill Pullman, Brent Spiner e Judd Hirsch funciona pela nostalgia, mas todos os papéis desempenhados por estes são risíveis; com apenas Goldblum sendo realmente essencial. Ver Pullman encarnando uma versão maluca do ex-presidente Thomas Whitmore provoca risadas significativas, e estas hora funcionam (pelo puro valor da trasheira), outrora tornam-se estúpidas demais. E mesmo que estejamos falando de alienígenas e invasões galácticas, a solução para trazer de volta o Dr. Okun é simplesmente idiota, por falta de termo melhor. Por fim, acho que todos poderemos concordar que ver Hirsch jogado em uma subtrama com crianças aleatórias em um ônibus escolar é completamente descartável…

Dividindo a cena com os veteranos, temos a chegada de infelizes novos personagens. Liam Hemsworth faz o papel do piloto descolado e sem medo de nada, mas nem o texto nem a péssima performance do ator conseguem criar algum tipo de empatia pelo personagem; nem o estereótipo básico Hemsworth consegue emular. Como Will Smith recusou retornar, Jessie T. Usher assume o manto de seu filho adulto, Dylan Hiller, e ainda que o ator seja competente em um certo drama, nunca temos tempo o suficiente para que ele ganhe um desenvolvimento decente. O mesmo acontece com Maika Monroe, que inicia um bom arco com Whitmore, mas acaba jogada em mais clichês fraudulentos.

Em resumo, ninguém consegue cobrir o buraco deixado por Smith…

Mas quem liga pra personagens e histórias coerentes quando se tem Roland Emmerich na direção? Um dos grandes especialistas em destruição global, Emmerich aumenta a escala dos acontecimentos e das naves alienígenas, garantindo batalhas divertidas e que trazem ótimos efeitos visuais. Porém, confesso que não vi nada aqui que seja marcante como a destruição da Casa Branca no original ou até mesmo a incrível sequência do terremoto da Califórnia em 2012. Curiosamente, a cena de ação mais interessante é ambientada em um deserto inóspito, onde o principal antagonista alienígena ganha uma batalha à altura; com uma clara inspiração no ciclo de vida das criaturas de Aliens, O Resgate.

Independence Day: O Ressurgimento com certeza deve atingir seu público-alvo, mas tenho certos limites quanto ao exagero. Acredito que tenha sido uma sequência tardia demais, mas confesso que aprecio o que esta franquia promete para possíveis continuações. Resta torcer para que o que vier no futuro seja um pouco mais bem elaborado e que não dependa tanto da nossa preciosa capacidade de suspensão de descrença.

Independence Day: O Ressurgimento (Independence Day: Resurgence, EUA – 2016)

Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Nicolas Wright, James A. Woods, Dean Devlin, Roland Emmerich, James Vanderbilt
Elenco: Jeff Goldblum, Bill Pullman, Liam Hemsworth, Jessie T. Usher, Maika Monroe, Sela Ward, William Fichtner, Judd Hirsch, Vivica A. Fox, Brent Spiner, Patrick St. Esprit
Duração: 120 min

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.