Crítica | Inferno (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 3,5

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um normalmente refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Os mutantes Marvel estavam com tudo no final dos anos 80 e durante os anos 90. Eram crossovers atrás de crossovers com os temas mais variados e um dos mais inusitados – e longos! – foi Inferno, que durou de outubro de 1988 a agosto de 1989, envolvendo toda a linha de edições dos mutantes e subsidiariamente envolvendo os demais heróis, como os Vingadores, Demolidor, Quarteto Fantástico e até o saudoso Quarteto Futuro. A história era simplista: Magia (Ilyana Rasputin, irmão de Colossus), tornara-se a rainha do limbo e N’asrith, um de seus demônios, monta um plano para dominar também a Terra, usando a força fênix da clone Madelyne Pryor. As duas personagens acabam mergulhando fundo em suas personas más, com Ilyan tornando-se Darkchylde e Madelyne a Rainha dos Duendes, o que deflagra uma invasão dos seres infernais a Nova York tendo o Empire State Building como epicentro. Claro que tudo volta a ser como antes – ou quase tudo – e toda a invasão passa a ser apenas um “pesadelo coletivo”.

Mas não em Guerras Secretas. A premissa, aqui, é que o poder de Darkchylde consolidou-se e suas hordas infernais continuam atacando Nova York, que foi cercada por um escudo de força criado pelos heróis, que não têm mais esperança verdadeira de reverter a situação. Apenas Colossus insiste em continuar atacando as hordas de sus irmã sempre em um dia específico por ano, há quatro anos, com ajuda de seus amigos, mas esses ataques são custosos em vida e Cíclope, agora um cadeirante como o Professor X, acaba vetando futuras tentativas. Mas, claro, Colossus não para e, junto com sua amante Dominó, deflagra um ataque que, na verdade, abre os flancos dos mutantes a um efetivo contra-ataque do inferno, resultando em uma interminável e divertida pancadaria sem fim.

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A diversão vem de uma eficiente mistura do tom cômico com o trágico em um roteiro básico, mas dinâmico de Dennis Hopeless, que não perde tempo com questões laterais. É um “pão-pão-queijo-queijo” que respeita as raízes da obra original e acrescenta sua própria mitologia, com a constante e progressiva transformação de Colossus – graças à contaminação por um “vírus” do limbo – em uma espécie de cavaleiro medieval, com direito até mesmo a empunhar a famosa espada de Ilyana, sempre tentando salvá-la a todo custo. Além disso, as versões alternativas de outros personagens, como o jovem Cable, Longshot, Jubileu e principalmente Noturno (que é transformado em um dragão por Ilyana), emprestam um senso de veracidade a uma situação impossível de convivência com seres infernais por tanto tempo. Hopeless escrever um texto leve, mas firme e trabalha bem a Jornada do Herói ao longo dos cinco números da minissérie, pecando apenas por um final desnecessariamente aberto e por algumas ligações com a saga maior que não eram estritamente necessárias, notadamente a intrusão do Doutor Estranho e de seus Thors.

Mas Inferno não seria o que é sem os traços de Javier Garrón. O artista se esmera em preencher as páginas com inúmeros detalhes que dão vida à história e premiam a observação atenta do leitor em procurar referências ao Universo Marvel e em refestelar-se com a evolução e originalidade dos mais diversos personagens. E ele não é econômico no desenho de páginas duplas de grande efeito tanto para mostrar sua técnica, povoando-as de um sem número de seres estranhos em uma distribuição espacial de fazer inveja, como também para fazer a narrativa andar de certa forma emulando o estilo de desenho dos anos 90, mas segurando-se nos exageros. Volta e meia, porém, Garrón era nas proporções dos corpos de alguns personagens, especialmente Colossus, mas não é nada que detraia de seu detalhismos extremo.

As cores de Chris Sotomayor também são muito eficientes e ajudam a dar um leve toque cartunesco à toda minissérie. Considerando-se as lutas sem fim que povoam as páginas, era importante que elas não fossem levadas tão a sério e as cores fortes e primárias que ele usa emprestam esse tipo de significado ao trabalho, que se torna, então, auto-consciente de sua natureza tragicômica.

Inferno é mais uma boa oferta de tie-in de Guerras Secretas, uma que, na linha do que tem sido feito com os X-Men na saga, procura criar uma legítima situação de “o que aconteceria se…” baseado em sagas e crossovers clássicos dos mutantes, como foi em Tempos de um Futuro Esquecido e A Era do Apocalipse.

Inferno (EUA – 2015/6)
Contendo: Inferno (2015) #1 a #5
Roteiro: Dennis Hopeless
Arte: Javier Garrón
Cores: Chris Sotomayor
Letras: Joe Sabino
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: julho a novembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: outubro de 2016 (encadernado – Guerras Secretas: X-Men #6)
Páginas: 100

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.