Crítica | Intriga Internacional

estrelas 4,5

O que aconteceria se uma grande teoria da conspiração ganhasse vida e caísse toda sobre um inocente? Intriga Internacional nos dá essa resposta. É a história de um homem comum que se vê envolto em acontecimentos muito maiores que ele.

Começamos a projeção com Roger Thornhill (Cary Grant), um publicitário de Madison Avenue com estilo de vida frenético e tempo apenas para si mesmo. Um homem de negócios com tudo, aparentemente, dentro de seu controle. Porém, tudo isso cai por terra quando, em um almoço de trabalho, ele é sequestrado e levado para a mansão do misterioso Sr. Townsend. Thornhill é confundido por George Kaplan, alguém que o mad-man sequer conhece, e logo descobre que sua vida está em grande risco.

Dessa forma, Hitchcock conduz a tensão de seu filme: logo nos identificamos com o personagem que também não conta com uma visão geral do quadro em que se encontra – está ali perdido, à mercê dos inúmeros eventos que desenrolam ao seu redor – sua única alternativa é lutar pela sua sobrevivência. Aliada ao roteiro agitado de Ernest Lehman, que dá poucos períodos para o espectador respirar, está a montagem dinâmica já familiar aos filmes do diretor. Ambos constroem perfeitamente o constante clima de suspense que garante a imersão à cada segundo.

Tal imersão, contudo, é prejudicada pela prematura revelação no primeiro terço do filme. O mistério há pouco se iniciou e já nos é explicado grande parte do que está acontecendo através de uma cena praticamente solta dentro da obra, nos passando a sensação de algo inserido propositalmente pelo estúdio que não confiava em sua audiência.

Entretanto, a tensão aos poucos se reconstrói quando é inserida a personagem Eve Kendall (Eva Marie Saint) – o óbvio, porém eficiente, caso amoroso do personagem principal. Com esse sopro de vida jogado sobre o filme novamente somos, então, fisgados até o fim de sua narrativa, sempre mantidos atentos pela atuação de Cary Grant – uma mistura de ironia, heroísmo e alienação que muito se assemelha com o que veríamos alguns anos depois no James Bond de Sean Connery. A própria trama é construída de tal forma que, no fim, parece estarmos assistindo um longa de 007, em especial Moscou Contra 007.

Impossível finalizar esta crítica sem ao menos mencionar a memorável trilha sonora de Bernard Herrman, o coup de grâce do suspense que já nos mantinha completamente atentos. Suas músicas são inseridas em pontos precisos evocando a dramaticidade da cena. A famosa sequência da perseguição pelo avião, por exemplo, é realizada somente à base dos efeitos sonoros, demonstrando um efetivo uso do silêncio não diegético.

Em uma de suas principais obras Hitchcock, nos leva a uma frenética jornada pela sobrevivência que transforma seu personagem a cada momento. É uma obra de progressão fluida com apenas dois deslizes: o mencionado aqui anteriormente e um encerramento apressado. Estes dois, contudo, não tiram a força do longa que nos mantém no suspense, nos prendendo dos criativos créditos iniciais (criados por Saul Bass) até os finais.

Intriga Internacional (North by Northwest, EUA/ Reino Unido – 1959)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Ernest Lehman
Elenco: Cary Grant, Eva Marie Saint, James Mason, Jessie Royce Landis, Leo G. Carroll, Josephine Hutchinson, Philip Ober, Martin Landau, Adam Williams, Edward Platt, Robert Ellenstein.
Duração: 136 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.