Crítica | Inumanos – 1X03: Divide and Conquer

Tendo assistindo os dois primeiros episódios de Inumanos costurados como um longa-metragem e projetado em tela IMAX, tive mais de um mês para digerir uma série que, lá atrás, em sua origem, prometia muito, mas que, pelo menos como parte de uma mais arriscada do que ousada estratégia de marketing, falhou fragorosamente. Tendo pulado os dois primeiros episódios que foram ao ar oficialmente na TV na semana passada, parti direto para Divide and Conquer o terceiro da temporada programada para ter apenas oito.

Se eu havia desgostado do resultado no IMAX, mas não considerado o fim do mundo como muitos professaram, agora posso dizer que realmente não dá. O episódio objeto da presente crítica é inábil em quase todos os sentidos. Não sabe usar clichês a seu favor, o elenco está completamente desconfortável nos papeis e qualquer tentativa de dar gravidade ou leveza às ações de cada um é um tiro n’água.

É particularmente chocante notar que o mesmo tipo de história está sendo contada em The Gifted – afinal, são duas séries de super-heróis com fugitivos poderosos -, também com orçamento restrito e também com o uso de clichês a todo instante e, lá, pelo menos seu primeiro episódio mostrou que tem potencial para funcionar. Em Inumanos, estamos praticamente na metade da temporada e a história só fica pior, realmente parecendo aquilo que muitos diriam que seria logo quando o primeiro trailer foi ao ar: uma série com ar de fanfic mal feita, com personagens fazendo cosplay da pior qualidade em cenários espartanos ao ponto do ridículo.

Como havia ficado claro anteriormente, a família real inumana, depois de um golpe de estado de Maximus em Attilan, na Lua, está toda no Havaí, mas em lugares diferentes e sem poder usar seus respectivos poderes. Raio Negro nunca pode usá-lo sem exterminar meio mundo ao redor, Medusa teve seu cabelo cortado, Triton desapareceu; Karnak bateu a cabeça e não consegue falar lé com cré; Gorgon não tem lá poderes muito úteis e, finalmente, Crystal não disse ainda a que veio. Com isso, temos uma série que lida com pessoas estranhas fugindo de vilões genéricos materializados pela inumana Auran, lacaia de Maximus que, neste episódio passa a comandar uma equipe formada por personagens criados para a série, pois, aparentemente, há poucos inumanos nos quadrinhos para eles pelo menos usarem material pré-existente.

Com isso, somos deixados com Flora, que comanda as plantas, com direito a florzinha no cabelo, Locus, que solta uma gosma preta genérica com função incerta e não sabida e, finalmente, o temido Mordis que – e aqui vou usar um trocadilho infame, preparem-se – mais parece cão que ladra mas não mordis… O pouco de coreografia de luta que vemos, quando a equipe ataca Gorgon e uma milícia mágica que ele acha e que automaticamente se torna devota dele, é trabalhado pelo diretor Chris Fisher como se ele fosse discípulo de Michael Bay só que com um orçamento com menos cinco zeros. Há tantos cortes que mal dá para entender o que está acontecendo e o resultado é, na melhor das hipóteses, constrangedor.

Enquanto isso, Medusa careca invade a primeira mansão que encontra e, sem cerimônia, furta tudo o que pode, Karnak encontra três traficantes de drogas(???) que são tão ameaçadores quanto o poodle da minha vizinha e Crystal finalmente faz alguma coisa de útil e, enganando o burraldo do Maximus, escapa com Dentinho para o Havaí (para mais um lugar diferente, pois o bicho parece não ter controle algum sobre seus poderes), com um final cliffhanger que vê o cachorrão ser atropelado por um quadriciclo, ou vice-versa. Os únicos momentos que talvez se salvem são os com Raio Negro na prisão, ainda que lá, da mesma forma, a sucessão de clichês é tão intensa e tão mal costurada, que qualquer pessoa com mais de oito anos de idade consegue praticamente cantar a pedra do que vai acontecer a todo momento.

A promessa que fica da entrada de humanos que ajudarão os inumanos no Havaí não parece melhorar muito a situação. A policial que entra na trama basicamente do céu e, falando em céu, o helicóptero que se materializa para salvar Raio Negro e o Tocha Humana XXG, parecem indicar aquele tipo de dinâmica de séries clássicas como Casal 20, Magnum ou CHiPs e não, isso não é um elogio.

Confesso que, por mais boa vontade que possa ter, não vejo uma luz no fim do túnel para essa série. Teria sido melhor se tivessem enterrado de vez o projeto dos Inumanos depois que o longa-metragem foi cancelado. Uma pena, pois são personagens com potencial.

Inumanos – 1X03: Divide and Conquer (EUA – 06 de outubro de 2017)
Showrunner: Scott Buck
Direção: Chris Fisher
Roteiro: Rick Cleveland
Elenco: Anson Mount, Iwan Rheon, Serinda Swan, Eme Ikwuakor, Isabelle Cornish, Ken Leung, Sonya Balmores, Mike Moh, Nicola Peltz
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.