Crítica | Inumanos – 1X06: The Gentleman’s Name is Gorgon

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Confesso que, quando acabei de assistir The Gentleman’s Name is Gorgon, consegui imediatamente extrair dois pontos positivos do episódio. O primeiro e mais importante deles é que faltam só mais dois para esse arremedo de série acabar e, se o alinhamento planetário estiver de acordo, ela não será renovada. Pelo andar da carruagem, esse primeiro ponto tornar-se-á ainda mais relevante no próximo episódio…

Mas o segundo ponto positivo é que, para o mal ou para o bem, o showrunner teve a coragem de matar Gorgon, um dos membros da família real (se a escolha foi pela qualidade de atuação, ela foi acertada, pois em um mar de mediocridade, Eme Ikwuakor consegue ser o pior do elenco). Confesso, porém, que mesmo esse ponto positivo carrega aspectos negativos. O mais óbvio deles é que a morte me pareceu forçada no episódio, jamais gerando qualquer tipo de tensão, quase como se o diretor tivesse parado as filmagens, coçado a cabeça e lá, na hora, alterado o roteiro de Charles Murray para incluir esta sequência sem pé (ou seria casco?) nem cabeça em termos narrativos. O outro aspecto é mais difuso e parte de uma desconfiança pessoal de que ele não está morto coisíssima nenhuma, o que terminará de enterrar esta natimorta série que, em retrospecto, jamais deveria ter existido.

Agents of S.H.I.E.L.D., apesar de seu começo problemático, mostrou-se desde sua origem muito cuidadosa em suas econômicas cenas de ação. Inumanos, na mesma linha, mantém a austeridade, mas, ao contrário de sua irmã mais velha, não sabe manejar suas lutas e este episódio é mais um exemplo disso. A fotografia escurecida e o espaço confinado nem são os problemas maiores, mas sim a câmera fechada em Gorgon e Auran e a montagem picotada que impede qualquer fluidez no que vemos. Um verdadeiro desperdício de celuloide e de coreografia.

Falando em desperdício, parem por um momento e pensem na estupidez que é o plano de Maximus para derrotar Raio Negro. Contra o mais poderoso inumano da história de Attilan – algo que é repetido à  exaustão sempre que possível – ele manda trabalhadores de minas da dita casta inferior que provavelmente nunca se depararam com combate antes na vida no lugar de enviar alguns de sua guarda real que não só são treinados para luta, como também tem poderes, obviamente. E tudo isso com um generoso “treinamento” de um dia que sequer vemos, mas que o roteiro didático faz questão de dizer que existiu como se isso fosse uma qualidade. Além disso, para mais uma vez esticar os centavos do orçamento de “pendura em bar” que a série tem, apenas um desses “novos soldados” tem características não completamente humanas: um par de luvas de borracha dignas de Bossk, aquele caçador de recompensas lagartoide que aparece brevemente em O Império Contra-Ataca (sei que cometi pecado mortal ao citar o nome deste filme dentro de uma crítica de Inumanos – que a Força me perdoe!).

Completamente inúteis quando chegam na Terra, esse novo grupo se junta à já comprovadamente inútil equipe comandada por Auran, a inumana que não se regenera mais direito, Flora que, bem… não serve para nada a não ser amarrar Sammy com samambaias de plástico e o ridiculamente explorado Mordis que, basta uma provocação boba e já dá um piti histérico que daria inveja àqueles bebês que não param de chorar no restaurante. Some-se a isso o enorme esforço que o roteiro faz para não deixar nem mesmo que Karnak e Gorgon esbanjem seus poderes, como se aquele sujeito gigante com cascos tivesse a furtividade como característica principal.

Do lado de Crystal, a situação piora, com aqueles embaraçosos momentos românticos com seu surfista genérico substituto porcaria de Johnny Storm ocupando tempo de projeção que seria mais bem empregado vendo o cabelo de Medusa crescer em tempo real. Toda aquela situação com a ex-namorada do sujeito dando uma de Mordis e tendo um ataque de pelanca, a chegada dos policiais que OBVIAMENTE não encontrariam nada no celeiro e aquele momento no mirante do amor são dignos de séries dos anos 70 e 80, como O Barco do Amor ou, na melhor das hipóteses, Casal 20.

Raio Negro é outro cuja presença em tela simplesmente não funciona e ele leva Medusa a reboque nesse processo. Sua linguagem de sinais e a tradução sucessiva de sua rainha geram momentos extremamente enfadonhos, mais ainda do que as sequências 100% em klingon de Star Trek: Discovery. Somado a isso, Anson Mount simplesmente não consegue passar seus sentimentos e absolutamente nada que ele sinaliza reverbera harmonicamente com seu semblante. É como ver filmes B japoneses dublados em português com o áudio dessincronizado.

Mal posso esperar o próximo episódio, pois, então, só faltará um para esse martírio marveliano acabar. E espero que para sempre…

Inumanos – 1X06: The Gentleman’s Name is Gorgon (EUA – 27 de outubro de 2017)
Showrunner: Scott Buck
Direção: Neasa Hardiman
Roteiro: Charles Murray
Elenco: Anson Mount, Iwan Rheon, Serinda Swan, Eme Ikwuakor, Isabelle Cornish, Ken Leung, Sonya Balmores, Mike Moh, Nicola Peltz, Ellen Woglom, Henry Ian Cusick
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.