Crítica | Invasão a Casa Branca

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estrelas 3

Em 2008, um pequeno filme francês (quase)todo falado em inglês, com produção e roteiro de Luc Besson e direção de Pierre Morel, estrelando Liam Neeson, estourava inesperadamente na bilheteria mundial. Busca Implacável, de maneira muito hábil, emulou e atualizou os filmes oitentistas baseados no conceito simplista de exército-de-um-homem-só, encabeçado por celebridades como Chuck Norris, Sylvester Stallone e, claro, Arnold Schwarzenegger e que alcançou seu ponto mais alto com Duro de Matar. O resultado foi o nascimento de uma franquia até agora de três filmes e o reempacotamento de sua estrela como herói de ação.

Assim, claro, Hollywood tratou de tentar virar sua mira para esse tipo de filme e Invasão a Casa Branca é um desses frutos. Antoine Fuqua, que dirigira o ótimo Dia de Treinamento, tem uma carreira de altos e baixos, composta por filmes como os medianos Atirador e Atraídos pelo Crime logo antes e o ótimo – e com temática semelhante – O Protetor logo depois. Invasão a Casa Branca acaba ficando em um meio termo entre uma coisa e outra, isso se o espectador for preparado para assistir ao tipo de filme que exige que se coloque o cérebro em modo de “pausa” e que, ato contínuo, a suspensão da descrença seja colocada inteiramente de lado em prol de uma constatação bem simples, mas importante: não interessa o que aconteça, o protagonista é invencível.

Ajustadas as expectativas, a fita é diversão do começo ao fim, desde o momento em que Mike Banning, vivido por Gerard “This is Sparta” Butler, é estabelecido como um ex-chefe da equipe do Serviço Secreto que faz absolutamente de tudo para proteger o presidente americano (Aaron Eckhart) até quando ele emerge dos escombros sujo, um pouco ferido, mas, claro, vitorioso. A história, ou o fiapo dela, tenta dar ares sócio-políticos a um ato terrorista de um norte-coreano que ataca a Casa Branca e aprisiona o presidente em seu bunker, juntamente com a delegação sul-coreana, durante visita. O que ele realmente quer não interessa muito, mas sim como ele alcança seus objetivos, ou seja, com o máximo possível de destruição antes que Mike possa, sozinho, servir como o ponto fora da curva que começa a minar o plano de Kang, vivido por Rick Yune (sim, até o nome do vilão é clichê).

Fuqua sabe trabalhar sequências de ação, não há dúvidas. Entre tomadas em planos gerais que armam e executam o plano maligno de Kang e planos médios, americanos e close-ups frenéticos com lutas bem coreografadas e surpreendentemente bem montadas graças ao trabalho de John Refoua (que trabalhou no ótimo Nocaute, de 2015), o filme é ágil e não deixa o ritmo cair em momento algum, mesmo que o roteiro rasteiro de Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt (ambos de currículo curto formados só por “filmes pancadaria”) telegrafe cada acontecimento de maneira óbvia, fazendo ainda o favor de inserir explicações didáticas sobre tudo que está mais do que claramente diante das câmeras. No entanto, não é complexidade de roteiro que se espera de um filme assim, não é mesmo?

O que se espera, na verdade, é justamente cadência narrativa – o resto é bônus, sempre muito bem vindo, lógico -, algo que a película tem de sobra, ainda que peque no uso de efeitos visuais em computação gráfica fracos, algo que pelo menos fica restrito ao breve ataque inicial. Quando o foco passa a ser em Mike e seus super-poderes, o elemento mais intimista e simples fala mais alto, cabendo a Gerard Butler convencer no papel. E, ainda que ele não tenha as fraquezas de um John McCLane, seu personagem também não chega a ser uma máquina invencível de destruição como John Matrix. O resultado, no final das contas, não desaponta no quesito atuação, por mais limitado que o roteiro seja, ao ponto de tornar inexplicável a escalação do costumeira bom Aaron Eckhart.

Como versão moderna de filmes oitentistas de pancadarias e mortes desenfreadas, Invasão a Casa Branca não deixa nada a dever. Ufanismo inofensivo de um lado, herói clichê do outro, com pitadas de boa direção e pronto, está pronta a receita de uma pipoquinha simpática para um fim de tarde.

Obs. sobre acentuação: Caso alguém coce para comentar sobre a existência ou não de crase no título, vale dizer que optei por usar exatamente o título que foi usado no Brasil pela distribuidora quando do lançamento do filme no cinema. Entendo, pessoalmente, que a palavra “casa” só pede crase quando estiver especificada e não é incontroverso que Casa Branca é uma especificação de casa. Além disso, por ser nome próprio, o uso do indicativo de crase é facultativo. E, como se isso não bastasse, “invasão” é um substantivo e sua preposição não é “A” e sim “DE/DA”; portanto, o correto mesmo seria Invasão da Casa Branca.

Invasão a Casa Branca (Olympus Has Fallen, EUA – 2013)
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Creighton Rothenberger, Katrin Benedikt
Elenco: Gerard Butler, Aaron Eckhart, Finley Jacobsen, Dylan McDermott,  Rick Yune, Morgan Freeman, Angela Bassett, Melissa Leo, Radha Mitchell, Cole Hauser,  Phil Austin, James Ingersoll
Duração: 119 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.