Crítica | Invencível (2014)

estrelas 3,5Se 2014 foi o ano das adaptações literárias distópicas para o cinema, nesse ano de 2015 podemos esperar a massiva aparição de um outro gênero igualmente popular: as cinebiografias.

Quem dá o pontapé inicial da temporada é a atriz Angelina Jolie que decidiu se aventurar na área de direção e nos apresenta Invencível, a cinebiografia de Louis ‘Louie’ Zamperini, um ex-atleta olímpico que após ficar a deriva por mais de um mês é capturado pelos japoneses e passa boa parte da segunda guerra sendo torturado tanto fisíca quanto psicologicamente, porém, Zamperini jamais se curvou perante as dificuldades.

Jolie que está em sua segunda empreitada como diretora, demonstra possuir um olhar requintado para retratar guerras, assim como foi seu primeiro trabalho Na Terra do Amor e Ódio de 2011. Dessa vez a diretora encontrou o fruto de seu projeto mais perto do que esperava, pois sem saber, era vizinha do próprio Zamperini. Bastante comovida com a trajetória do ex-atleta, decidiu que essa seria hora do público conhecer melhor esse herói do passado, no entanto, seus esforços foram um tanto quanto excessivos, pois, ainda que a película seja incrivelmente bem elaborada e correta em sua forma técnica, com tudo acontecendo como deveria e uma trama que é deveras interessante, a duração do filme acaba sendo um grande inimigo e jogando contra aquele que mais deveria agradar: o espectador.

Durante a primeira hora já é possível estabelecer um laço com a história apresentada e passar a torcer pelo protagonista, que sendo filho de imigrantes italianos, sofre com o abuso dos outros meninos aonde mora e encontra no esporte uma válvula de escape para toda a sua rebeldia. Com a ajuda do irmão mais velho, Louie se torna um jovem disciplinado e consegue se classificar para ir com a delegação americana competir nas Olímpiadas de 1936, pouco antes de estourar a Segunda Guerra. Contudo, essa parte da história é misturada a cenas de um B-24 sendo alvejado por artilharia pesada e dentro dele está o próprio Louie que acaba se unindo as Forças Aéreas dos Estados Unidos algum tempo depois. Com essa tática e uma edição competente, fica fácil criar essa empatia e compreender os percalços pelos quais Louie irá passar. Entretanto, Jolie repete essa mesma fórmula por mais tempo do que o necessário e só não termina em um fracasso total, graças as atuações de um seleto grupo de atores, principalmente por causa do não-tão-conhecido Jack O’Connell que foi escolhido a dedo pela própria diretora.

O novato se entrega inteiramente ao papel do ex-atleta e é o responsável por fazer com que o espectador não pense em desistir da película pela metade. O’Connell –  que lembra um pouco Clint Eastwood quando mais novo – enfrenta com vigor todas as adversidades do papel, o que inclui também mudanças físicas, algo que geralmente é destinado a grandes atores como Tom Hanks e Daniel Day Lewis, por exemplo. Mas aqui, o britânico está em pé de igualdade com os gigantes da indústria.

Invencível conta ainda com a trilha sonora de Alexandre Desplat, que não empolga tanto como seu trabalho em outros filmes, e a belíssima canção da banda Coldplay. O roteiro que foi baseado no livro Unbroken da autora Laura Hillenbrand foi escrito pelos irmãos Joel e Ethan Coen, Richard LaGravenese e William Nicholson.

Uma surpresa é reconhecer o cantor japonês Miyavi como o Tenente Watanabe, algoz de Zamperini. Pouco conhecido do público cinéfilo, o cantor – que possui uma boa base de fãs no Brasil – surpreende com sua atuação honesta ao encarnar o papel de alguém psicótico e maníaco por regras.

Apesar de ter seus problemas, Invencível consegue se equilibrar na balança cinematográfica e encantar por sua história de superação e resiliência. No fim, o finado Louis Zamperini consegue transmitir uma lição importante: mais vale a força mental do que a força física.

Invencível (Unbroken, EUA – 2014)
Direção: Angelina Jolie
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen, Richard LaGravanese, William Nicholson
Elenco: Jack O’Connell, Domhnall Gleeson, Garrett Hedlund, Takamasa Ichihara, Finn Wittrock, Jai Courtney, Maddalena Ischiale, Vincenzo Amato, John Magaro, Luke Treadaway, Ross Anderson, C.J. Valleroy, John D’Leo, Miyavi
Duração: 137 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.