Crítica | Invocação do Mal 2

Quando o primeiro filme da franquia foi lançado em 2013, as pessoas estavam um pouco saturadas das mesmices no campo das produções de terror. Assim, Invocação do Mal chegou com impacto e força grandiosa, dando novo gás aos filmes com cenas envolvendo exorcismos e possessões. Há muita gente que acha o filme tão assustador que na Índia, em 17 de junho de 2016, um senhor de 65 anos morreu por conta de um infarto de miocárdio durante uma sessão da continuação deste tenebroso filme de horror.

Sob a direção de James Wan, tendo como direcionamento o roteiro criado pelo trio formado por Chad Hayes, Carey W. Hayes e David Leslie Johnson, Invocação do Mal 2 traz uma equipe de produção tão eficiente quanto ao grupo do primeiro. Don Burgess assina a direção de fotografia, Kirk M. Morri a edição, Joseph Bishara é o condutor musical. Ao longo dos 134 minutos, os realizadores nos mostram os problemas enfrentados pela família Hodgson, perseguidos por uma entidade aparentemente demoníaca, na Inglaterra. Antes, no entanto, o filme nos mostra o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) na documentação do caso de Amityville, em 1976.

O intuito era estudar o lugar para saber se Ronald DeFeo foi de fato o responsável pela tragédia envolvendo a morte de uma família, ocorrida em 13 de novembro de 1974, caso que já rendeu uma numerosa quantidade de filmes. Com o desfecho da investigação, o casal retorna ao lar e dialoga sobre o relacionamento, bem como sobre a continuidade no que diz respeito às tarefas que exercem. Logo, serão convidados para ir ao Reino Unido, pois a família Hodgson (formada por uma mãe solteira e seus quatro filhos) passa por um processo de atividade paranormal em casa.

Conhecido como Enfield 1977, o caso ocorreu em agosto do ano citado, com a primeira observação da mãe, Peggy Hodgson (Frances O’Connor), sobre uma reclamação dos filhos. Eles alegavam que os objetos se mexiam sozinhos, além de sons assustadores e repentinos, sem uma explicação notável. Com o avanço da situação, o caso da família ganhou os jornais Daily Mirror e Daily Mail, material que depois iria encontrar ressonâncias em muitos filmes, séries e histórias contadas em outros suportes.

Ao chegar, o casal Warren analisa todos os aspectos possíveis dos acontecimentos. Entre os descrentes, há Anita Gregory (Franka Potente), psiquiatra que estudará atentamente o caso para comprovar que não se trata de uma possessão, mas de uma fraude da matriarca para conseguir uma casa moradia melhor por parte do Estado. Será assim que o casal Warren, entre dúvidas e certezas, desvendarão os mistérios da vez, com direito ao assustador The Crooked Man, ao espírito de Bill Wilkins (Bob Adrian), que logo saberemos ser um peão, mandado pela representação suprema do inferno, isto é, o demônio enganador e libertador de serpentes, Valak (Bonnie Aarons), entidade que surge representada com trajes de uma freira satânica e grotesca.

Numa passagem antes da viagem, em casa, Lorraine teve uma visão perturbadora deste demônio, mensageiro de uma situação que ela fará de tudo para modificar. Desta maneira, Invocação do Mal 2 apresenta coesão narrativa e sensação de horror construída visualmente e complementada com o design de som, mas isso não impede que a trama tenha dois problemas bem pontuais, questões que se resolvidas, tornariam a sequência ainda melhor do que já é.

O primeiro é o desfecho. A resolução da tensão final e a expulsão de Valak é muito básica para uma história que se prolongou por mais de duas horas de duração, segundo e último problema da lista, pois é bem possível que os realizadores tivessem dado conta do conteúdo num tempo um pouco menor, tendo em vista evitar dispersões. Isso, no entanto, é até perdoado quando na cena final, Ed convida Lorraine para uma dança romântica, ao som de Elvis Presley num de seus momentos mais inspirados. A cena é linda e reforça a simbiose do casal, concatenados desde o primeiro filme, graças aos desempenhos eficientes de Vera Farmiga e Patrick Wilson.

Há suposições sobre a chegada do terceiro filme, mas nada confirmado oficialmente. Assim, a opção é conferir A Freira, derivado da franquia Invocação do Mal, mais um subproduto que promete ser melhor que Annabelle. No quesito “horror”, a construção imagética da freira já pode se considerar mais bem sucedida, pois se em Invocação do Mal o departamento de maquiagem tinha 23 pessoas, no segundo filme a quantidade quase dobra, provavelmente para dar conta do visual monstruoso do algoz da narrativa. O departamento de “visualidades” contou com Julie Berghoff no design de produção, em parceria com as cenógrafas Liz Griffths e Sophie Neudorfer, responsáveis por erguer a ambientação de Londres e Estados Unidos, respectivamente, trabalhos, em sua totalidade, eficientes. Que venha o desfecho de uma trilogia.

Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, EUA – 2016)
Direção: James Wan
Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes, James Wan, David Leslie Johnson
Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Madison Wolfe, Frances O’Connor, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Simon McBurney, Joseph Bishara, Bob Adrian, Franka Potente
Duração: 133 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.