Crítica | iZOMBIE – Vol. 1: Morri pro Mundo

estrelas 4

izombie 1 capaMichael “Mike” Allred tem um dos melhores traços de quadrinhos da atualidade. Desde que ele realmente despontou na Image Comics (e depois Dark Horse Comics) com seu sensacional Madman e foi galgando espaço na Marvel com seu maravilhosamente subversivo X-Statix e recentemente com FF na Nova Marvel, ele vem trazendo frescor às publicações mainstream tanto em termos de conteúdo/roteiro quanto em termos de arte, normalmente em parceria com sua esposa Laura, nas cores.

É simplesmente impossível ficar indiferente com os desenhos de Allred, que lembram a arte pop dos anos 50 ou 60 (ele poderia facilmente trabalhar como criativo no time de Don Draper, em Mad Men). Traços simples, mas extremamente característicos que trazem à vida uma variedade de personagens cativantes.

E esse é o caso de iZOMBIE, projeto iniciado em 2010 na Vertigo em co-autoria com Chris Roberson, que ficou encarregado dos roteiros. A série acabou em 2012 e foi composta de 28 números, colecionados em quatro volumes. O primeiro deles, Morri pro Mundo (Dead to the World), trabalha o primeiro arco de cinco números e mais uma introdução publicada em The House of Mystery Halloween Annual #1, todos de 2010, somente publicados em 2015 no Brasil, pela Panini Comics.

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(1) Gwen fazendo uma “boquinha”; (2) Gwen, a zumbi, Spot, o Terrieromem e Ellie, a fantasma e (3) os caçadores de monstros Horácio e Diógenes.

Sem maiores delongas, somos imediatamente apresentados a Gwen Dylan, uma pálida jovem que trabalha como coveira no cemitério de Eugene, Oregon. Mas ela não é uma humana normal, mas sim uma zumbi que precisa se alimentar de cérebro uma vez por mês ao menos para não perder controle sobre si mesma, transformando-se no zumbi padrão “romeriano”. Não e à toa, assim, que ela trabalha – e secretamente mora – no cemitério com seu constante fornecimento de cérebros fresquinhos (ou quase). Sua melhor amiga é Eleanor “Ellie” Stuart que morreu na década de 60 e, agora, é uma fantasma fashionista (de sua própria década, claro) que não se adapta ao mundo moderno. Completando o trio, há Scott, apelidado pelas meninas de Spot, pois toda lua cheia ele se transforma em um simpático “terrieromem”, ou seja, uma literal mistura de humano com cachorro da raça Terrier (Wereterrier no original).

Essa combinação de “monstros” amigos pode ser vista em outras mídias, como é o caso da série britânica Being Human e não é, em si, original. A diferença de iZOMBIE é que, quando Gwen faz seu lanchinho noturno, ela absorve as memórias do dono do cérebro e sua mais recente refeição a fez descobrir que o homem havia sido assassinado e ela parte para tentar descobrir o responsável.

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(1) O misterioso John Amon; (2) a irmandade de vampiras e (3) Allred e seu sensacional controle narrativo.

Mas a grande sacada de Roberson e Allred é não transformar Gwen na catalisadora da ação. Ela é mesmo só uma jovem que tem uma “condição” diferente das demais. O que acontece à sua volta acontece apesar dela, como o empreendimento de uma irmandade de vampiras proprietárias de um negócio de paintball noturno (claro que com um objetivo sombrio) e os caçadores de monstros Diógenes e Horácio. Claro, há uma trama mais abrangente que a envolve, assim como o misterioso John Amon, que parece ter muito em comum com a heroína, mas o primeiro volume nós dá apenas pistas interessantes e nada mais.

Como um volume introdutório, Morri pro Mundo aguça a curiosidade e faz o leitor mergulhar de cabeça no estranho mundo de Gwen. Mas não espere ação ou elementos comuns a filmes e séries de zumbi. Apesar do assunto com potencial para sanguinolência, ele nunca se realiza completamente e o volume todo é, em linha geral, bastante leve e divertido. Não há, porém, o fechamento de nenhuma ponta narrativa. Tudo fica em aberto, o que quase não permite que consideremos esses cinco primeiros números como um verdadeiro arco narrativo.

Mas fica a certeza que Roberson e Allred têm um plano de longo prazo com potencial. Resta saber se veremos novos volumes sendo publicados por aqui.

iZOMBIE – Vol. 1: Morri pro Mundo (iZOMBIE – Vol. 1: Dead to the World, EUA – 2010)
Conteúdo: iZombie #1 a 5 e The House of Mystery Halloween Annual #1
Roteiro: Chris Roberson
Arte: Michael Allred
Cores: Laura Allred
Letras: Todd Klein
Capa: Michael Allred
Editora (nos EUA): Vertigo Comics
Data original de publicação: maio a setembro de 2010
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: março de 2015
Páginas: 136 (contendo 10 páginas de artes extras de Allred)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.