Crítica | iZOMBIE – Vol. 2: vcVampiro

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estrelas 3,5

Obs: Há spoilers somente do volume anterior.

A divertida série paranormal escrita por Chris Roberson e magistralmente desenhada por Michael Allred continua em vcVampiro, que abre o leque da história da adorável zumbi Gwen e de seu amigos Scott, o Terrieromem e Ellie, a fantasma dos anos 60. O volume inteiro é dedicado a preparar o leitor para o que vem nos seguintes, mas isso, de forma alguma, torna a leitura menos interessante.

izombie v2 capaColecionando iZOMBIE #6 a 12 e mais House of Mystery Halloween Annual #2, Roberson devota tempo primeiro a uma história independente do arco narrativo (a do anual mencionado) que nos permite ver um pouco de Gwen antes de ser zumbificada com seus amigos de faculdade em Devil’s Lake, no Oregon. Ela, Tricia e Darius têm que atravessar o lago em questão que, diz uma lenda indígena, é assombrado. É noite de lua cheia e também Halloween, o que só acrescenta à aura de mistério e a história é simples e direta, sem floreios e não faz muito mais do que estabelecer Gwen com alguém que não se assusta facilmente e nos apresentar a Tricia, que é usada, depois, na história principal.

Em seguida, temos outra história separada, semi-independente, que nos conta como Scott se transformou no Terrierhomem e aproveita para deliciosamente contar que ele vivera a vida toda com seu avô, depois da morte de seus pais. O estabelecimento da relação entre neto e avô é muito mais importante que a origem em si de Scott/Spot, que acontece em apenas uma página, sem muitos detalhes. É que o avô, que passou a vida sendo a voz de Mr. Chimps, personagem de desenho animado desse universo ficcional, acaba falecendo e algo diferente e surreal acontece, mas que, dentro da linha narrativa estabelecida por Roberson, especialmente depois da didática explicação sobre almas feita por Amon, a múmia egípcia, no volume anterior, faz sentido lógico. Deixarei de mencionar exatamente o que acontece apenas para manter a presente crítica sem spoilers.

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(1) Scott e seu avô; (2) Ellie e Amon; (3) Amon e Galatea.

A história principal, porém, como o título uVampire deixa muito claro, lida com a presença das vampiras a quem somos apresentados no volume 1. Elas mantêm um negócio de paintball noturno que usam para atrair jovens e sangue suficiente para mantê-las vivas. Como aprendemos anteriormente, os caçadores de monstros Horácio e Diógenes estão a seu encalço, atrapalhando os negócios e elas partem para a ofensiva.

Paralelamente, depois de descobrir por Ellie que corpos têm sumido do necrotério local, levando Gwen a sofrer pela falta de cérebros para comer, Amon, desconfiado, parte para investigar o que está acontecendo. É aqui que a narrativa começa a ganhar contornos bem mais amplos, com a introdução de uma nova personagem, Galatea, cujo nome por si só, relacionado com o mito helenístico de Pigmalião, já permite entrever sua natureza. Ela parece ser a responsável pelos tais roubos de cadáveres, com um plano lovecraftiano que faria Hellboy arregala os olhos.

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(1) Gwen e Horácio; (2) Galatea e Claire; (3) Horácio, Diógenes e as vampiras.

Pouco efetivamente acontece em termos de ação, mas esse nunca foi o objetivo de Roberson com sua série. Ele sabe fundir muito bem as “criaturas” mitológicas e folclóricas quase que formando uma Liga Extraordinária do além, com doses generosas de comédia leve mesmo diante da temática. Gwen, como já mencionei na crítica anterior, apesar de ser nominalmente a personagem principal, passa de maneira adjacente aos acontecimentos principais, que acontecem apesar dela. Nesse volume, sua atenção fica dedicada ao seu relacionamento com um dos caçadores de monstros e com a necessidade de fechamento que o cérebro mais recente que “jantou” exige dela, o que a faz reatar seus laços antigos com Tricia, levando à revelação de que Gwen não morreu (ou, bem… morreu pero no mucho…).

Assim, a narrativa leve de Roberson, com os magníficos desenhos de Mike Allred e cores de sua esposa Laura, permitem uma leitura gostosa, descompromissada, mas que não se furta em se aprofundar em conceitos e em histórias pregressas. Além de conhecermos a origem de Scott/Spot, também aprendemos como as vampiras se tornaram o que são e como Ellie morreu, fechando um círculo que, gradualmente, passará a centrar-se em Gwen, agora a única personagem principal sem “origem” clara.

iZOMBIE é leitura fácil e prazerosa para os apreciadores do “terrir” e do fantástico em geral.

iZOMBIE – Vol. 2: uVampire (EUA – 2011)
Conteúdo: iZombie #6 a 12 e The House of Mystery Halloween Annual #2
Roteiro: Chris Roberson
Arte: Michael Allred, Gilbert Hernandez (#12)
Cores: Laura Allred
Letras: Todd Klein
Capa: Michael Allred
Editora (nos EUA): Vertigo Comics
Data original de publicação: outubro de 2010 a abril de 2011
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: junho de 2015
Páginas: 161

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.