Crítica | iZOMBIE – Vol. 3: Six Feet Under & Rising

estrelas 4

Obs: Há spoilers somente dos volumes anteriores.

Considerando que o terceiro volume de iZOMBIE é o penúltimo da saga que envolve Gwen, a simpática zumbi e seus amigo Scott/Spot, o terrieromen e Ellie, a fantasma dos anos 60, é surpreendente como Chris Roberson e Michael Allred mantém as portas todas escancaradas, sem um semblante de resolução. A impressão que dá é que os dois autores tinham planos mais de longo prazo para seus terrir sobrenatural.

izombie v3 capaDe toda forma, isso não estraga a experiência de Six Feet Under & Rising que lida principalmente com um ataque de zumbis pela cidade e o desaparecimento de Spot em um buraco misterioso. Os dois eventos são conectados, claro, e há muito mais coisa acontecendo ao redor, mas, em termos de ação esses são os dois focos principais. Bem, esses e os Presidentes Mortos, claro!

A cada final de número, Roberson e Allred nos apresentam a aventuras paraleas desse grupo que, tecnicamente, se chama V.E.I.L. (eles nunca explicam a sigla, claro…) e age como um FBI do sobrenatural, formado por agentes zumbis, fantasmas e lobisomens com nomes de presidentes mortes – Kennedy, Nixon e Madison – coordenados sob o comando de Abraham Lincoln (sim, o mesmo que também é caçador de vampiros em filmes). Fica evidente desde o início que os Presidentes Mortos terão importância na narrativa e, na medida em que os números evoluem, suas pequenas histórias independentes vão se aproximando da história principal até que, mais para a frente, há fusão total, inclusive com a volta de Diógenes e um reforço dos Gravediggers. É, sem dúvida alguma, uma forma original e interessante de se introduzir personagens e de ampliar ainda mais o escopo da história.

Mas, voltando à Eugene, no Oregon, apesar de uma introdução em que Amon, sob a desculpa de comemorar o aniversário de Gwen, convida-a novamente para se juntar a seu plano-mestre contra Galatea, isso não chega a acontecer de verdade e, como aconteceu nos volumes anteriores, Gwen passa a caminha à margem da trama principal que ganha pouco desenvolvimento aqui. O foco é mesmo o misterioso desparecimento de Spot que Ellie testemunha e o resgate montado por Gwen e Horácio.

mosaico izombie v3

O que me prende ao trabalho de Roberson e Allred é a fusão perfeita entre narrativa e arte. Há uma fluidez incomum no trabalho da dupla, que se esmera em criar um microcosmo próprio, com regras lógicas e que brincam com conceitos vários que vemos por aí nos mais diferentes filmes de horror. Eles reúnem, zumbis, lobisomens, fantasmas, caçadores de monstros, o mito de Frankenstein, vampiros e até temas lovecraftianos sem muita dificuldade, sem parecer que estão forçando a barra. É um universo realmente rico que poderia ser desenvolvido ao longo de muitos mais volumes que não só os quatro ao que os dois se comprometeram. Isso fica ainda mais evidente nesse terceiro volume, com a introdução dos Presidentes Mortos, suas histórias pregressas e também um curiosíssimo grupo sobrenatural russo formando por um monstro de Frankenstein e um cérebro dentro de uma máquina de café (não esperem explicações!). É como ouvir histórias de dormir de um pai ou mãe com imaginação hiper-ativa.

Falando em histórias de dormir, se no volume anterior houve muito foco em histórias de origem – aprendemos a de Ellie e a de Spot, além da do seu avô e das vampiras – agora finalmente aprendemos como Gwen morreu. Não contarei aqui para manter a crítica sem spoilers, mas a lembrança de Gwen é triste, mas anti-climática, com o propósito maior de sua morte (sabemos que há um propósito maior por comentários anteriores de Amon) ainda encoberto em mistério.

Six Feet Under & Rising é mergulhado em ação, com excelentes novos personagens e, ainda que se esquive de abordar de verdade a chegada da monstruosa criatura lovecraftiana Xitalu que promete sacudir o status quo no volume de encerramento. iZOMBIE é uma história que já deixa saudades.

iZOMBIE – Vol. 3: Six Feet Under & Rising (EUA – 2012)
Conteúdo: iZombie #13 a 18
Roteiro: Chris Roberson
Arte: Michael Allred, Jay Stephens (#18)
Cores: Laura Allred
Letras: Todd Klein
Capa: Michael Allred
Editora (nos EUA): Vertigo Comics
Data original de publicação: maio a outubro de 2011
Editora (no Brasil): Panini Comics
Data de publicação no Brasil: não lançado no Brasil na data de publicação da presente crítica)
Páginas: 142

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.