Crítica | Jack Reacher: Sem Retorno

estrelas 2,5

Jack Reacher sai das mãos de Christopher McQuarrie e segue para as do diretor Edward Zwick, conhecido por obras como Diamante de Sangue O Último Samurai, na sequência de O Último Tiro. Por estarmos falando de um filme de ação no estilo de centenas de outros que vemos por aí, desde 007 até Assassino a Preço Fixo, a obra não requer um conhecimento prévio do personagem, já que tudo que precisamos saber já está mais do que exposto em seu roteiro. Apesar de cair em velhos clichês e não trazer absolutamente nada de novo, o longa-metragem acaba se destacando por alguns pontos que fogem do comum quando se trata de outras produções do gênero.

A trama gira em torno de Jack Reacher (Tom Cruise), um ex-major (algo que é incessantemente repetido ao longo do filme), que acaba tendo de livrar uma oficial do exército, a major Turner (Cobie Smulders), de uma conspiração dentro da organização que a acaba colocando na prisão militar. Perseguidos pela polícia militar e por um grupo de mercenários, os dois precisam chegar ao fundo desse mistério a fim de se verem, enfim, livres. No meio disso tudo, Reacher descobre que, possivelmente, tem uma filha, Samantha (Danika Yarosh), e ela logo se torna mais um alvo das pessoas que os caçam.

Em termos de roteiro, Jack Reacher: Sem Retorno não acrescenta nada ao espectador. Vemos a velha história do herói aposentado que deve voltar à ativa e, no processo, demonstra-se mais habilidoso do que qualquer outro ser humano vivo. O filme não conta com nenhuma grande reviravolta que não seja previsível e, de fato, o texto, em sua maioria, dispensa esse recurso, admitindo exatamente sua condição: a de um filme de ação feito exatamente para quem quer ter uma experiência descontraída no cinema. Portanto, se você espera o longa-metragem de sua vida, é bom passar longe desse daqui.

O que a obra acerta, enquanto muitas outras falham, são suas cenas mais agitadas. A direção de Edward Zwick nos entrega enquadramentos que não nos confundem, nos permitindo enxergar o que está acontecendo em cada luta ou perseguição. Apesar dos inúmeros cortes há uma nítida clareza do que está se passando na tela, possibilitando um maior aproveitamento do filme como um todo. Infelizmente, muitas dessas sequências acabam sendo longas demais ou repetitivas, o que acaba cansando o espectador através da extensa duração da projeção, que facilmente poderia ser cortada para algo em torno de noventa minutos.

Cruise desempenha bem seu papel como o protagonista, trazendo-nos uma mistura de seriedade com humor. No entanto, muitas de suas piadinhas chegam a desviar do tom que persevera durante a maior parte da obra, quebrando nossa imersão através da necessidade de colocá-lo como aquela figura clichê do herói que, mesmo nas piores situações, ainda solta algumas risadas de vez em quando. A tentativa de emular uma espécie de James Bond é nítida, mas o personagem não traz toda a aura que o espião britânico emana na maior parte de suas encarnações ao longo dos anos e acaba caindo na mesmice.

Cobie Smulders, por sua vez, não tem a menor construção ao longo do filme, o que sabemos dela é apresentado logo nos primeiros trechos e quase nada além disso é acrescentado. Para piorar, sua personagem acaba ficando limitada a uma mera sidekick de Reacher, que faz praticamente tudo na grande maioria das cenas. Existe até a tentativa de colocar um discurso feminista através do preconceito que ela sempre sofrera no exército, mas isso não é ajudado pelo fato de que ela muitas vezes é apresentada de roupão, enquanto o protagonista veste suas roupas de sempre. Custava tê-la colocado em roupas normais? Felizmente, são poucas as ocasiões em que isso acontece.

No fim, Jack Reacher: Sem Retorno é mais um filme de ação genérico que acaba divertindo o espectador que não entrar no cinema esperando grande coisa. Dito isso, mesmo com seus evidentes problemas, a obra acaba se saindo melhor que a grande maioria das produções atuais do gênero – traz mais do mesmo, sim, mas Edward Zwick consegue conduzir suas sequências de forma menos confusa. Para uma experiência descompromissada, vale o ingresso.

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back) — EUA, 2016
Direção:
Edward Zwick
Roteiro: Richard Wenk, Edward Zwick, Marshall Herskovitz
Elenco: Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge,  Danika Yarosh, Patrick Heusinger, Holt McCallany, Judd Lormand, Christopher Berry
Duração: 118 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.