Crítica | Jack White – “Lazaretto”

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estrelas 3,5

Jack White é um dos responsáveis por mudar os rumos da música indie dessa última década. O ex-White Stripes é um dos artistas mais influentes da atualidade, um verdadeiro “queridinho” da crítica especializada. As qualidades de White são várias, entre elas está a capacidade de fazer um som simples, bem arranjado e cheio de influências de estilos como blues rock e country dentro de um indie rock muito bem feito. No ano de 2012 lançou seu primeiro álbum solo, Blunderbuss, considerado por alguns críticos o melhor daquele ano. O disco não é tudo isso, mas com certeza é muito bom. Agora, o cantor lançou seu segundo álbum solo, mais sólido que o primeiro e de grande qualidade, afinal, não dá pra esperar coisa ruim vindo das mãos de João Branco.

Lazaretto é muito mais “uma coisa” que o anterior, isso pode decepcionar alguns fãs de Blunderbuss. A sonoridade desse disco não varia tanto quanto a de seu antecessor, que pegou diversas características do cantor. As influências básicas são o blues rock inserido  no indie rock, ainda que exista também uma carga bem pesada de country. Particularmente, isso um acerto de Lazaretto.

Three Womens abre o disco da melhor forma possível, um exemplo de blues tradicional que consegue ser moderno, diverte bastante com seu excelente arranjo. A faixa título Lazaretto é um indie rock de alto nível, Jack canta quase como se a música fosse um rap, o arranjo é – mais uma vez – um destaque, solos de guitarra terminam em um solo de violino digno de aplausos. Would You Fight For My Love é sombria, mostra o lado gótico do cantor (face que ele já mostrou várias vezes na carreira), Temporary Ground é um bom folk com uma letra bem complexa – uma típica composição de White – enquanto o single Just One Drink se destaca por ser um ótimo country rock, com uma temática descompromissada que fala sobre alguns dos temas mais comuns do gênero, como bebidas e viagens.

Com certeza não se pode confiar em alguém que fala do disco e não fala da sensacional High Ball Stepper. Podemos perceber com mais clareza o talento do cantor como guitarrista: não faz solos super velozes ou usa técnicas lendárias, mas é elogiado por saber fazer riffs bem distintos, além de tocar de um jeito simples e eficiente. Nessa faixa, Jack pega country, solos viscerais de blues e rock psicodélico e faz uma das melhores do álbum, poderia facilmente ser uma faixa de Turn Blue do The Black Keys. Destaque para esse espetacular clipe da faixa, assim como o de Lazaretto!

Apesar do álbum não possuir músicas ruins, ele não é um trabalho impecável, faixas como Entitlement, I Think I Found The Culprit e Want And Able trazem uma boa sonoridade de country tradicional, mas que é “mais do mesmo”, as canções estão bem longe de estar entre as mais relevantes feitas pelo artista, nada muito inovador.

Um segundo álbum sempre carrega um grande significado, define a qualidade do artista e a sua capacidade de se renovar. Entretanto, essa regra não se aplica a Jack White. Apesar do álbum carregar o título de segundo álbum solo, a experiência do cantor é altíssima e esse disco se torna apenas mais uma boa obra na larga discografia de White. No entanto, um álbum que vai ser considerado fundamental entre suas obras: bastante sólido e bem produzido, talvez até mais melódico que Blunderbuss. O trabalho de um artista que com absoluta certeza pode ser chamado de músico de verdade.

Lazaretto
Artista: Jack White
País: Estados Unidos
Lançamento: 10 de junho de 2014
Gravadora: Third Man Records
Estilo: Indie Rock e Blues Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.