Crítica | Jason Vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira

estrelas 1

Obs: Leia sobre os demais filmes da franquia, aqui.

Após a viagem ao badalado mundo urbano de Nova York, o antagonista Jason é levado novamente para o ambiente onde sempre esteve familiarizado a cometer os seus criativos assassinatos. Nessa época, o personagem perdia apenas para James Bond no quesito quantidade de produções por franquia. Lançado nos cinemas em 1993, Jason Vai Para o Inferno: A Última Sexta-Feira é aquela produção irritante de uma saga, filho bastardo, sabe?

A produção está para a série assim como Alien 3, A Hora do Pesadelo 5, O Filho de Chucky ou Premonições 4 estão para as suas respectivas franquias. Episódio dos mais destoantes, assim como o terceiro momento da saga da Tenente Ripley, o quinto episódio dos pesadelos mortais da rua Elm Street, o nascimento do filho do brinquedo assassino mais famoso do cinema ou a quarta busca insana da morte por pessoas que resolveram driblar o seu destino: evasivo e desconexo em relação ao conjunto da obra.

Este nono episódio do dia do azar começa sem se preocupar em estabelecer nenhuma explicação para os momentos anteriores. Não há nenhuma ligação com os acontecimentos em Nova York. Interpretado mais uma vez por Kane Hodder, Jason está mais robótico e cheio de brotoejas, além de ter a sua máscara comprometida, praticamente colada no rosto.

Com alguns planos gerais contemplando o entardecer em Crystal Lake, a narrativa nos apresenta uma bela moça chegando ao acampamento. No local, resolve tomar um banho (neste ponto já anoiteceu) e de repente as luzes do  espaço apagam. É nesse clima que Jason aparece munido do seu facão. A moça corre para o lado de fora e se entranha pela floresta. Mais adiante, dá de cara com o mascarado, mas consegue sair ilesa. Vários holofotes são acionados e um grupo do FBI entra em ação, disparando tiros e uma granada que parece ser o fim do psicopata. Corta!

A narrativa nos leva para o Necrotério Federal em Ohio. Jason está despedaçado numa mesa de autópsia. Até esse momento, não sabemos ao certo o que esperar da produção. Será que o antagonista iria, por meio de uma força mágica, juntar as partes do seu corpo explodido e retornar para a matança? Isso seria até mais interessante que a decisão tomada pelos envolvidos no projeto.

O legista não resiste ao ver o coração de Jason (intacto, por sinal) e o devora bem na mesa da autópsia, numa das primeiras cenas escatológicas da franquia que sempre apostou em muito sangue, mas em poucas nojeiras. A partir deste novo começo, Jason agora é um parasita e vai ser transferido de um corpo para outro ao longo do filme, algo como Invasores de Corpos encontra Sexta-Feira 13. Mas isso ainda não é o pior.

O roteiro vai mergulhar no passado do mascarado e nos mostrar que ele tem uma irmã. Por tabela, essa irmã tem uma filha e Jason agora está interessado em assassinar as duas. A trama nos faz lembrar do ótimo Halloween H20 – Vinte Anos Depois, produção que estreou cinco anos mais tarde do que toda essa bobagem. Jason e a sua saga, mais uma vez, tornam-se tributários da saga de Michael Myers, assim como no primeiro filme, lançado em 1980.

Nessa época, Jason era uma celebridade da cultura pop, um personagem que faturava mesmo sem estar em exibição, tamanho o interesse dos fãs do gênero pelos filmes por intermédio de locações e direitos autorais nas exibições televisivas. Muita gente também faturou bastante dinheiro com os produtos derivados da série. Camisetas, canecas, jogos, convenções com direito a exibição de filmes e encontro entre atores, produtores e espectadores: estes foram alguns dos segmentos lucrativos da indústria que se formou em torno de Sexta-Feira 13.

Fracasso total de crítica, Jason Vai Para o Inferno: A Última Sexta-Feira estreou em 1.355 salas de cinema e faturou muito abaixo do esperado. Fez limitado progresso no mercado de vídeo, tendo amargado críticas negativas não apenas dos especialistas, mas dos fãs da série e cinéfilos ao redor do planeta.

Um filme sem força e expressão. Se a viagem para Nova York e essa passagem pelo inferno destoaram do conjunto da obra, o próximo episódio seria ainda mais insano: Jason X leva o personagem para o ano de 2.455; entretanto, não se leva à sério e assume o caráter autocrítico do começo ao fim.

Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-Feira (Jason Goes to Hell: The Final Friday, EUA – 1993)
Direção: Adam Marcus
Roteiro: Jay Huguely, Adam Marcus
Elenco: Kane Hodder, John D. LeMay, Karl Keegan, Steve Williams, Steven Culp, Erin Gray, Rusty Scwimmer, Allison Smith, Julie Michaels
Duração: 87 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.