Crítica | Jedi Junior High

estrelas 2,5

Star Wars foi um marco não só na história do cinema, como na cultura pop em si, ganhando legiões de fãs a cada geração, influenciando desde adultos até crianças. Jedi Junior High, documentário de Heidi Burkey e Tim Larson, lida justamente com a saga em relação ao público infantil, nos mostrando os bastidores de um musical, que adapta O Império Contra-Ataca, estrelado por crianças do Arts & Learning Children’s Conservatory, em Anaheim, Califórnia. Mais que isso, porém, vemos como as artes podem influenciar positivamente no amadurecimento das pessoas, abrindo inúmeras possibilidades em seus futuros.

O longa-metragem acompanha tantos esses jovens, participantes do musical, quanto os adultos por trás da adaptação, nos levando desde os testes de elenco até a apresentação em si. Através de entrevistas individuais e coletivas vemos como a peça representa algo diferente para cada pessoa ali dentro, seja para o garoto que queria ser Darth Vader, mas conseguiu o papel de General Veers, ou o responsável pela produção, que buscava uma forma de incentivar crianças a demonstrarem seu lado mais artístico. Nesse ponto, vemos que a escolha de se adaptar O Império Contra-Ataca não foi por acaso e sim para captar o interesse tanto de meninas quanto meninos, os quais, muitas vezes, passam longe do teatro.

Jedi Junior High nos oferece um olhar bastante detalhado sobre cada um dos participantes do projeto. Conhecemos as crianças que vivem os principais papéis e acompanhamos seu amadurecimento, enquanto que presenciamos seus temores e receios em relação à apresentação em si, sempre levando em conta suas personalidades. A obra, dirigida e roteirizada por Heidi Burkey e Tim Larson acerta em mostrar tais indivíduos como eles são: pessoas completamente diferentes unidas pela sua paixão em relação á arte ou Star Wars em si.

Em razão da escolha de focar individualmente nesses jovens, porém, o documentário acaba soando raso demais quando levamos em conta toda a produção em si. Enxergamos esse lado do filme de maneira muito superficial, a tal ponto que o pulo de uma fase para a outra soa exageradamente rápido. Sentimos como se mais pudesse ter sido mostrado – o que ganhamos são breves trechos que não contam as etapas da produção, mas sem oferecer interessantes detalhes. Dito isso, nossa atenção começa a se perder logo cedo, tornando a projeção dilatada, parecendo mais longa do que efetivamente é.

Outro aspecto que não ajuda é a ruptura narrativa provocada pelas cartelas que dividem os diversos trechos do filme. Com estrelas de fundo, vemos as palavras em destaque, dizendo o que veremos a seguir, algo que facilmente poderia ser simplificado com um texto no canto da tela. Essa divisão fragmenta toda a projeção, fazendo com que as diversas sequências soem desconexas e não parte de um longo processo. Nosso envolvimento com a peça, portanto, se perde, visto que enxergamos tudo com uma certa distância.

Jedi Junior High, conta com uma ótima premissa, que poderia nos mostrar como Star Wars e o teatro em si podem moldar a mente de jovens, independente de suas personalidades e origens. Em razão de seu roteiro superficial e edição burocrática, porém, muito disso acaba se perdendo e o resultado final não nos atinge da forma que deveria. Ganhamos um documentário que não nos envolve da maneira que deveria e cuja temática é desperdiçada, oferecendo nada mais do que alguns minutos de entretenimento. O necessário olhar sobre a juventude e Star Wars é perdido.

Jedi Junior High — EUA, 2014
Direção:
 Heidi Burkey, Tim Larson
Roteiro: Heidi Burkey, Tim Larson
Com: Debora Wondercheck, Art Ortiz, Cambria Larson, Amy Louis Sebelius, Jonathan Graham, Marisa McKenzie, Morgan Jacobs, Nicole Sokolow, Jenna Sokolow
Duração: 75 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.