Crítica | Joe’s Violin

joes_violin_plano_critico

estrelas 3,5

É muito comum que documentários curta-metragem não tragam histórias completas, em seu sentido clássico, com começo, meio e fim. Cada minuto é relevante e é necessário foco para que a mensagem seja passada. Joe’s Violin, portanto, é uma exceção interessante, já que nos entrega uma narrativa redonda e tranquila, em um bom compasso, mesmo considerando seus breves 24 minutos de duração.

Joe Feingold é um senhor de 70 anos sobrevivente do Holocausto, que passou praticamente todo o período da 2ª Guerra em um gulag na Sibéria. Sua tocante história pessoal dá o pano de fundo dramático ao curta dirigido por Kahane Cooperman, produtora televisiva em sua segunda incursão como diretora. O fio condutor é, claro, o tal violino de Joe do título, instrumento que marcou sua infância e que ele deixou de tocar por mais de seis anos enquanto estava afastado de tudo e de todos no horror soviético (com parte de sua família no horror nazista). Quase a primeira coisa que faz quando volta ao mundo dos vivos, é trocar tudo que tinha não por rações ou outros objetos de primeira necessidade, mas sim por uma fatia de sua infância feliz encapsulada pelo instrumento que tanto amava.

O catalisador do documentário é uma campanha de doação de instrumentos musicais capitaneada por uma radio novaiorquina à que  Joe adere, finalmente afastando-se de seu companheiro de décadas a fio. É assim que vemos o violino passar para Brianna Perez, de 12 anos, estudante da escola Bronx Global Learning Institute for Girls, escolhida para usá-lo com exclusividade enquanto estiver estudando lá. A menina é um poço de alegria pura e de incrível respeito pela história que o violino carrega e parece realmente ter um carinho extremo por ele e uma paixão irrefreável por música.

Com isso, a narrativa de Cooperman lida com o legado, com a continuidade do acúmulo de experiências de uma pessoa encapsulado em um objeto simbólico. O violino de Joe é sua alegria de infância, é a memória de sua mãe, é a lembrança de sua liberdade e dos horrores que viveu e que, agora, é a alegria de uma jovem com o futuro todo pela frente lutando sem desistir contra quaisquer adversidades.

A estrutura escolhida pela diretora – linear, com alguns flashbacks baseados em fotografias e filmagens de arquivo – permite que a história seja contada sem firulas ou invencionices, mantendo a atenção do espectador por todo o tempo unicamente pelas implicações da história em si. Por outro lado, ainda que seja difícil não se emocionar com o que vemos, Cooperman montou sua  obra de forma razoavelmente burocrática, talvez objetivando um profundo respeito por essa metafórica “passagem de bastão”, o que de certa forma reduziu o impacto que a obra poderia ter tido. Além disso, mesmo conhecendo Joe razoavelmente bem por suas próprias palavras e fotografias, quase nada é dito sobre Brianna fora do contexto da escola. Teria sido interessante uma construção em paralelo das duas narrativas, culminando com o encontro de gerações, mas o foco em Joe – justamente por ser o caminho mais óbvio a se seguir – esvazia a introdução da jovem.

Joe’s Violin nos conta uma inegavelmente bonita história que, porém, carece de uma marca distintiva, mais autoral de Cooperman. Ele poderia ser uma bela reportagem especial de um telejornal, mas, como documentário em si, apesar de passar o recado e emocionar, deixa também um pouco a desejar.

Joe’s Violin (EUA – 2016)
Direção: Kahane Cooperman
Com: Joe Feingold, Brianna Perez, Kokoe Tanaka-Suwan, Alex Feingold, Regina Feingold, Ame Gilbert
Duração: 24 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.