Crítica | John Lennon – Um tiro na porta de casa

estrelas 4

A série Figuras do Rock em Quadrinhos tem como objetivo acompanhar a vida de diversos artistas do século XX (e apesar do nome, não apenas do Rock), trazendo suas biografias pelo foco de suas carreiras musicais. Essa graphic novel sobre John Lennon é de autoria do argentino Pablo Maiztegui, também conhecido como Pol, que escreveu o roteiro e desenhou a obra. As cores ficaram a cargo do também argentino Marcelo Orsi Blanco, um grande colorista e também ilustrador.

Em 64 páginas, Maiztegui faz um trabalho admirável ao biografar a jornada de John Lennon, o polêmico líder dos Beatles que teve uma vida adulta praticamente assistida por câmeras de fotógrafos e jornalistas. O autor cria um modelo textual que alterna passado e futuro, o que acaba sendo, a longo prazo, um ponto negativo para a graphic novel, mas em momentos específicos da narrativa criam concepções preciosas, ajudadas pela inventiva arte e diagramação das páginas.

A ideia de ciclo de vida e acontecimentos históricos acabam sendo, com isso, muito presentes, e parecem afetar a todos, ligando momentos distintos dos pais, amigos e amores de Lennon a diferentes fases de sua vida. Eis aí uma vantagem de não termos uma narrativa linear. As idas e vindas no tempo ajudam o leitor a criar uma imagem menos engessada do artista (embora com poucas ou quase nenhuma novidade para quem conhece bem a biografia dele), podendo até criar espaço para possível análise de conflitos de gerações ou algo do tipo. O lado ruim disso tudo é que ficamos confusos com frequência

Marcelo Orsi Blanco faz um ótimo trabalho na coloração da obra e até tenta diferenciar as alterações temporais com cores contratantes de uma página para outra ou entre os quadros relacionados, mas como nunca há um padrão nesse exercício, não conseguimos usá-las para nos localizar no tempo em que a história está.

As informações utilizadas pelo autor não trazem um novo olhar para a biografia ou grandes curiosidades sobre Lennon. No quesito de informação, temos muito daquilo que já sabemos sobre o cantor e compositor, algo que talvez faça com que o roteiro não seja tão impressionante. Mas isso não significa que o conteúdo seja pobre ou ruim. Penso que para um leitor que pouco conhece a história, esta pode ser uma jornada de muita informação e aprendizado.

A arte de Maiztegui combina com a atmosfera criada para o artista biografado. Traços mais grossos, presença de granulado na imagem e cores vivas em quadros de psicodelia marcam a cara da HQ e dão à narrativa uma aparência densa, algo que pessoalmente atribuo a toda biografia, especialmente quando o final é um evento trágico, como nesse caso. O autor ainda tem concepções visuais notáveis, ligando momentos e cenas dramaticamente opostas com grande inventividade, como por exemplo, o momento em que Lennon beija Cynthia e, num outro local, sua mãe é atropelada. Seja através de paisagens maiores ou detalhes narrativos dentro dos quadros, o autor logra um resultado artístico fenomenal, algo que supera bastante os problemas de concepção do roteiro e dão ótima aparência à obra.

John Lennon – Um tiro na porta de casa é uma leitura rápida e de certo modo divertida. Até mesmo os desafetos às biografias (seja em livros ou quadrinhos) encontrarão nesta graphic novel um modelo interessante de abordagem, e, se ao final de tudo o resultado não passar pelo crivo pessoal, pelo menos a obra tem o mérito de ser curta.

E para finalizar, uma nota de agradecimento ao meu aluno Matheus Mangili, que se lembrou de mim quando teve contato com o álbum e gentilmente me apresentou à obra. Obrigado, Matheus!

John Lennon – Um tiro na porta de casa (John Lennon – un disparo en el umbral)

Roteiro: Pablo Maiztegui (Pol)
Arte: Pablo Maiztegui (Pol)
Cores: Marcelo Orsi Blanco
Lançamento oficial:
 Argentina, 2010
Lançamento no Brasil: 2011
Editora: V&R
Páginas: 64

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.