Crítica | Jornada para Star Wars: Os Últimos Jedi – Capitã Phasma

Quando soube que a Capitã Phasma ganharia uma minissérie solo pela Marvel Comics, revirei os olhos e logo imaginei que seria uma história de origem, em que a acompanharíamos desde criança, em uma vida difícil, passando pelo seu recrutamento pelo Império, até tornar-se a capitã com armadura prateada de Stormtrooper e capa preta. Era meu preconceituoso “sentido de gato escaldado” logo partindo para conclusões e imaginando uma narrativa padrão e completamente sem graça para uma personagem visualmente interessante, mas que praticamente não apareceu em O Despertar da Força.

E como é bom quebrar a cara! Não há nada de origem na minissérie em quatro edições a não ser um brevíssimo flashback e, além disso, Kelly Thompson no roteiro e Marco Chechetto na arte resistem bravamente à tentação de mostrar o rosto debaixo do capacete, algo que seria natural e até esperado, considerando que a personagem é vivida, no cinema, por Gwendoline Christie, a Brienne de Tarth, de Game of Thrones. Com isso, a breve história é simples e objetiva: Phasma, logo depois de ser obrigada a baixar os escudos da base Starkiller, decide salvar seu couro apagando seus dados de acesso. No processo, porém, ela descobre que outro membro da Primeira Ordem, o tenente Sol Rivas, obtivera uma cópia desses dados e ela, com a ajuda da piloto TN-3465, que não sabe de suas intenções escusas, começa a caçá-lo.

A diversão da minissérie vem de sua despretensão e simplicidade que têm como objetivo deixar muito clara a personalidade corrupta, fria, brutal e imparável de Phasma. A capitã é uma força da natureza que simplesmente não descansa enquanto não alcançar seu objetivo que, no caso, é eliminar as pontas soltas que possam conectá-la com a traição que foi forçada a cometer por Han Solo, Chewbacca e Finn, prometendo, ato contínuo, bons momentos com a personagem em “modo vingança” em Os Últimos Jedi. Sua caçada a leva até ao planeta Luprora, onde ela e sua piloto se deparam com colonos em petição de miséria, tendo que lidar com as intempéries do local e uma raça nativa de “sereias” monstruosas.

O roteiro de Thompson não tenta criar complexidades. A presença de TN-3465 na história funciona como nossa bússola moral, deixando ainda mais clara a capacidade cruel de manipulação que Phasma tem, usando um povo contra o outro somente para conseguir chegar até Rivas. São os personagens saindo do ponto A até o ponto B e, depois, ao ponto C, sem firulas, sem enrolação, mas com muitos obstáculos, como em uma complexa corrida de slalom com acidentes geográficos, tempestades sem fim, monstros, abismos e uma boa dose de violência. Trata-se de uma leitura rápida e fácil, mas prazerosa e gratificante se o leitor compreender o objetivo primário do texto da roteirista.

Se o texto carece de qualquer traço de complexidade, o que, como visto, não é algo necessariamente negativo, a arte de Checchetto compensa a questão. Seu trabalho é belíssimo em seus detalhes minuciosos tanto em primeiro quanto em segundo planos de cada quadro de cada página. Ele dá uma merecida imponência “darthvaderiana” à Capitã Phasma, mesmo quando ela brevemente retira sua armadura e usa um disfarce (mas com máscara) e cria um mundo meio rochoso, meio aquático em que acreditamos facilmente no momento em que o vemos. Os seres monstruosos locais bebem da mitologia e literatura gregas muito diretamente e funcionam como uma ameaça difusa. A população de colonos desesperados ganha um rosto como uma jovem que ajuda Phasma acreditando ser ela uma salvadora, o que empresta um caráter de urgência, mas também de tragédia, algo que o roteiro de Thompson não esconde diante da frieza da capitã. Quando a chuva começa, os traços de Checchetto ficam ainda mais impressionantes, criando uma atmosfera opressiva e pesada, mas sempre cuidadosa e crível.

Surpreendentemente, Jornada para Star Wars: Os Últimos Jedi – Capitã Phasma é uma minissérie de respeito que desenvolve personagem com potencial que mal vemos no filme em que surgiu. Fica a vontade de ver Phasma em ação no próximo filme e, quiçá, em futuras HQs.

Jornada para Star Wars: Os Últimos Jedi – Capitã Phasma (Journey to Star Wars: The Last Jedi – Captain Phasma, EUA – 2017)
Contendo: Journey to Star Wars: The Last Jedi – Captain Phasma #1 a 4
Roteiro: Kelly Thompson
Arte: Marco Checchetto
Cores: Andres Mossa
Letras: Clayton Cowles
Capas: Paul Renaud
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: setembro e outubro de 2017
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 109

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.