Crítica | Jovens Vingadores # 1 – Marvel NOW!

Não tenho muito o que falar sobre Jovens Vingadores # 1, escrito por Kieron Gillen, o mesmo autor do fraco primeiro arco de Homem de Ferro do projeto Marvel NOW! e desenhado por Jamie McKelvie, com participação de Mike Norton. Bom, na verdade eu poderia enrolar e perder o meu tempo e o seu tempo, explicando as razões pelas quais esse primeiro número é tão fraco e insosso, mas resolvi fazer um pouquinho diferente e abordar logo a questão mais polêmica: o beijo gay adolescente entre Hulkling e Wiccano.

Eu tenho problema com isso? Não, estou pouco me lixando na verdade.

Precisava ter sido assim? Claro que não. É mais uma jogada de marketing para a Marvel poder dizer “olha, sou liberal!”. Enquanto o “beijo gay” for tratando como um “evento”, a homossexualidade nunca será encarada como algo normal, corriqueira, parte de nosso dia-a-dia. Se alguma coisa é um evento, podem escrever que essa alguma coisa não é normal e o tiro sai pela culatra completamente. E porque eu digo que a Marvel, emJovens Vingadores, tratou o beijo gay adolescente como evento? Muito simples. Gillen gastou três páginas inteiras com diálogo entre dois jovens fazendo beicinho um para o outro para, na quarta página, os dois fazerem as pazes se beijando. Isso sem falar em todo o marketing da revista em torno disso. Querem tratar do assunto, então que o façam de maneira normal, igual ao tratamento dispensado a um beijo hétero.

Alguns reclamarão comigo que pelo menos é bom ver isso na mídia, para desmistificar o assunto. Sim, é melhor ter do que não ter, mas meu ponto é tratar as relações homoafetivas (desculpe-me se o termo certo não for esse, mas é que não costumo ser especialista em expressões politicamente corretas) como algo banal e não especial.

Mas o tal bejio gay nem é o maior problema desse número. Ele já começa mostrando o lado liberal da Marvel também na relação hétero, ao abrir o número com Kate Bishop (Gaviã Arqueira) acordando na moradia de Noh-Varr (Marvel Boy), depois de uma noite intensa. É a Marvel querendo mostrar que adolescente é assim mesmo: cabeça vazia e que transa com qualquer um sem se preocupar com o dia de amanhã.

Bom, pelo menos é esse tipo de adolescente que a Marvel deve estar procurando cativar com Jovens Vingadores # 1: vazio, volúvel e que facilmente se encanta com o verniz de liberalidade de algumas publicações. No próximo número, provavelmente os heróis vão se juntar para fumar maconha…

E história, tem alguma?

Humm, para dizer a verdade, não. Há a cena com Kate Bishop e Noh-Varr seguida de um micro-ação envolvendo o Hulkling fingindo que é o Homem-Aranha (e daí a razão da briga entre os namorados), a tal cena do beijo que toma quatro páginas da narrativa sem nada acrescentar e, no final, Wiccano, compadecido pelo fato de seu namorado ser órfão, procurando em realidades alternativas a mãe de Hulkling, somente para trazer para a Terra um inimigo genérico. Pronto, é só isso.

A única coisa que conta a favor de Kieron Gillen nesse número é que ele parece saber que está fazendo algo bobo, descerebrado e infantil, já que o título  é “Estilo > Substância”. Mas essa meta-esperteza não é suficiente para fazer da publicação algo recomendável.

A arte de Jamie McKelvie também não é particularmente especial. Ele usa traços simples demais, dando uma aparência infantil aos personagens, descuidando de detalhes de fundo e determinadas expressões faciais. Se há alguma coisa interessante são as duas páginas duplas repleta de micro-quadros descrevendo ações simultâneas. O primeiro, envolvendo Kate Bishop e Noh-Varr é perfeita: vemos um ataque Skrull, a fuga de Bishop e o revide de Noh-Varr em 21 quadros que transmitem tudo o que tem que transmitir, com um bom uso de quadros (não balões) de falas como se fossem títulos. É uma ótima jogada.

Mas aí McKelvie tenta repetir a façanha mais para a frente, usando a técnica para tratar ao mesmo tempo do embate entre Kid Loki e Miss America, o encantamento de Wiccano e o despertar repentino de Hulking, mas o resultado é uma bagunça só, sem pé nem cabeça.

Em resumo: considerando que essa é  a segunda porcaria que Gillen faz no projeto Marvel NOW!, alguém bem que podia ter uma conversinha séria com ele…

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.