Crítica | Jurassic Park III

estrelas 3

Mesmo sendo um desastre completo, o segundo longa da franquia dos dinossauros, O Mundo Perdido: Jurassic Park, foi muito bem nas bilheterias. E como em Hollywood nenhuma franquia está isenta de possível continuação, não demorou muito pra uma terceira parte ser anunciada. Trata-se do primeiro filme da série que não é dirigido por Steven Spielberg e nem baseado em um livro de Michael Crichton, o que poderia significar algo mais desastroso que a continuação anterior. No entanto, Jurassic Park III supera más expectativas e entrega um longa superior ao que o precedeu, ainda que longe da qualidade do filme original.

O grande acerto da terceira parte da trilogia é seu ar despretensioso e seu retorno ao clima aventuresco do primeiro, com inclusive o abandono do péssimo ar sombrio inserido no segundo longa. Essa despretensão é vista já na sinopse simples: de volta ao foco em Alan Grant como protagonista, um casal (dois supostos milionários) convence o paleontólogo a fazer uma expedição a Ilha Sorna. No entanto, Grant vê-se enganado: o real motivo da expedição seria buscar o filho do casal perdido na ilha oito semanas antes.

Essa abordagem bem mais modesta presente em Jurassic Park III o joga em ótimas luzes. O filme, de duração extremamente curta (94 minutos), possui proporções bem menores que o original, um lado thriller muito mal desenvolvido (visto por esse lado seria o pior da franquia), uma última sequência bem fraca (que praticamente ofende o poder dos velociraptors) e sendo assumidamente uma obra bem menos dramática, mais voltada para a família.

Se por um lado não há como dizer que a trama não é clichê ou simples, por outro a escolha do diretor Joe Johnston (famoso por boas aventuras como JumanjiQuerida, Encolhi As Crianças e Capitão América: O Primeiro Vingador) foi acertada por retomar o clima aventureiro do filme original, o que acaba servindo como uma boa homenagem. Isso unido a interpretações bastante eficazes (Sam Neill está tão brilhante quanto no original) e bem superiores a do filme anterior, resultam em uma fita bem humorada e de roteiro bastante balanceado, que consegue entregar o que propõe.

Jurassic Park III acaba se mostrando um filme mediano, mas que não deixa de ser uma rápida diversão aos fãs do aventuresco Jurassic Park, tentando apagar a vergonhosa imagem do segundo filme. A história simplória não impede que Joe Johnston utilize boas ferramentas para melhorar e muito essa continuação, seja com a trilha sonora tão boa quanto a do original, ou inserindo dinossauros novos e bastante interessantes. Afinal, já era hora de um ataque de pterodáctilos, não acha?

Jurassic Park III (EUA, 2001)
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Peter Buchman, Alexander Payne, Jim Taylor
Elenco: Sam Neill, William H. Macy, Téa Leoni, Alessando Nivola, Trevor Morgan, Michael Jeter
Duração: 94 minutos

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.