Crítica | Justiceiro: Como nos Bons e Velhos Tempos!

estrelas 4

Publicada aqui no Brasil pela Panini em julho de 2013, Justiceiro #1 – Como nos bons e velhos tempos! é a compilação das edições #1 a 5 da revista Punisher, de 2011 – 2012, que trouxe a mais recente série do Justiceiro (o volume 8 de suas aventuras, composta por 16 edições, e já encerrada lá fora). Esses primeiros cinco números ora apresentados ao público brasileiro foram publicados nos Estados Unidos entre outubro de 2011 e janeiro de 2012.

O volume da Panini tem 148 páginas, e é composto por outras duas histórias além do arco principal. A primeira, Gente Séria, escrita por John Figueroa, foi retirada da Marvel Knights Double-Shot 4. A segunda, O Justiceiro Ataca Duas Vezes!, escrita por Gerry Conway, foi retirada da Amazing Spider-Man #129. Nenhuma delas tem relação com a história principal, mas são interessantes, e no caso da clássica de 1974, tem a importância de contar a PRIMEIRA aparição do Justiceiro nos quadrinhos, como uma personagem de um conto do Homem-Aranha!

Como nos bons e velhos tempos! marca o retorno um tanto sombrio e bastante meticuloso de Frank Castle no combate ao crime, tendo como ponto de partida uma chacina que acontece no casamento de uma agente chamada Rachel Cole. Nas primeiras páginas, vemos a tragédia acontecer e, em seguida, acompanhamos o trabalho da polícia que tenta achar pistas do grupo de assassinos. A trilha para o Justiceiro não tarda a aparecer, e Castle passa a ser alvo de pelo menos um dos detetives responsáveis pelo caso.

Gente morta para todos os lados.

Greg Rucka tem o cuidado de apresentar Castle apenas como uma sombra, como se não fosse o seu tempo de vir à luz, como se ele devesse ficar nos bastidores, agindo anonimamente – talvez um indício do perigo que o aguardava. O leitor sabe que a personagem está agindo, mas não o vê, no início. Mesmo depois, o Justiceiro permanecerá nas sombras, resultado de uma finalização artística de tendência monocromática que funcionou maravilhosamente bem para o que é proposto pelos autores e que ajudou não só a criar uma atmosfera viciante para o ambiente, mas também a contextualizar melhor o protagonista.

É dentro desse parâmetro de “agir como um fantasma” que Rucka escreve o roteiro dessas primeiras edições, tendo em vista um inimigo não esperado (e aqui não me refiro aos homens ou grupos de mafiosos, que sempre estiveram na cola do Justiceiro). A partir daí entendemos que a série pretende mostrar a ação do protagonista junto a personagens superpoderosos, como acontece com o Abutre no desenvolvimento do arco, onde vemos o anti-herói ser bastante ferido e, de certa forma, obrigado a se afastar da ação por um tempo, uma parte por estratégia de defesa, outra por visível recuperação física.

Mas o roteiro não acompanha a trajetória de Castle por toda a história. Em essência, trata-se de uma investigação à chacina ocorrida no casamento de Rachel Cole, e não só os dois detetives designados para o caso recebem atenção do autor, mas também Norah Winters, a jornalista que traz um novo e interessante rumo à trama, e claro, a sobrevivente do massacre, Rachel Cole.

Durante todo o tempo, e de forma bem irônica, valores pessoais e afetivos ligados à família são trazidos à tona. O arco já começa com um massacre em um casamento, e ao passo que avançamos na leitura, temos cada vez mais a valorização das relações pessoais por um lado e a frieza e o desapego a elas por outro. Essa dualidade culmina com a não-relação entre Castle e o garotinho que o encontra em um galpão, 100 dias depois do ataque do Abutre. E como se não bastasse, a 5ª edição termina com diferentes focos narrativos no Dia de Ação de Graças.

Marco Checchetto faz um ótimo trabalho com a arte, trabalhando com um grande número de detalhes por quadro e ângulos bem interessantes nas cenas de luta, o que é visualmente chamativo. Eu já tinha falado algo sobre a boa escolha de Matt Hollingsworth para uma exposição de cor monocromática para certos momentos narrativos, e isso funciona bem nesse tipo de história, porque mergulha todas as ações naquela cor específica, dando até uma aparência claustrofóbica ou opressiva à parte visual, ou seja, mais um ponto positivo.

Como nos Bons e Velhos Tempos! é um arco interessante, com uma história que até esse momento recebeu um bom tratamento não só em texto mas também em arte. Esperamos que as edições seguintes mantenha esse ritmo, mas é bom ficar de sobreaviso, já que a série foi cancelada no número #16 lá nos Estados Unidos por não ser tão bem recebida pela crítica como se esperava e por não contar com boa aceitação do público. Vamos esperar pra ver.

Justiceiro: Como nos bons e velhos tempos! (Punisher #1 – 5) — EUA, 2011 – 2012
Roteiro: Greg Rucka
Arte: Marco Checchetto
Cores: Matt Hollingsworth
Lançamento no Brasil: julho, 2013
Editora: Panini Comics
Páginas: 148

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.