Crítica | Justiceiro Max: Rei do Crime

estrelas 4

A série Punisher Max era tudo que um dos personagens mais violentos da Marvel pedia. Longe dos longos arcos do universo da editora, a série tinha um caráter um tanto independente onde autores poderiam criar e recriar diferentes histórias de Frank Castle, além de figuras que contracenariam com ele. E foi assim que, dentro da série, surgiu o compilado de edições que formam Rei do Crime, arco onde Jason Aaron e Steve Dillon reinventam o surgimento de Wilson Fisk como o temível Rei do Crime; tudo isso, claro, com o Justiceiro em cena.

Colocar tramas de Rei do Crime e Justiceiro paralelas é, com certeza, uma idéia ótima. Da mesma maneira que a série da Netflix do Demolidor mostra um lado humano de Fisk, podemos ver seu lado humano no arco de Aaron (que pode ter influenciado a série). É um homem ambicioso que possui seu plano para chegar ao topo da máfia, mas também o homem que se importa com sua família e que possui traumas na infância. E, aqui, Fisk e Castle só possuem os meios como diferença, de resto é notório que ambos são assassinos sanguinários. Essa abordagem faz o acerto da série e é evidenciado em uma página espetacular dividindo as atitudes de cada personagem.

Vemos aqui um Frank Castle no máximo de sua experiência: “estamos atrás desse cara há 30 anos”, um dos chefões da máfia diz. E o mais importante no roteiro de Aaron é que sabe balancear sua experiência com suas fraquezas, afinal, Castle é vulnerável, não possui super-poderes que o impeçam de fracassar. O mercenário escolhido pra ‘massacrar’ o personagem nessa edição é Menonita, um homem do campo bem religioso que possui suas próprias maneiras de empregar seu trabalho sujo.

Apesar de bem desenvolvido pra tão poucos quadros, é um personagem que causa estranheza. Há uma tentativa um tanto falha em torna-lo ‘humano’ aos olhos do leitor. Simplesmente não dá pra entender suas motivações e sua relação com religião, já que claramente não é um fanático. Há algo no roteiro que só nos força a aceitar sua maneira bizarra de pensar e agir.

A arte de Steve Dillon é tudo que a série pede. É realista, humana, suja e amedrontadora em relação a violência, sem poupar sangue ou tripas esvoaçadas. Os combates são doses pesadas de violência evidenciadas na dor de cada membro/parte do corpo fraturada. Mas Dillon, mais do que tudo, sabe passar os sentimentos dos personagens. Cada quadro, isento de palavras ou não, possui um importante olhar, seja de Wilson Fisk, Frank Castle ou Menonita, dizendo absolutamente tudo sobre o personagem em questão.

Justiceiro Max: Rei do Crime é um arco que sabe trabalhar de maneira brilhante dois ótimos – e sanguinolentos – personagens da Marvel em paralelo. Uma verdadeira caça entre predador e presa onde fica difícil saber qual é qual, visto a ferocidade de ambos. No entanto, quando chega o terceiro ato essa caça é abandonada para evidenciar apenas a tentativa de sobrevivência de cada um, com referências bem claras até a Poderoso Chefão. O Justiceiro com certeza merece frequentemente contracenar com um vilão a sua altura como Wilson Fisk.

Justiceiro Max: Rei do Crime
Publicação no Brasil: Fevereiro de 2014
Roteiro: Jason Aaron
Desenhos: Steve Dillon
Cores: Matt Hollingsworth
Editora: Marvel (EUA), Panini (Brasil)

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.