Crítica | Killer Party (1986)

  • Filme um de sete da Maratona de Horror que relatei em detalhes aqui

Se, por um momento, esquecermos a fábrica de filmes de brucutu que foram os anos 80, lembraremos que a mesma década foi de uma riqueza ímpar para outros sub-tipos de filmes que marcaram época e que, por seu sucesso, foram multiplicados até cansar. Quem não se lembra da quantidade de filmes sobre jovens começando ou lidando com a vida na faculdade, normalmente comédias cheias de escatologia, sexo e “mulheres nuas” encabeçadas por Porky’s? Ou dos inumeráveis slashers, começando por Sexta-Feira 13? E os filmes envolvendo possessão demoníaca então, como Evil Dead? Entre clássicos e porcarias extremas, houve de tudo um pouco nesses dez mágicos anos.

Killer Party, que era para ter sido batizado de April Fool, mas que foi alterado porque a Paramount anunciou o seu April Fool’s Day – ou, aqui, A Noite das Brincadeiras Mortais – para o mesmo ano, é uma fusão de todos os subgêneros acima, começando como um filme de garotada entrando em fraternidade por meio de testes variados (trotes, para ser mais claro), descambando para um pouco de slasher e, depois, perdendo o pudor e transformando-se em filme de possessão demoníaca. No final das contas, a estranha fusão mais funciona do que desaponta, permitindo que o espectador se divirta se souber entrar na brincadeira de baixo orçamento de terrir.

Na história, três belas amigas, Vivia (Sherry Willis-Burch), Jennifer (Joanna Johnson) e Phoebe (Elaine Wilkes) fazem de tudo para entrar em uma fraternidade, incluindo alguns atos bastante humilhantes que são explorados ao longo da primeira metade da projeção. Simultaneamente, aprendemos sobre a existência de uma casa abandonada que um dia sediou outra fraternidade e que foi palco da morte de um jovem há 22 anos. Entre tentativas genuínas de suspense aqui e ali que, porém, são forçadas e acabam não dando em nada, a casa, lógico, é escolhida como cenário para uma festa das duas fraternidades mais importantes e, então, o freio de mão é solto, com a mortandade de praxe começando de verdade, tendo as amigas como centro das atenções.

Ainda que a história seja pouco inspirada, o prólogo da projeção merece grande destaque, por ser uma inteligente brincadeira com os mais diversos sub-gêneros do horror, com histórias dentro de histórias dentro de histórias que desembocam no efetivo começo do filme, o que engana o espectador despudoradamente todas as vezes, criando verdadeiros “falsos começos” do nada. O razoavelmente desconhecido diretor William Fruet, com um currículo sem qualquer brilho, usa transições inteligentes nesse início, carregando-nos de uma história para outra de forma fluida e surpreendente. Claro que tudo não passa de um artifício sem aplicação prática na narrativa do roteiro do também insosso roteirista Barney Cohen, mas que acaba funcionando justamente pela genialidade momentaneamente demonstrada nesses minutos iniciais.

Quando a narrativa das três amigas realmente engrena, o filme vai gradativamente perdendo seu vigor, ainda que Sherry Willis-Burch, por vezes muito parecida com Michelle Pfeiffer, mantenha nossa atenção sempre que se torna o foco da película pelo seu jeito nerd e estabanado, mas charmoso de ser. Com uso de efeitos práticos que não o envergonham e uma contagem de corpos respeitável, ainda que quase todos os assassinatos aconteçam offscreen por uma exigência sem sentido da MPAA, o desconhecido filme produzido pela MGM arranca alguns sorrisos – talvez até, generosamente, uma ou outra risada – por saber brincar com a salada de subgêneros que explora e por não se levar a sério.

Killer Party é uma bobagem descartável, sem dúvida. No entanto, os anos 80 foram pródigos em filmes assim e este aqui, especificamente, não é nem de longe um dos piores.

Killer Party (EUA/Canadá, 1986)
Direção: William Fruet
Roteiro: Barney Cohen
Elenco: Sherry Willis-Burch, Joanna Johnson, Elaine Wilkes, Martin Hewitt, Paul Bartel, Ralph Seymour, Alicia Fleer, Woody Brown, Terri Hawkes, Deborah Hancock, Laura Sherman, Jeff Pustil, Pam Hyatt
Duração: 91 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.