Crítica | King Cobra

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estrelas 2,5

Como quase todos os projetos independentes nos quais James Franco está envolvido, King Cobra ganhou o mantra de “você precisa ver este filme” desde a sua estreia no Tribeca Film Festival, em abril de 2016. Dirigido e co-escrito por Justin Kelly, com quem Franco já trabalhara como ator e produtor em I Am Michael (2015), King Cobra é baseado na historia real do assassinato de Bryan Kocis, o fundador do Cobra Video, um estúdio de pornografia gay.

O roteiro usa como ponto de partida o encontro de Stephen (que seria Bryan Kocis, aqui muito bem interpretado por Christian Slater, em um papel realmente diferente do que ele costuma fazer no cinema) e o jovem Brent Corrigan (Garrett Clayton), dando os seus primeiros passos no universo do pornô gay. Considerando a base real, as muitas relações possíveis a serem tomadas e a tragédia final, fica claro para o espectador que o filme partiu de uma premissa boa que foi mal executada.

Paralelos imediatos com Boogie Nights logo vêm à mente, mas são apenas semelhanças temáticas, não de trabalho satisfatório com a pornografia dentro da história ou com os personagens. Poucas cenas ou sequências aqui podem ser consideradas interessantes para aprofundar as características de alguém e isso aparece mais em relação ao casal formado por James Franco e Keegan Allen do que na dupla que serve como linha-guia para o texto. Essa confusão de polos e a difícil adequação do roteiro para as diferentes fases da história colocam muita coisa a perder.

No único momento em que a montagem funciona bem no filme, que é quando um escândalo sobre “pornografia infantil” vem à tona, vemos inúmeras possibilidades de desenvolver a trama ganhar peso e rapidamente desaparecer. Ao invés de se utilizar dos muitos conflitos passionais, de interesses ligados ao caso e tornar os personagens mais completos, o texto intercalou clipes de cenas rápidas de sexo (fiquem tranquilos, o máximo que aparece aqui é a bunda nua de alguns atores) com diálogos de efeito, cruzamento de ação-e-reação e o fim trágico, com remissão para Brent e punição para os assassinos.

Vale ainda ressaltar o uso incômodo da trilha sonora de final dos anos 90 e início dos anos 2000, e o descuido da direção de fotografia em praticamente todo o filme, com destaque para as cenas internas. Quem sai ganhando, do setor técnico, é Matthew Simonelli, que faz um ótimo trabalho com os figurinos, inserindo bem a época, considerando bem cada momento da história e as muitas variações aceitáveis nessas ocasiões.

King Cobra parte de um princípio interessante, apesar de cruel, e poderia fazer algo bom em cima disso, mas estaciona na simplicidade da exibição de corpos e recriação deste ou daquele cenário real, sem muito pano de fundo para isso. Do elenco, vale ficar de olho na performance de Keegan Allen, que realmente faz algo interessante como Harlow. Já Garrett Clayton, que deveria ter um maior peso na fita, só apresenta algo que chama um pouco a atenção na derradeira sequência. E como sempre, para quem viu o trailer, praticamente todo o espírito do filme está lá, o que já é uma opção, para quem tem preguiça ou não tem tempo de arriscar a sessão inteira.

King Cobra (EUA, 2016)
Direção: Justin Kelly
Roteiro: Justin Kelly, D. Madison Savage
Elenco: James Franco, Alicia Silverstone, Molly Ringwald, Christian Slater, Garrett Clayton, Keegan Allen, Sean Grandillo, Spencer Rocco Lofranco, Cabrina Collesides, James Kelley
Duração: 91 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.