Crítica | Kitty Pryde e Wolverine

estrelas 3

A minissérie Kitty Pryde e Wolverine nasceu do desejo de Chris Claremont em apresentar novas camas dramáticas, histórico de decepções e ângulos de abordagem para a personagem de Kitty Pryde, criada por ele em 1980, ao lado de John Byrne.

Trata-se, na verdade, de uma minissérie spin-off da corrente Uncanny X-Men, que seguia em publicação na época e cujos eventos aparecem como citação na presente minissérie (com maior destaque para a edição #185, cuja história traz a perda dos poderes de Ororo Munroe, a Tempestade).

A história se passa basicamente inteira no Japão e segue um caminho bastante tortuoso na construção do problema central. O leitor não demora nem cinco páginas para perceber o intento de Claremont, mas pena para sustentar o interesse na leitura em determinados momentos, trechos que se estendem demasiadamente nos diálogos internos da protagonista e que não acrescentam muita coisa nem a ela, nem à história.

O começo da aventura demora para engatar, e isso de um jeito bastante estranho. A abertura nos mostra Kitty Pryde recolhendo as pitangas pelo término do romance com Colossus e, em seguida, a entrada dela no banco do pai e o encontro com Ogun e Shumai, os representantes de Shigematsu que estavam no país para pressionar Carmen Pryde a lavar dinheiro e fazer a coisa toda parecer legal. Desse ponto em diante, até as desventuras da jovem mutante em Tóquio, o único ponto negativo do roteiro são os diálogos internos, alguns bastante bobos, mas falaremos disso mais adiante.

O verdadeiro problema aparece quando o ninja Ogun toma Kitty Pryde como discípula e controla sua mente, suas ações, sua alma. A via percorrida até aquele momento não indicava nada que resultasse naquele cenário, o que deixa uma grande estranheza na mente do leitor (a história não é confusa, é apenas muito estranha). Alguns quadros e momentos do texto acabam nos fazendo comprar a ideia toda e aceitar a situação, mas a entrada de Wolverine e os personagens de suporte que o roteiro apresenta são demasiadamente distrativos e só atrapalham o andamento da história, cuja intenção era explorar o universo de Kitty Pryde, nada mais.

Quanto a presença do Carcaju, é um paradoxo de concepção, uma armadilha de roteiro. Por ser quem é, seria impossível para Claremont apresentar o personagem como um coadjuvante. E ademais, a minissérie foi concebida com ele no centro das atenções, com um papel importante nos acontecimento. Mas a ilustre presença de Logan exige que o roteiro faça desvios demais e traga personagens demais, como já foi dito, o que de certa forma diminui a força da ideia geral da minissérie, tornando-a menos interessante do que deveria ser.

Quem acaba acertando a maior parte do tempo é Allen Milgrom, no comando artístico. O desenhista se destaca bastante nas cenas de luta e no contexto de cenários tradicionais do Japão. Seus quadros da cidade não me agradaram muito, mas nada grave demais. E quanto ao seu melhor momento em toda a minissérie – assim como do texto de Claremont – é a parábola/lenda em que Logan conta para sua amiga um acontecimento entre Ogun e Musashi. Os desenhos simples, mas muito bonitos e o significado do texto para aquele momento da aventura são irreparáveis e fazem o leitor querer voltar para ler de novo o trecho.

Kitty Pryde e Wolverine é uma aventura mediana, com um amargo resultado final. O leitor tem a impressão de que, mesmo tendo gostado de muitos momentos, não está completamente satisfeito com a forma como a trama foi guiada. A única certeza que fica é que aqueles quase insuportáveis diálogos internos de Kitty Pryde se tornam, no final das contas, aceitáveis, o que significa que ao menos em parte, a intenção geral da aventura foi vitoriosa: a personagem passa a mostrar uma maturidade que antes não possuía.

Kitty Pryde e Wolverine (EUA, 1984 – 1985)
Minissérie em 6 edições
Roteiro: Chris Claremont
Arte: Allen Milgrom
Cores: Glynis Wein
Páginas: 24 (cada número)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.