Crítica | Krypton – 1X06: Civil Wars

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Minha honestidade me impede de fazer o que eu gostaria de fazer aqui: copiar e colar minha própria crítica do episódio anterior, só modificando alguns elementos aqui e ali para parecer uma crítica nova. Afinal de contas, Civil Wars padece do exato mesmo problema nodal de House of Zod, ou seja, a razoavelmente interessante história do golpe de estado da casa Vex contra a Voz de Rao em contraste intenso com a completamente desinteressante história relacionada com a casa El.

Sendo mais honesto ainda, diria que cada um lado se aproximou do outro um pouquinho mais, com o drama na alta casta descendo alguns níveis e tudo relacionado a Seg-El subindo alguns níveis, mas nada assim tão relevante que mude alguma coisa em minha avaliação final. De toda forma, como nos meus comentários anteriores comecei pelo melhor e fechei com o pior, inverterei a lógica aqui.

Continuando lá nas catacumbas semi-abandonadas e pós-apocalípticas de Krypton, Seg-El tenta entender o que é que o filho já crescido e vindo do futuro de sua amada Lyta-Zod está fazendo por ali, quando eis que chega seu amigo Adam Strange já apontando uma arma para a cabeça do General Zod e afirmando que ele é o grande inimigo do Superman no futuro de onde vem. Como se o Superman realmente significasse alguma coisa para alguém que não fosse ele próprio, Strange põe os pés pelas mãos e é desmascarado na mentira – ou melhor, na ocultação – sobre a importância da destruição de Krypton em 200 anos para que Kal-El alcance seu destino.

Ao mesmo tempo, com a revelação do general de que Brainiac não vem do futuro, algo que finalmente traz sentido para a trama inicial para lá de estranha sobre o assunto e que é a captura de Kandor pelo vilão que desestabiliza e acaba destruindo o planeta, monta-se o quebra-cabeças pelo qual fica mais do que evidente que o ser mais vilanesco por ali é o próprio Adam Strange, já que, aparentemente, o general Zod está em seu passado para justamente impedir a vitória de Brainiac, algo que ele pretende conseguir com uma arma de destruição em massa que, eles descobrem mais para a frente, é o Apocalypse, aquele mesmo monstro que, nos quadrinhos e em Batman vs Superman, mata o Superman de pancada.

É toda essa questão de “quem é quem” que torna o suplício de Seg-El mais tolerável para o espectador, já que a história macro começa a realmente fazer sentido. No entanto, para chegar a esse ponto, o roteiro de Doris Egan apela para tenebrosos momentos expositivos falados entre gestos militares de avanço pelos corredores subterrâneos do planeta. Chega a ser engraçado se não fosse tão ruim e mal ajambrado. Teria sido mais simples e honesto se os personagens ficassem o tempo todo conversando amarrados como acontece brevemente. Além disso, todo o balé para se chegar até onde está a arma de destruição em massa criada pela combinação de esforços das casas El e Zod acaba sendo um mero fan service para mostrar Apocalypse e absolutamente mais nada, já que dificilmente o bicharoco será solto em virtude dos gastos em efeitos que isso exigiria. Portanto, no final das contas, foi como o proverbial cachorro correndo atrás do rabo, em que nada acontece além da inversão de papeis de vilão e mocinho, com um Cameron Cuffe que continua inábil em suas expressões faciais e  um Shaun Sipos que, se esboçou algum capacidade dramática antes, volta à estaca zero aqui. Pelo menos Colin Salmon tem presença e carisma suficientes para tornar a jornada minimamente agradável.

Lá na parte alta de Kandor, por outro lado, o golpe de estado começa a andar a toque de caixa, em um dos planos mais idiotas que eu já vi para derrubar a figura papal que se auto-intitula Voz de Rao e que, como sabemos e como é revelado ao final, está dominada pelo vírus tecno-orgânico de Brainiac. Com participação apenas de um extremamente hesitante Dev-Em, a tentativa de se plantar uma bomba para matar o sujeito com capacete dourado dá epicamente errado. Aliás, não. Hilariamente errado. A cada novo nó que o plano imbecil das casas Vex e Zod enfrentava, mais eu ria involuntária e incredulamente diante da TV. Era como ver uma peça do Teatro do Absurdo acontecendo em um ambiente sci-fi.

Mas pelo menos o plano dá errado logo e tudo é descortinado ao final, de forma que essa linha narrativa, aparentemente, está definitivamente encerrada, o que coloca os Zod e os Vex diretamente contra um drone de Brainiac que, ao que tudo indica, não será fácil derrotar. Os melhores momentos, no entanto, ficam por conta da estranha e incômoda aproximação da Voz de Rao a menina Ona, em uma tentativa de caminhar por uma linha mais bizarra e psicológica que, quando começa a funcionar, é interrompida bruscamente por mais uma parte do plano dos golpistas.

Presumo que, agora, nessa reta final – faltam só mais quatro episódios – as duas linhas narrativas completamente separadas já há algum tempo passarão a, no mínimo, tangenciar-se. Caso contrário, Krypton arrisca ficar desequilibrada e desinteressante demais para que  seus espectadores se importem com o destino do planeta natal do Superman. Civil Wars não ajuda muito nesse processo, mas, ao que tudo indica, pelo menos marca um ponto de virada. Se é mesmo, só o próximo episódio dirá.

Krypton – 1X06: Civil Wars (EUA – 25 de abril de 2018)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Kate Dennis
Roteiro: Doris Egan
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Gordon Alexander, Alexis Raben, Tipper Seifert-Cleveland, Andrea Vasiliou, Colin Salmon
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.