Crítica | Krypton – 1X07: Transformation

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Transformation marca, finalmente, o encerramento da cansativa linha narrativa de Seg-El nas catacumbas do planeta onde encontrou o General Zod vindo do futuro e um culto religioso que protege Krypton do Apocalypse (sim, o monstro que viria a “matar” o Superman) e onde descobriu que Adam Strange não havia sido completamente honesto com ele sobre o destino do planeta no futuro e o que ele estava tentando evitar. Da mesma forma, a tentativa de golpe de estado, que falha em Civil Wars graças à interferência de Brainiac, tem suas consequências abordadas aqui, o que acaba por reunir as linhas narrativas que antes corriam em paralelo.

Com Jayna-Zod fugitiva, o traiçoeiro Daron-Vex se vende ao avatar de Brainiac que ele descobre estar controlando o corpo de quem antes era a Voz de Rao. Encurralado, ele entrega os traidores, inclusive sua filha, e sai para executá-la por ordens do vilão extraterrestre. Mas Nyssa aprendeu bem com o pai e consegue atrasar sua morte. Enquanto isso, Lyta e Seg carregam um ferido General Zod para o bar/restaurante de Kem para tratamento médico de emergência e, no processo, descobrem o que aconteceu no cenário político de Kandor, com Lyta, claro, duvidando que sua mãe tivesse alguma relação com o golpe.

A reunião dos grupos separados é muito bem trabalhada no episódio, com Lyta e Dev (sem ela saber, controlado por Brainiac) partindo para achar Jayna e Seg correndo para salvar Nyssa das garras de seu pai. Sem perder tempo com enrolações desnecessárias, o grupo “rebelde” logo está junto, mesmo que hesitantemente, e Daron-Vex torna-se mais mau caráter ainda do que já era, alienando a filha completamente com uma dupla (ou tripla) traição. Com isso, ainda sobra tempo para uma tentativa de desmascarar a Voz de Rao como um alienígena, mas Brainiac é mais esperto e aproveita o momento – antecipado por uma das devotas de Rao que tenta revelar sua verdadeira natureza durante uma cerimônia pública – para efetivar a “transformação” do título, que nada mais é do que a boa e velha manipulação religiosa de fiéis demasiadamente crédulos.

Com isso, o roteiro de David Paul Francis finalmente entrega aquilo que os últimos três episódios prepararam sem muita vontade de avançar de verdade: evolução narrativa significativa. Agora é perfeitamente possível compreender o caminho escolhido por Cameron Welsh que, apesar de usar vias tortuosas, parece ter sim um plano bem definido para lidar com a ameaça de Brainiac, o dilema de Adam Strange e, ainda, a liderança de Seg que, saindo das literais sombras, parece mostrar a que veio mesmo considerando a inafastável limitação dramática de Cameron Cuffe.

A sensação que tenho, no momento, porém, é que a série caminha para uma interessante sinuca de bico estabelecida pelo próprio roteiro. A abdução de Kandor por Brainiac é o que aparentemente serve de estopim para a destruição de Krypton 200 anos no futuro e Strange, portanto, precisa garantir que o evento aconteça, pois, sem ele, a Terra – e o universo – não terá o Superman. Por outro lado, como equacionar isso com Seg e seu grupo que, naturalmente, farão de tudo para impedir a vitória do vilão, especialmente sabendo que o planeta será destruído se a cidade for levada? Não me parece razoável que, sob a promessa um tanto etérea de que, um dia, seu neto será um herói importante, Seg e os demais resolvam simplesmente cruzar os braços e mudar de cidade, deixando Kandor à mercê do robô colecionador. Por outro lado, se o cânone dos quadrinhos for seguido, Kandor precisará ser miniaturizada e guardada por Brainiac. As diversas forças opostas nessa tensão narrativa precisarão de uma baita resolução para que tudo faça sentido harmônico, sem a necessidade de novas revelações tiradas do chapéu do showrunner que, surpreendentemente, alterem o status quo, o que seria péssimo para a evolução da história.

O episódio é também muito eficiente em seu design de produção, algo que vem sendo a marca da série até agora, com um excelente – ainda que naturalmente limitado – trabalho de figurino e de cenários, bastando notar o set da Fortaleza da Solidão para constatar-se isso. Aqui, o destaque fica mesmo com a fusão de efeitos práticos e digitais para a criação do avatar de Brainiac, um ser biomecânico que realmente passa a gravidade da situação em que todos se encontram e que substitui a efetiva presença física do futuro inimigo do Superman, algo que, confesso, não sei se acontecerá na temporada. E o mesmo vale, claro, para o momento de “transformação”, com uso pontual, mas bonito de CGI que transforma o tal avatar em uma figura “divina”.

Transformation é um passo no caminho certo, um episódio que deixa entrever o potencial da série e que serve de luz no fim do túnel para uma temporada que prometia muito, mas não vinha entregando tanto assim. Com apenas mais três episódios pela frente, ainda é possível que Krypton faça de Seg-El um personagem realmente interessante em uma história que estabeleça mitologia relevante para o futuro Homem de Aço.

Krypton – 1X07: Transformation (EUA – 02 de maio de 2018)
Showrunner: Cameron Welsh
Direção: Metin Hüseyin
Roteiro: David Paul Francis
Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Elliot Cowan, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Rasmus Hardiker, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Gordon Alexander, Alexis Raben, Tipper Seifert-Cleveland, Andrea Vasiliou, Colin Salmon
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.