Crítica | Kubo e as Cordas Mágicas

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estrelas 5,0

Travis Knight conta com uma carreira na animação que data desde 2000 e recentemente, como animador-chefe, nos trouxe três obras de destaque: Coraline, certamente um dos melhores do gênero, Paranorman e Os Boxtrolls. Utilizando essa sua experiência, Knight, então, decide partir para a direção em Kubo e as Cordas Mágicas, também em conjunto com o estúdio de animação Laika, que certamente oferece uma liberdade artística maior e com quem trabalhara nos filmes citados anteriormente. Neste seu longa-metragem de estreia, o diretor já mostra que seus anos como animador não foram em vão, nos trazendo uma verdadeira obra de arte.

A trama gira em torno de Kubo (Art Parkinson), um jovem garoto com poderes mágicos – ele consegue dar vida a pedaços de papel através de sua música. Quando ainda muito pequeno ele fora salvo por sua mãe de seu avô, o temível Rei da Lua, que acabou tirando um dos olhos do menino no processo e não descansará até arrancar o outro. Com isso, o garoto e a mãe devem viver longe da luz do luar, até que um dia, descuidado, Kubo acaba sendo descoberto, o que o coloca em uma jornada para encontrar uma armadura lendária que o possibilitará enfrentar seu avô.

O que, de imediato, mais nos chama a atenção é o trabalho de stop-motion realizado na obra. Não cansamos de nos surpreender, de início ao fim da projeção com o que enxergamos. Knight e sua equipe de animadores transmitem uma verdadeira fluidez, que, de fato parece que aqueles bonecos contam com vida própria. Mesmo nas cenas mais agitadas e de combate isso não se perde, demonstrando o quanto a indústria de animação cresceu desde seus primórdios. Através do olhar dos personagens conseguimos enxergar a emoção e os sentimentos dentro de cada um deles – há uma expressividade gigantesca.

Aliado a isso, o trabalho de dublagem, que conta com nomes como Charlize Theron e Matthew McConaughey, somente melhora nossa percepção da obra. Theron nos traz a típica figura materna e, através de seu jeito rabugento, consegue demonstrar todo o cuidado que tem pelo protagonista. McConaughey, por sua vez, funciona como o alívio cômico da obra e se encaixa perfeitamente dentro de seu papel, sabendo garantir o humor e a necessária seriedade em determinados pontos da história. Juntos eles garantem que o espectador se mantenha imerso em todos os momentos da projeção, captando nossa atenção em qualquer cena.

O roteiro de Marc Haimes e Chris Butler ainda consegue nos entregar uma história que não cai na previsibilidade – existem alguns pontos, sim, que conseguimos prever, mas, no âmbito geral, somos pegos de surpresa pelos pontos de virada da narrativa e a forma como trabalham o amor e a família nos atinge de forma certeira, com uma bela história sobre a aceitação das diferenças. Os olhos aqui ganham um sentido muito maior que o literal – trata-se do enxergar e não do simples olhar, a possibilidade de se encontrar beleza nas coisas mais simples da vida.

Kubo e as Cordas Mágicas se diferencia e muito da grande massa das produções do gênero, nos trazendo uma animação que nos fisga de imediato, conseguindo manter nossa atenção em sua beleza do início ao fim da projeção. Além disso, conta com um roteiro que foge do comum e não tem medo de abordar difíceis conceitos como a morte e a aceitação do diferente, fazendo isso tudo de forma orgânica. Com um desfecho verdadeiramente tocante, temos aqui uma obra que certamente ficará gravada em nossas memórias e que, desde já, se estabelece como uma das melhores animações do ano.

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings) – EUA, 2016
Direção:
 Travis Knight
Roteiro: Marc Haimes, Chris Butler
Vozes originais: Charlize Theron, Art Parkinson, Matthew McConaughey, Ralph Fiennes, George Takei, Rooney Mara
Duração: 101 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.