Crítica | L: Change the World

estrelas 1,5

Seguindo os dois primeiros filmes baseados no mangá de Takeshi Obata e Tsugumi Ohba, que foram concebidos como duas partes de uma obra só e filmados de uma vez, L: Change the World veio no intuito de encerrar essa trilogia, nos contando sobre os dias finais de L, após ter derrotado Kira. Evidente que o longa surgira como resposta ao sucesso de seus antecessores e essa tentativa de prolongar a franquia gera a inevitável dúvida: não seria melhor terem adaptado todo o mangá em mais de dois filmes, ao invés de gerar spin-offs inéditos? Questão essa que pode ser muito bem respondida pela qualidade da obra em questão.

Como dito anteriormente, o filme se passa, majoritariamente, durante os vinte e três dias finais de L, contagem regressiva essa que se iniciou quando o detetive escreveu seu próprio nome no caderno da morte em Death Note 2: The Last Name. Como sua vida é definida pelo seu trabalho, ele decide resolver o máximo de casos possíveis antes de sua hora chegar e, no processo, acaba tendo sua atenção virada para um grupo que visa acabar com a humanidade através de uma arma biológica, alegando que somente assim podem salvar o planeta dos estragos causados pelos seres humanos.

A obra, que é iniciada por um prólogo bem definido ligado diretamente aos eventos dos longas anteriores situa muito bem o espectador nesse tempo específico. Ainda que tais trechos sejam desnecessários para a construção narrativa, é um jeito mais elegante de nos lembrar o que acontecera do que o fast forward do início do segundo filme. Desde cedo, o roteiro de Hirotoshi Kobayashi e Kiyomi Fujii estabelece a sensação de urgência, imprimindo na narrativa um tom de melancolia, constantemente ressaltado pela solidão de L, que recentemente perdera sua figura paterna, Watari, o equivalente de Alfred para Bruce Wayne.

Infelizmente, toda a complexidade ideológica de Death Note se perde através de uma trama simplificada e maniqueísta. Apesar das intenções de salvar o mundo, o grupo radical que visa utilizar a arma biológica é, desde cedo, mostrado como um bando de psicopatas. Sim, Light era um, mas sua construção foi gradual e só pudemos contemplar sua monstruosidade mais tarde. Tal questão cria um forte estranhamento no espectador, especialmente se esse esperar algo próximo da obra original de Obata e Ohba, cuja única semelhança aqui é o próprio L.

O que mais diferencia esse filme do material que o antecedeu, porém, é o exagero em sua trama. Logo cedo vemos explosões, perseguições de helicóptero e mais, questões que facilmente poderiam ter sido evitadas a fim de criar uma narrativa mais pé no chão. Tal aspecto faz L: Change the World parecer um filme de ação comum, perdendo grande parte da identidade visual dos filmes anteriores – por se tratar da terceira parte de uma trilogia, isso não é algo que facilmente podemos perdoar. Esses pontos, no fim, acabam aumentando a duração do filme, que, assim como os antecessores, se estende por mais tempo que deveria, cansando o espectador logo na sua metade.

Já falando de identidade visual, algo que claramente foi mantido é a maneira como o protagonista é retratado, com Ken’ichi Matsuyama adotando os típicos trejeitos do personagem no mangá. Como já disse na crítica de Death Note 2: The Last Name, o jeito do personagem funciona muito bem na obra original, em outra mídia, mas não em live-action, que soa extremamente ridículo e forçado, vide ele teclando no computador, que mais parece um cosplayer tentando imitar o personagem original. Fora isso, o ator ainda tem dificuldade em nos cativar pela ausência de emoção, algo que, na obra original, é bem exposto pelos olhos do detetive.

Voltamos, então, à nossa questão inicial: não seria melhor terem adaptado todo o mangá em mais de dois filmes, ao invés de gerar spin-offs inéditos? Sim! L: Change the World não passa de um grande filler realizado, claramente, na intenção de tirar mais dinheiro dos fãs do mangá, anime e longas anteriores. Uma pena que não tenham deixado L descansar após derrotar Kira, ao invés disso, investiram nesse grande epílogo desnecessário.

L: Change the World — Japão, 2008
Direção:
 Hideo Nakata
Roteiro: Hirotoshi Kobayashi, Kiyomi Fujii
Elenco: Ken’ichi Matsuyama, Sota Aoyama, Shunji Fujimura, Tatsuya Fujiwara, Mayuko Fukuda,  Narushi Fukuda, Sei Hiraizumi
Duração: 129 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.