Crítica | La Playa

estrelas 3,5

La Playa pertence a um grupo de filmes latinoamericanos engajados em mostrar uma realidade sempre presente em suas sociedades, independente do tempo e do espaço em questão. Podemos ver reflexos disso em filmes de diretores tão diferentes como Tomás Gutiérrez Alea, Jorge Sanjinés, Luis Buñuel em sua fase mexicana e Rogério Sganzerla ou Glauber Rocha. Feridas sociais, pobreza e miséria, vícios e mundo do crime, trabalho, honestidade e famílias disfuncionais são temas recorrentes em obras desse grupo de filmes, alguns deles tocando forte em questões sociais sensíveis, tabus, processos históricos e raízes culturais.

Com co-produção brasileira, La Playa apresenta uma história sensível e realista, um drama cru sobre uma família que se despedaçou após o assassinato do pai e precisou enfrentar os percalços de uma mudança geográfica; além do racismo, da pobreza e do contato com as drogas por parte de um de seus membros.

O roteiro, escrito por Juan Andrés Arango Garcia, que também dirige o longa, é centrado em Tomas, um jovem afro-colombiano que faz de tudo para conseguir algum dinheiro honestamente e ajudar a mãe viúva, agora em um segundo casamento. A situação é bastante comum e talvez por isso nos faça entender de pronto o drama das relações entre mãe e filhos durante toda a obra.

Os outros dois irmãos de Tomas, Jairo e Chaco, possuem vidas e visões de mundo diferentes, cada um seguindo por um caminho que julgam ser a trilha da felicidade. Jairo, o mais novo, se afunda nas drogas e tenta recobrar os momentos da infância. Suas lembranças podem até parecer adultas demais, nos poucos diálogos que tem em tela, mas não destoam em nada de um garoto de sua idade que ficou completamente perdido após a morte do pai e desorientado em sua nova cidade e estilo de vida.

O diretor não faz uma crítica efetiva a nada em específico. É claro que nós enxergamos isso na sequência dos seguranças do shopping ou no teor do sonho de uma vida melhor que pauta o texto, mas todo o filme é realizado como uma longa crônica da vida e Tomas e sua família. Nesse exercício de mostrar os fatos, o diretor não se importa em discursar em defesa ou condenar qualquer tipo de ação, seja através dos diálogos ou da vida de suas personagens. Quase que de maneira impessoal (e esse “quase” é apenas em relação à concepção da história), o filme observa à distância o desenrolar dos fatos, saindo vez ou outra do campo real para mostrar sonhos, lembranças e flashbacks.

Talvez nesse ponto de desvio da realidade o diretor se perca um pouco. As lembranças e/ou sonhos se dissipam em meio a uma realidade dura e de maior importância em todo o longa, o que de alguma forma as tornam desnecessárias. Já tivéramos diversos indícios de que a situação da família de Tomas é o resultado de um processo drástico de mudanças. Qual o sentido de visitar o passado como memória rápida ou fantasiosa se não há link algum com ele e o presente além do puro capricho de querer mostrar um tempo em que as coisas não eram assim tão ruins para os protagonistas?

O mesmo vale para a intenção do diretor em filmar de maneira diferente as “três fases” de sua longa crônica, uma variação que não tem muito sentido específico, principalmente os planos aleatórios e takes inadvertidos em objetos e pontos mortos do cenário para um efeito qualquer de contexto cênico ou de racionalização do espectador, que seriam melhor se não estivessem lá.

Apesar desses “senões”, La Playa é um bom filme. O elenco consegue transmitir o recado em tom certo, a história é bem escrita e finalizada e ainda conta com uma ótima trilha sonora, além de uma fotografia de filtro azulado e acinzentado que ressalta o ambiente de opressão predominante em seu enredo. Não se trata de uma obra bonita e edificante, mas de um retrato infelizmente cada vez mais comum de muitos jovens e famílias em todo o mundo. Um retrato bastante conhecido e que não é novo, apenas a permanência histórica de uma sociedade de esquecidos.

La Playa (La Playa DC) – Colômbia / Brasil / França, 2012
Direção: Juan Andrés Arango Garcia
Roteiro: Juan Andrés Arango Garcia
Elenco: Luis Carlos Guevara, Jamés Solís, Andrés Murillo
Duração: 90 min.

 

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.