Crítica | Lake Bodom

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Os “Assassinatos do Lago Bodom” aconteceram na cidade de Espoo, na Finlândia, em 1960. Duas garotas de 15 anos e um rapaz de 18 foram encontrados em sua barraca de acampamento às margem do Lago Bodom, ao lado de um outro rapaz de 18 anos, Nils Wilhelm Gustafsson, que tinha sérios ferimentos, algumas fraturas, mas estava vivo. Inicialmente, Gustafsson não foi considerado suspeito, tendo sido ouvido pela polícia, mas sem muitas informações para dar, pois ele dizia não se lembrar de nada. Em 2004 (ou seja, 44 anos depois do acontecimento) Gustafsson foi preso, acusado de ter sido o assassino, baseado em novas provas conseguidas por uma equipe de investigação forense. Um longo julgamento foi feito durante o ano de 2005, que terminou com a Corte decidindo que Gustafsson era inocente de todas as acusações.

A co-produção estoniano-finlandesa Lake Bodom (2016), é inspirada nesses acontecimentos, mas não tem o compromisso de representar os verdadeiros assassinatos. Trata-se de um uso livre do caso, tomando como padrão o mesmo cenário e crime para criar algo diferente a respeito. E no início, as coisas até que funcionam bem. Somos rapidamente apresentados ao quarteto de destaque da obra, tendo relevância uma deslocada mas perfeitamente fotografada cena na casa de uma das garotas, que claramente tem uma educação repressiva.

Na trama, Elias (Mikael Gabriel) e seu colega de escola Atte (Santeri Helinheimo Mäntylä) têm um plano em andamento. Com base em uma antiga fotografia do caso do Lago Bodom e em algumas teorias da conspiração de Atte, eles querem fazer uma visita ao Lago para recriar os eventos com base no que sabem a respeito — importante destacar que este caso é muito famoso na Finlândia, então faz sentido ser uma espécie de “fixação” para alguns jovens. Os garotos, sob a mentira de que encontrariam outros amigos no local, convencem Ida (Nelly Hirst-Gee), a garota da família tradicional; e Nora (Mimosa Willamo), uma “garota perdida”, a acompanhá-los ao acampamento. Embora desajeitadas no roteiro, as situações se encadeiam de modo interessante, abrindo algumas dúvidas sobre o verdadeiro motivo da viagem, embora desde o início fique muito claro que a “recriação dos fatos” não sairá exatamente como planejado.

Exceto pelo plot twist e, para quem gosta, da trajetória slasher que o filme terá mais adiante, o melhor momento da obra está no início da noite, quando o medo ainda está em suspenso, as dúvidas sobre o que acontecerá estão no ar e a história ainda parece, mesmo com os inúmeros clichês, bastante aceitável. Só depois do primeiro grande susto é que o filme realmente ganha fôlego, mas junto desta glória, como quase sempre, vem o cortejo de horrores. E não no bom sentido. Uma série de ações estúpidas dos personagens (algumas muito irritantes) seguem-se em profusão, sempre intercaladas com elementos curiosos de suspense e um ou outro traço maior de terror, que antes do primeiro assassinato só tem real apoio da excelente direção de fotografia (disparado, o melhor triunfo técnico do filme) e da boa trilha sonora.

Quando a grande e bem-vinda reviravolta acontece, o espectador fica feliz com a surpresa e passa a enxergar a película com outros olhos. Pena que o roteiro perca completamente o foco, adicionando um drama passional como “justificativa” para algumas escolhas e tardiamente inserindo o elemento de “criar-se uma lenda“, em uma chocante sequência de sequestro, perseguição, aprisionamento, tortura e assassinato. O desfecho passa igualmente pelo patamar de estranheza, mas já a este ponto o espectador está vacinado com os excessos do roteiro, então nem se espanta mais. O que fica da experiência de Lake Bodom são as pequenas e boas surpresas do desenvolvimento mais a premissa interessante, que infelizmente não recebe um bom tratamento do diretor, embora não seja algo terrível de se assistir, até porque o filme é curto, o que diminui bastante qualquer sofrimento de maior categoria.

Lake Bodom (Finlândia, Estônia, 2016)
Direção: Taneli Mustonen
Roteiro: Aleksi Hyvärinen, Taneli Mustonen
Elenco: Nelly Hirst-Gee, Mimosa Willamo, Mikael Gabriel, Santeri Helinheimo Mäntylä, Pirjo Moilanen, Ilkka Heiskanen, Sami Eerola, Otso Ahosola, Ville Saksela, Iiris Kankkunen, Tommi Korpela
Duração: 85 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.