Crítica | Land Ho!

estrelas 3

Às vezes, o uso de algumas expressões em línguas estrangeiras se fazem necessárias, por elas encapsularem melhor uma ideia ou um conceito, especialmente quando falamos de Cinema. No caso de Land Ho!, porém, pensei, pensei e pensei e não consegui fugir não de uma, não de duas, mas três expressões complementares na língua inglesa que não têm paralelo corriqueiro e usual em português. Trata-se de um feel good movie no formato de um bromance road movie.

Ou seja, é um filme simpático sobre dois homens muito amigos que se passa quase na integralidade na estrada. Só que essa estrada é na Islândia, aquele país-ilha mítico e vulcânico lá no Atlântico Norter. Para lá vão Mitch (Earl Lynn Nelson) e Colin (Paul Eenhoorn), dois senhores solitários já na terceira idade que já foram cunhados. Aposentado e inquieto, o falastrão Mitch resolve chamar seu ex-cunhado, que ele não vê há algum tempo, mas que adora, para uma viagem quase que completamente aleatória para a Islândia. Lá eles se divertem com a sobrinha de Mitch e uma amiga dela (nada de maldade, gente, só divertimento mesmo!) e, depois, os dois partem em uma gigantesca Hummer preta pelas belezas naturais do minúsculo país.

Como todo bromance, Mitch e Colin têm personalidades opostas. Mitch não para de falar coisas inapropriadas geralmente relacionadas com sexo, além de toda hora sugerir que fumem um baseado. Colin, australiano, é muito mais recatado, silencioso e obedecedor de regras. Mas, também como todo bromance bom, a química entre os atores é excelente e eles quase formam um casal gay de terceira idade, ainda que não seja esse o caso. Lembrou-me muito da saudosa dupla formada por Walter Matthau e Jack Lemon em diversos filmes.

No lado do road movie, o filme é um cartão postal de propaganda da Islândia. Belas paisagens, gêiseres, lagoas congeladas e lagos termais. Dá vontade de sair do cinema e pegar um avião para lá e, como é uma co-produção entre EUA e Islândia, essa foi, claro a intenção. Mas esse lado exageradamente “vendedor”, com demorados planos confeccionados para fazer queixos caírem, apesar de artificiais e de não contribuírem para a narrativa dos dois senhores se redescobrindo e tendo momentos de catarse em relação à vida que hoje vivem, também não atrapalham sobremaneira a progressão da fita. Poderiam, claro, ter sido cortados ou, com um roteiro mais inteligente, terem sido usados de forma orgânica dentro da narrativa.

Mas, no final das contas, mesmo o roteiro fraquejando, há momentos interessantes de diálogo entre os dois, cada um com seu modo de encarar os problemas – ou de fugir deles – mas sempre com um olhar positivo para a vida, mesmo no caso de Colin, sempre mais carrancudo, mas também sempre com um olhar de “cachorro pidão” daqueles irresistíveis. Mitch, sem papas na língua, é o constante alívio cômico direto da história e ganha as melhores falas, mas a paciência e contemplação de Colin equilibrar os arroubos inconvenientes do amigo.

Land Ho! não é um grande filme em termos técnicos, mas é uma ótima maneira de se gastar 95 minutos.

Land Ho! (Idem, EUA/Islândia – 2014)
Direção: Aaron Katz, Martha Stephens
Roteiro: Aaron Katz, Martha Stephens
Elenco: Earl Lynn Nelson, Paul Eenhoorn, Karrie Crouse, Elizabeth McKee, Benjamin Kasulke, Christina Jennings, Alice Olivia Clarke
Duração: 95 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.