Crítica | Lanternas Verdes (Jessica Cruz e Simon Baz): Renascimento

estrelas 3

O caminho até aqui:

O grande desafio deste primeiro one-shot dos Lanternas Verdes era apresentar para os leitores — novamente destaco aqueles que não estiveram ligados à DC nos últimos anos e passam agora a acompanhar as publicações da editora — a dinâmica e estabelecimento dramático dos dois escolhidos pelo Anel para representar o Setor da Terra (Sector 2814). Tendo aparecido em momentos diferentes dos Novos 52, havia um certo receio de como Jessica Cruz e Simon Baz iriam exercer suas funções e se Hal Jordan estaria diretamente ligado a eles ou só apareceria como coadjuvante de luxo para dar alguns conselhos. Todos esses pontos são esclarecidos em Green Lanterns: Rebirth, mas a proposta da série não se mostra até o momento tão… instigante quanto outras HQs da fase lançadas na mesma semana, tais como Batman e, principalmente, Arqueiro Verde.

Os roteiristas Geoff Johns e Sam Humphries optaram pela apresentação rápida dos protagonistas, cada um em sua vida cotidiana, com problemas comuns ou sintomáticos de nosso tempo. Baz tem família muçulmana e está apagando uma pichação de TERRORISTA na parede da casa da irmã quando vê chegar um agente do governo convocando-o para conversar sobre os Lanternas Verdes (aparentemente o governo americano quer informações sobre a Tropa). Cruz está reorganizando a vida, procurando um novo lugar para morar e discutindo isso com uma amiga. Então o anel chama a ambos para atender a uma emergência. O encontro traz o esperado e bem humorado conflito de dois heróis ocupando um mesmo posto e pavimenta veredas para a série regular que virá no próximo mês.

Vejam que excelente trabalho artístico.

Vejam que excelente trabalho artístico (desenhos, perspectiva e finalização) no quadrado da esquerda.

O desprendimento, após o início, da vida pessoal de Jessica e Simon foi um ponto positivo nesta primeira edição, já que a história procurou dar caminhos de ação para os heróis e trazer Hal Jordan como tutor de uma única lição. Ele funde as baterias dos jovens Lanternas e fala da necessidade de trabalharem juntos. Não é preciso ser nenhum gênio para entender que esta é a semente de um grande arco futuro, algo que já havia sido aludido no final de A Guerra Darkseid, quando a escolha de Jessica como Lanterna espantou a todos, e algo que se coloca como urgência, porém, desenvolvida nos bastidores, basicamente em dois ramos, primeiro, a partir do mistério do espectro que sai da caixa do “Lanterna Esquecido” e segundo, a partir da introdução clichê ao Crepúsculo Vermelho, na última página.

Uma das coisas positivas da história é que ela traz de verdade uma abordagem de dupla em ação, não colocando peso majoritário em um dos lados e fazendo surgir problemas de relacionamento até que aceitem agir em conjunto. O problema, como vocês devem imaginar, é a rapidez com que isso acontece. E aí o texto adota um tom professoral que vai dividir os leitores ou fazer com que surjam opiniões paradoxais a respeito, mas não tem muito como fugir, porque não é uma situação facilmente resolvida. Toda a participação de Hal na trama parece encaixada, meio fora de contexto e muito, muito didática. Isso realmente pesa no miolo da história.

A arte de Ethan Van Sciver e Ed Benes, porém, torna impossível não gostar do momento, dado o espetáculo visual que eles apresentam — traços grossos, com finalização sombreada — e graças aos bons painéis de demonstração narrativa, especialmente o da Liga da Justiça. Mas vou ser um pouco chato aqui. Eu sempre atribuí a arte de revistas dos Lanternas a fontes locais e externas de luz. Sempre, e não importa qual tipo de luz. Pois bem, a trama aqui começa de maneira sensacional, com uma apresentação cósmica e ameaçadora que volta no desfecho, um caminho cíclico muito bom e muito eficiente para um texto desse porte, em forma de crônica [semi] espacial…

Instruções, fusão e ameaça.

Instruções, fusão e ameaça.

… todavia, do meio para frente, as cores de Jason Wright são carregadas de penumbra e trazem bem menos luz do que deveria, isso sem ao menos haver uma justificativa narrativa convincente. Minha tese pode ser comprovada ao final, quando, de forma bem estranha, o colorista expõe Atrócitus, Bleez e Dex-Starr, dos Lanternas Vermelhas, numa página belissimamente iluminada, além, claro, do bônus de estarmos falando de uma cor quente. Este é o único grande tropeço na arte desta edição.

Após explicar todo o processo daqui para frente para os novatos, Hal se afasta, deixando a responsabilidade com eles. Sobre esta resolução, devo dizer que nem a forma como acontece e nem a concepção inicial são realmente boas, mas pelo menos se encaixam no fio da meada. Em resumo, há um único ponto em cena aqui, que é a oficialização de recrutamento para os dois Lanternas no Setor-Terra e a fusão das baterias para que trabalhem juntos. Diante do anunciado Crepúsculo Vermelho e de algo que tem a ver com um antigo anel de um antigo Lanterna, entramos na nova fase com a promessa de um evento cataclísmico. Até que ponto isso é bom, eu não sei, mas pelo menos aqui, o resultado geral, mesmo com tropeços, foi minimamente positivo.

Lanternas Verdes (Jessica Cruz e Simon Baz): Renascimento (Green Lanterns: Rebirth) — EUA, 1º de junho de 2016
Roteiro: Geoff Johns, Sam Humphries
Arte: Ethan Van Sciver, Ed Benes
Cores: Jason Wright
Letras: Travis Lanham
Capas: Ethan Van Sciver, Jason Wright
24 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.