Crítica | Last Order: Final Fantasy VII

estrelas 1,5

Por muito tempo houve uma grande polêmica sobre Last Order fazer ou não parte da compilação de Final Fantasy VII (os spin-offs do game principal). Devido às suas diversas contradições com a história do game original, muitos não o consideram material canônico. No aniversário de vinte anos da franquia, contudo, foi emitido oficialmente que Last Order não é parte da compilação, sendo considerada apenas uma interpretação dos fatos que levariam a FFVII.

O OVA (original vídeo animation) oscila entre dois tempos distintos. O primeiro, o presente, é a caçada por Zack Fair e Cloud Strife pelas tropas de Shinra enquanto Tseng, comandante dos Turks, supervisiona a operação. O segundo é um flasback do próprio Tseng sobre os eventos ocorridos em Nibelheim e que acabaram levando para a caçada em questão. Tudo isso enquanto o comandante demonstra certo questionamento e aversão à ideia de matar Zack.

No flashback vemos a famosa cena na qual Sephiroth, vilão principal do game original, destrói a cidade de Nibelheim e, em toda a sua loucura, segue até a câmara de Jenova. É durante essa subtrama que se encontram as maiores contradições de Last Order. Esses vão desde diálogos até momentos chaves da trama que alteram o sentido de toda a obra que sucede tais eventos.

Enquanto isso, o desenrolar do tempo presente se dá através de diversas cenas de ação intercaladas com Zack conversando com Cloud que está desacordado graças aos experimentos nele realizados. Vemos ambos escapando das tropas até chegar na cena já conhecida, na qual ambos estão de carona na caçamba de um caminhão. O OVA termina abruptamente em outro ponto chave da narrativa de Final Fantasy VII e poderia ter continuado por mais alguns minutos por fins não só dramáticos como de compreensão da obra. Ao invés disso gerou ainda mais confusão sobre o que teria ocorrido.

A animação em si possui traços que acabam tirando a expressividade de diversos personagens, além de diferenciá-los do game original. Isso é bastante visível em Cloud quando está em transe. Além disso, nos momentos de maior ação, há uma distorção desconfortável dos personagens, diminuindo muito a qualidade do desenho.

A trilha sonora utiliza algumas faixas de FFVII, ao mesmo tempo que introduz novas. Estas são, inclusive, utilizadas em Crisis Core: Final Fantasy VII, que efetivamente conta toda a história do OVA, indo mais além.

Last Order é, em última instância, inteiramente desnecessário. Ele não acrescenta nada de novo no universo de Final Fantasy VII e acaba distorcendo diversos fatos. Todos os eventos ocorridos já são retratados no game original, com leves exceções que são posteriormente trabalhados com maestria em Crisis Core. Não é à toa que foi oficialmente excluído da compilação.

Last Order: Final Fantasy VII (idem, Japão –2005)
Direção: Morio Asaka, Tetsuya Nomura
Roteiro: Kazushige Nojima, Kazuhiko Inukai, Morio Asaka
Elenco:  Ken’ichi Suzumura, Toshiyuki Morikawa, Takahiro Sakurai, Ayumi Ito, Junichi Suwabe, Keiji Fujiwara, Taiten Kusunoki
Duração: 25 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.