Crítica | Leatherface – O Massacre da Serra Elétrica 3

texas-massacre-3-plano-critico

estrelas 0,5

Quando uma franquia faz sucesso, os fãs ficam querendo mais. Às vezes os filmes que seguem são bons, até mesmo melhores que os “originais”, mas em outros casos, as tramas são horríveis e desprezíveis, sem sentido e com função única e exclusiva de entreter pessoas que não querem rever mais as cenas do bom filme base e precisam ver o mesmo psicopata, com os mesmos motivos, assassinando outras pessoas.

Com 86 minutos torturantes de duração, Leatherface – O Massacre da Serra Elétrica 3 nos apresenta a um casal que está em viagem pelos Estados Unidos. O motivo de tal movimento pelos estados do país provavelmente é sanar problemas no relacionamento, afinal, ambos discutem por minuto antes de caírem nas malhas da família de degenerados. Por um motivo banal, acabam saindo da rodovia principal, tendo em vista diminuir o tempo de passagem pelo Texas ao seguir por uma trilha mais curta.

Um doce para os que adivinharem o final. Com direção irregular de Jeff Burn e roteiro de David J. Schow, o filme nos mostra o casal sendo apanhado por uma armadilha do clã e durante o restante da projeção, tudo se repetirá, só que sem o mesmo impacto de 1974. Uma tentativa de emular o jantar do epílogo, o asqueroso Leatherface, os clichês da moça indefesa violentada psicologicamente, dentre outros lugares comuns permeiam a narrativa do inicio ao fim.

Na abertura, somos informados que Sally, a sobrevivente do primeiro filme, interpretada por Marilyn Burns, havia morrido e um dos membros da família Sawyer tinha sido preso encaminhado para a câmara de gás. A polícia, como sempre ineficaz nestes filmes, acreditava que Leatherface não existia, pois possivelmente era uma alucinação da mente do membro familiar preso. Ledo engano.

Desta vez, somos apresentados aos novos integrantes do clã. Tinker (Joe Winger), Alfredo (Tom Everett) e Tex (Viggo Mortensen), elementos que assim como o filme posterior, O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, não acrescentam nada dramaturgicamente a não ser manchar as páginas do roteiro, se é que existiu algum mesmo, de excessos e pessoas entoando falas absurdas, ridículas e sem sentido.

Para evitar a censura, o filme perdeu muito do seu impacto. Os produtores (eles mais uma vez) preocupados com o excesso de violência começaram a modificar elementos cruciais  da narrativa. O retalho foi tão grande que o diretor, ao assistir o filme numa exibição comercial tempos depois, percebeu que o editor Michael N. Knue foi obrigado a remontar a cena final e extrair alguma porcentagem do teor de adrenalina. Uma ressalva, pois acredito ser importante: guiado pelos executivos do estúdio, o editor fez as suas modificações, mas a trama continuou insossa e carente de bons momentos, haja vista o marasmo que impera por quase todo o filme.

Leatherface – O Massacre da Serra Elétrica 3 (Leatherface – The Texas Chainsaw Massacre 3) – Estados Unidos/1990
Direção: Jeff Burr
Roteiro: David J. Schow
Elenco: David Cloud, Jennifer Banko, Miriam Byrd-Nethery, Ron Brooks, Viggo Mortensen, William Butler
Duração: 85 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.