Crítica | Legends of Tomorrow 1X04: White Knights

estrelas 3

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Legends of Tomorrow, aqui.

Enfim tivemos uma pausa — ou um pequeno desvio — da fórmula observada nos episódios anteriores de Legends of Tomorrow e uma missão robusta apareceu em White Knights, interessante episódio escrito por Sarah Nicole Jones e o já conhecido Phil Klemmer, um dos showrunners da série. O principal bloco do episódio se passa na União Soviética em 1986 e o contexto da Guerra Fria mais as nuances históricas que ele traz para qualquer cenário dramático que trabalhe isso de maneira minimamente decente dão um tom diferente a White Knights, um tom de investigação que falhou em ser estabelecido em Blood Ties mas que aqui encontrou o cenário e o impulso necessários para acontecer.

Depois de algumas referências a Batman e Superman no episódio anterior, parece que agora os roteiros vão envolver melhor as histórias de algum ponto do Universo DC, o que é uma atitude lógica e, convenhamos, esperada. O grande medo que isso traz é que mais um termo da “fórmula CW” venha junto, a péssima e irritante mania de adicionar o “vilão da semana” ou a “referência da vez” em todo episódio e a cada dupla de cenas, como vemos acontecer em The Flash. De qualquer forma, a colocação de um Nuclear soviético (pelo jeito estamos falando da origem de Mikhail Arkadin, o Pozhar — ou “Nuclear soviético” — criado por John Ostrander e Joe Brozowski em 1987) e de Valentina Vostok, a Mulher-Negativa/Rainha Branca, que apareceu na Showcase #94, em 1977, com roteiro de Paul Kupperberg e arte de Joe Staton (alguns portais brasileiros informam que a personagem foi criada por Jim Amparo, mas esta informação não é correta! Jim Amparo apenas desenhou a capa da Showcase #94) ampliam de forma interessante os horizontes das lendas e colocam bons problemas para as Lendas.

Talvez algum temor narrativo apareça aqui juntamente com esses novos personagens — importante dizer que tanto Pozhar quanto a Rainha Branca estão no time dos mocinhos, nos quadrinhos –, mas não há motivos para os produtores de LoT adicionar mais gente ao time principal. Todavia, se falamos desses novatos como personagens coadjuvantes, a coisa muda e eles são muito bem vindos. Essa missão na URSS é um exemplo de como é possível dar um passo seguro em uma jornada que já transbordava fórmulas em seu terceiro capítulo. É certo que ainda não estamos em um cenário ideal e nem White Knights está livre de problemas, mas pelo menos tivemos um enredo bem dirigido e com um número bem menor de incômodos se compararmos com os episódios anteriores, mesmo o bom Pilot, Part 2.

A reorganização do time em ações orgânicas ao longo da projeção foi um dos ganhos do roteiro. Kendra e Sara treinando uma a outra na arte de dominar seu lado monstro e humano; Stein, Jax, Palmer e Snart em uma missão interessantíssima, embora esse time se reorganize ao final, quando Jax está machucado; uso enfim aceitável para o Onda Térmica; relutante, mas compreensível ação defensiva de Rip e pequenos bons momentos que destacam alguns personagens no decorrer do episódio, como Snart e Palmer tentando convencer Valentina Vostok no balé — uma sequência de tom cômico com uma mescla de suspense muito bem guiada pelo diretor Antonio Negret –; ótima missão no Pentágono e, para terminar, ótima discussão entre Stein e Jax. Pela primeira vez uma incursão desse porte fez total sentido em LoT, e até um momento posterior a este, com o Professor justificando sua vigilância extrema ao parceiro, saiu em um boa fala.

Ao final de Blood Ties eu havia dito que um caminho para o “recomeço” da saga, sob nova diretriz — atrasar Savage — poderia ser utilizado pelos showrunners para arrumar o esgotamento que LoT já sofria. Aqui em White Knights, pude ver que de fato essa nova diretriz redefiniu os caminhos para as Lendas em uma missão interessante. Tudo bem que uma maior e bem orquestrada presença de Savage (que, a propósito, nem aparece aqui), uma postura mais impositiva de Rip, um número maior de bons momentos e trama menos segmentada são conquistas que a série precisa conseguir para se tornar de fato uma boa série, mas aqui tivemos a prova de que essas mudanças são possíveis. Que a produção não dê um passo atrás. Legends of Tomorrow começou a ficar interessante…

Legends of Tomorrow 1X04: White Knights (EUA, 2016)
Direção: Antonio Negret
Roteiro: Sarah Nicole Jones, Phil Klemmer
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Stephanie Corneliussen, Martin Donovan, Voytek Skrzeta
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.