Crítica | Legends of Tomorrow 1X06: Star City 2046

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estrelas 5,0

É impressionante ver como Legends of Tomorrow tem servido de exemplo de coesão para o padrão de séries sci-fi hoje em dia. Para entendermos melhor esta colocação, vamos pensar um pouco. O que é colocado nessas consagradas séries? Normalmente, a premissa central é desenvolvida cheia de maturidade, com complexas idas e vindas no tempo, grande sentido para a viagem temporal, andamento progressivo e sempre interessante do status dramático e crescimento dos personagens… Ou seja, tudo o que é para ter uma boa obra de ficção científica, essas séries possuem. Mas a gloriosa LoT não desce a esse nível, jamais! LoT fez questão de começar com uma premissa maravilhosa de matar um homem imortal. Imaginem só vocês, que genial essa perspectiva narrativa! Nem um J.J. Abrams da vida pensaria romper essa barreira de ousadia. Ou seja, LoT já começou escrevendo seu nome nos anais da História da TV.

Mas não por aí. Oh, não. Já nos dois primeiros episódios tivemos uma caçada cujo propósito final não era chegar a lugar nenhum — perceba como os produtores driblam os clichês frequentes dessas séries que estabelecem um objetivo e cumprem-no! — e já em Blood Ties, reformula a premissa, dizendo que, na verdade, o objetivo não era matar e sim atrasar o vilão Vandal Savage (ou Vandão, o Selvagem, como é conhecido no Brasil). Mais uma vez, a coragem aparece na linha de roteiros que inutilizam um piloto em duas partes e o show começa novamente (você jamais vai encontrar uma Series Premiere seguida de uma Series Finale para uma Series Premiere da mesma série, em apenas 3 semanas!), partindo de uma proposta para vagar a esmo pelo espaço, realizando coisas a esmo e enfrentando problemas a esmo. E por quê? Porque eles podem viajar no tempo. E no espaço. E porque essas ações a esmo certamente irão atrasar Savage. É só ter fé.

Em grande estilo e triunfo técnico capaz de fazer inveja a Christopher Nolan em Interestelar, Legends of Tomorrow cumpre aqui em Star City 2046 (não sei vocês perceberam, mas este episódio se passa no futuro!!! Genial, não é mesmo?) mais uma etapa que a fará ser indicada ao Oscar de Melhor Série Live Action. Em pleno século 2016, faltava um programa que expandisse os horizontes dos espectadores e mostrasse a importância de deixar o título de lado e fazer um episódio de Arrow em Legends of Tomorrow! Pode pegar aí qualquer Showrunner considerado “bom” e me aponte qual deles tem a coragem de fazer um episódio de uma série B em uma série A! Não tem Vince Gilligan, não tem D.B. WeissDavid Benioff, não tem Jenji Kohan, não tem Beau Willimon, não tem Steven Moffat e Mark Gatiss que alcance esse nível de rebeldia contra o sistema opressor da TV e burle as regras de concepção dramatúrgica a esse nível. Bem, foi exatamente isso que o time de produtores de LoT fizeram aqui, copiando praticamente toda a base de “cidade sitiada eternamente” lá de Fuga de Nova York, provando para John Carpenter que é possível fazer muito melhor. Mas o tsunami de excelentes ideias não para por aí! Por falta de um, nós tivemos DOIS Arqueiros Verdes nesse episódio. Exatamente! Dois Arqueiros Verdes em Legends of Tomorrow. E olha que o time das Lendas não tem nenhum Arqueiro Verde, e do nada aparecem dois! Em Legends of Tomorrow! Me desculpe, mas nesse momento todos os seus argumentos caíram por terra. Apenas aceite.

O haters vão dizer que Star City 2046 não acrescentou nada para o fio da meada da série, foi apenas mais um “empecilho da semana sem o principal vilão da série”, mas isso é claramente obstrução de visão crítica desses indivíduos. O objetivo é atrasar Savage, não é? Então! Eles estão atrasando Savage ao atrasar a foma como eles chegam em Savage, porque atrasando esse processo eles atrasam o encontro atrasado que o atraso do futuro do presente aconteceria no passado atrasado pelo Rip e as Lendas! O objetivo foi cumprido à risca em 100% de qualidade, mesmo que este seja um episódio sobre Arrow e não sobre Savage em Legends of Tomorrow. A pergunta é clara e eu duvido que algum hater tenha argumento TÉCNICOS para me responder: quem precisa de Savage, o principal visão de Legends of Tomorrow, quando se pode ter dois Arqueiros Verdes em um episódio lutando contra o Exterminador? Perceberam a lógica aristotélica do meu argumento? É a lógica de quem teve os olhos abertos e sabe apreciar uma excelente série com um propósito dramático fluído. Cadê teu Deus agora?

Para terminar, esta maravilhosa série nos traz atuações que são dignas de Oscar de Melhor Atuação em Série Live Action. Em pleno milênio 2016 nós vemos uma atriz como Caity Lotz sem nenhuma indicação ao grande prêmio de Indianápolis! Por que será? Eu vejo isso como uma inveja das inimigas atrizes que não chegam ao nível de introspecção à la método Stanislávski que ela possui! E como é bom ver Arthur Darvill enfim entregando uma performance madura e com diálogos perfeitos, depois de ter padecido naquelas duas séries britânicas de menor mote. Creio que ele irá ganhar o Oscar amanhã. Estou torcendo.

E agora para terminar de verdade, eu também gostaria de falar que LoT é inovadora por não repetir o mesmo padrão de trilha sonora, que LoT consegue escrever a melhor, mas coesa e filosófica abordagem romântica entre três personagens, que LoT tem exatamente 4 padrões de planificação e cortes ao final do ciclo, uma homenagem dos Showrunners à teoria do auteur (sim, é francesa!) que surgiu na época da Nouvelle Vague (francês também) e que este foi o cliffhanger mais importante e imperdível da história da TV, com total sentido, definição exata do que ia acontecer e total coesão com absolutamente tudo o que aconteceu no episódio.

Em pleno éon 2016, estou nesse momento escrevendo com os pés porque com as mão, sigo aplaudindo este maravilhoso episódio desta maravilhosa série. Só tem uma coisa que eu não gostei: só posso dar 5 estrelas. Se pudesse mais, daria mais. Vocês entenderam, não é? É que o máximo são cinco mesmo. Senão fica parecendo que é pouco. Mas é o máximo. Não tem mais. Quer dizer, tem mais, porque os números são infinitos, mas aqui a gente só conta até cinco. Bem, a gente sabe contar mais, óbvio, mas as estrelas a gente conta até cinco. Não porque só tenha cinco estrelas. Existem milhões, mas as nossas são só cinco mesmo.

Até o próximo episódio maravilhoso dessa maravilhosa série.

P.S.: Dedico essa crítica para o meu pai Ritter Fan, que é fã da série Arrow, uma das melhores séries de todos os tempos e que certamente irá amar esse episódio.

Legends of Tomorrow 1X06: Star City 2046 (EUA, 2016)
Direção: Steve Shill
Roteiro: Marc Guggenheim, Ray Utarnachitt
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Stephen Amell, Joseph David-Jones, Jamie Andrew Cutler, Ryan Jefferson Booth, David Attar, Patrick Sparling
Direção: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.