Crítica | Legends of Tomorrow 1X10: Progeny

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estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de Legends of Tomorrow, aqui.

Quem acreditou, pelo menos por um momento, que a CW televisionaria o assassinato de um adolescente por um grupo de fail legends cujo objetivo é interromper (ou atrasar? Matar? Boicotar? Não sei mais…) um tirano louco de chegar ao poder e tornar o mundo um caos deve passar mais algumas vezes pela fila da “des-Disneyzação do cérebro” para se desinfectar. E isso feito, olhar para Progeny a partir de seu conceito narrativo, inicialmente aceitável e até empolgante, mas que depois se conclui de maneira medíocre.

Tudo bem que estamos falando da CW e de Legends of Tomorrow, então acaba sendo um sonho alto cobrar uma sólida aventura de ficção científica a esta altura do campeonato, já que não tivemos algo nem perto disso até aqui e certeza que não teremos mais. Não a ponto de salvar a temporada. Mas mesmo o meu lado rígido no olhar para a série entende que episódios como o da semana anterior, Left Behind, podem servir de porta aberta para capítulos divertidos e com coesão de roteiro + história que tenha sentido dentro da temporada, não apenas a repetição de um medo ou de uma missão ou o estabelecimento de um obstáculo momentâneo e uma pseudo-salvação em seguida — digo pseudo porque na cabeça dos showrunners de Legends of Tomorrow, ganchos de roteiro devem ser feitos em ciclos de problemas que nunca acabam e se repetem. Aquele “run!” no final foi o exemplo disso [fora que me fez lembrar o Doutor falando a mesma coisa para Rory Williams].

Mas… ei, estamos falando de viagem para o futuro! E vocês já sabem que eu sou fascinado por qualquer ficção que trabalhe viagem no tempo, o que me faz ter, mesmo sob toneladas de problemas, uma certa simpatia por Progeny. Se deixarmos de lado a inutilidade do dilema moral aqui apresentado — o problema e a ameaça que nunca foram nem uma coisa nem outra –, não é difícil ficar animado com a chegada do grupo ao Conglomerado de Kasnian em 2147. Arquitetura, tecnologia, cultura e problemas diferentes dos nossos vistos sob o olhar e de pessoas com uma missão polêmica. Empolgante, não é? E isso irrita ainda mais, porque tendo os produtores de LoT algo tão bacana nas mãos, o mínimo que poderiam fazer era botar uns neurônios nos roteiros e mandar a coisa engrenar. E vejam que orçamento não é uma desculpa válida.

Então qual é o grande problema aqui? Se Left Behind foi minimamente interessante, o que este episódio tem de diferente? E a resposta é simples: voltamos à estaca do melodrama suplantando o tema principal do programa e a releitura da CARTILHA CW. Vejam que a construção do plot aqui foi exatamente igual à dos episódios Pilot Part 2, Blood Ties, Fail-Safe, Marooned e Night of the Hawk! Salvando as condições de tempo e lugar, temos:

  1. o mesmo modelo de inserção de inimigo,
  2. um McGuffin mal aplicado,
  3. um drama pessoal em destaque,
  4. um dilema ético-moral que se divide em pelo menos três núcleos no grupo,
  5. uma ação aleatória que em nada acrescenta ao episódio,
  6. algo inexplicável que toma o tempo do espectador e atrapalha o ritmo do episódio.

Exatamente a mesma receita. O que muda são as mãos que fazem a mistura. E a pergunta que não quer calar é: qual escola/oficina de roteiro Phil Klemmer e Marc Guggenheim frequentou? Como eles podem ter concebido aqueles flashes de uma vida passada dos gaviões nesse episódio? Assim, do nada? Totalmente solto, despropositado e desconexo do tema de Progeny? “Alguém nos ajude, Lázaro, a entender!” 

Assim como em Night of the Hawk, a melhor coisa aqui em Progeny são os figurinos. Há uma elegância ameaçadora no guarda-roupa desse episódio e isso vale para todos os personagens. E tal como no episódio dos anos 1950, a escolha não serve apenas como combinação de contexto, mas representa com precisão características marcantes das lendas e seus inimigos. Em segundo lugar, vale destaque as escolhas de David Geddes para a cena de luta das lendas contra os robôs e militares de Tor Degaton em missão de resgate ao jovem Per Degaton. Mesmo que não tenha gostado da forma abruta como ela se estabeleceu, o desenvolvimento e desfecho foram bem dirigidos. Já era tempo de termos uma cena assim na série.

Agora, com o término enigmático, hasteamos a bandeirinha de “ataque e defesa” para as lendas, que supostamente enfrentarão um contra-ataque pesado dos Time Lords Masters. A coisa vai de tal modo, que estou quase apostando todas as fichas no desfecho “Vandal Savage tinha peões infiltrados na Time Agency” [o nome é esse mesmo ou estou confundindo com Doctor Who?]. Vocês acham isso plausível?

Legends of Tomorrow 1X10: Progeny (EUA, 2016)
Direção: David Geddes
Roteiro: Phil Klemmer, Marc Guggenheim
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Casper Crump, Falk Hentschel, Jewel Staite, Cory Gruter-Andrew, Matthew Harrison
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.