Crítica | Legends of Tomorrow 1X11: The Magnificent Eight

estrelas 2,5

Bom, pelo menos não foi uma catástrofe completa, não é mesmo?

Cometendo o sacrilégio de tentar se passar por Firefly [inserir 98,99 bilhões de minutos de risada maléfica aqui], Legends of Tomorrow faz o seu tão alardeado “episódio diferente”, estabelecendo um ponto cego para os Time Masters em Salvation, no Velho Oeste americano. O título do episódio não faz segredo quanto as raízes cinematográficas que os roteiristas buscaram, o filme Sete Homens e um Destino (1960), que em conceito — e apenas neste ponto — está mais para 7 Homens Sem Destino (1956) do que qualquer outra coisa.

A história é uma fuga quase completa do já falho e gasto “arco” que a série vinha perseguindo desde Marooned. Um pouco mais à frente, o capítulo do “menino-Hitler” deixou um espaço vazio para nós e entre a curiosidade e a vontade de que a temporada termine o mais rápido possível, ficamos imaginando o que fariam a seguir, nos Estados Unidos do século XIX e com um personagem de peso e tão bom e tão importante quanto Jonah Hex.

Mesmo com fuga narrativa e a velha história das muitas coincidências — sim, nós temos um H.G. Wells criança sendo curado por uma tecnologia que não era de seu tempo… e sim, este é o autor de A Máquina do Tempo –, o espectador consegue aproveitar parte da história e apreciar um pouco do trabalho de Johnathon Schaech como Jonah Hex, que foi bom da maquiagem à interpretação. Quisera eu que essa temporada tivesse apenas 8 ou 10 episódios e tudo se passasse neste cenário, com uma única mudança ao final, para colocar o grande plano em ação. Um grande clichê cairia melhor que o tsunami que encobre o show desde o início. Mas mesmo assim, The Magnificent Eight se mantém na linha mediana pela atmosfera que cria neste novo ambiente e porque nos provê, aos trancos e barracos, momentos intrigantes com referências a clássicos do western como Paixão dos Fortes (1946), O Último Duelo (1952). Matar ou Morrer (1952) e O Homem Que Matou o Facínora (1962).

Estando a poucos episódios de terminar a temporada, é importante perguntar: o que estão tentando fazer? Para onde vai tudo isso? Quem é o inimigo agora? Porque tudo parece estar bagunçado no foco da série desde as reminiscências de Kendra e desde o trato de Vandal Savage como vilão-de-cameo-quase-protagonista. Parece mais Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro do que uma série de ficção científica com aquele lenga² que todos vocês já sabem. Tudo bem que no plano de “atmosfera do faroeste” o episódio conseguiu se safar bem, com uma excelente fotografia (destaque absoluto para a planificação, cores e filtros no bloco de Kendra e Sara indo encontrar a “mulher misteriosa”) e os sempre interessantes figurinos, ao que parece, o único setor em alta desde o início da temporada. Mas todas essas coisas não respondem a pergunta “para onde a série está indo?” e certamente não ajudaram nada a avançar a história.

Por gostar muito de western e também de sic-fi, procurei ver o capítulo com o máximo de boa vontade, mas houve cenas e sequências em que isto foi inteiramente impossível. O começo é bastante incoerente, com explicações sem muito senso e nenhum propósito em jogo. À deriva, adentramos à cidade para acontecer aquilo que obviamente aconteceria: uma briga. A luta de Saloon que não sabe se emula Uma Cidade Que Surge ou Lemonade Joe me fez revirar os olhos de uma maneira que até me deu tontura. Mal dirigida, mal coreografada e com uma tenebrosa aceleração de tempo, o diretor deixou tudo ficar com a maior cara de pastelão de baixa qualidade e… bem, esta cena é um dos muitos exemplos de tentativas forçadas dos produtores em fazer e homenagear tudo e acabar estragando a maioria das coisas. Parece um estranho carma. Há sempre algo bom (aqui, como já afirmei, o clima bem estabelecido do western) porém, todo o restante é de medíocre para ruim.

Ao fim, temos que engolir um protocolo que nunca tínhamos ouvido falar; uma super-hiper-mega-master-blaster-plus-ultra-giga-advanced assassina dos Time Masters; um par romântico que faz Edward e Bella serem aceitáveis e alguns caminhos nebulosos para o grupo. Eu confesso para vocês que não tenho mais certeza do que se trata Legends of Tomorrow. Mas duas coisas eu sei: que este episódio me divertiu um pouco; e que todo o restante aqui está mais para The Ridiculous 6 do que The Magnificent 8.

Legends of Tomorrow 1X10: The Magnificent Eight (EUA, 2016)
Direção: Thor Freudenthal
Roteiro: Marc Guggenheim, Greg Berlanti
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Johnathon Schaech, Anna Deavere Smith, Anna Galvin, Brent Stait, Glen Gordon
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.