Crítica | Legends of Tomorrow 1X12: Last Refuge

estrelas 1

Eu tenho a estranha impressão de que os roteiristas e produtores de Legends of Tomorrow não fazem a mais remota ideia do que estão produzindo e de onde querem chegar. Nada. A prova clara disso é este episódio Last Refuge, um magnânimo show de horrores inteiramente pautado no lema “vamos fazer qualquer coisa, menos filmar o que prometemos para o público“.

A ação se passa em diversos tempos e lugares, onde as lendas do amanhã irão salvar a si mesmos em diferentes estágios da vida — alguns bebês, outros jovens — de serem mortos pela Peregrina, a vilão anunciada como salvação imprópria no episódio The Magnificent Eight. Parte de um também novo “Plano Ômega”, a infanticida precisava cumprir mais uma ordem de assassinato para um grupo de pessoas que estão mexendo na linha do tempo tentando salvar o futuro de ser dominado por um tirano assassino, em outras palavras: fazer algo bom. Curioso é que os que encomendam esses assassinatos, os tais Time Masters, são igualmente protetores do tempo, portanto, também deveriam fazer o bem, mas parece que são mais vilões que o próprio vilão da série, que sequer dá as caras por aqui.

Não há mais nenhuma dúvida de que Legends of Tomorrow, ao menos nesta 1ª Temporada, é uma cópia grotesca e surrealmente incompreensível de Doctor Who e que toda a linha dramática envolvendo Rip e os Time Masters são uma cópia tenebrosa e dadaísta de The War Games (1969) o arco onde o 2º Doutor é caçado e julgado pelos Time Lords por ele e seus companions terem… surpresa, surpresa… mexido demais com a linha do tempo. E claro, o Conselho de Time Lordes precisava julgar o Doutor porque não concordava com essa intervenção [para mais informações sobre o que acontece na sequência acesse esta linha do tempo].

A diferença de LoT para DW, no entanto, é que a primeira não se fixa em um único objetivo e, na reta final da temporada, traz inúmeras novas informações desnecessárias à tona ao invés de desenvolver o conflito e preparar o espectador para o desfecho da saga. Porque, sejamos muito frios, exceto pela atuação de Celia Imrie e as cenas na mansão — isoladamente — nada se salva nesse episódio. Do roteiro, não há uma única linha que sirva como trampolim para progresso da série daqui para frente. É feita uma menção de 30 segundos a Vandal Savage (dizem que ele é o principal vilão da temporada, mas… cadê?) todavia, nem esta menção serve para coisa alguma.

No início, pensamos que a história seguiria por um caminho simples e rápido: a ameaça à versões passadas das lendas seria neutralizada e algo possivelmente de valor poderia vir da introdução da Peregrina na série, afinal, com toda a propaganda que fizeram dela, provavelmente seria alguém importante, correto? Errado. Não só há três (repetindo: TRÊS) mudanças de linha narrativa em um único episódio como o fato de que as duas em que a Peregrina participa ela não sirva para nada além de uma ameaça vazia cheia de poses, caras e bocas. Nesse meio tempo, os diálogos, especialmente de Ray, são tão ruins que poderiam ter sido escritos por uma criança de 10 anos em seus quadrinhos de folha de sulfite. Na mesma medida, o tenebroso romance com Kendra é martelado ad infinitum como se tivesse qualquer tipo de relevância tanto para eles quanto para Legends of Tomorrow.

Eu simplesmente tenho dó de Rachel Talalay, que é uma excelente diretora de TV (ela só dirigiu dois dos melhores episódios produzidos para a telinha em 2015: Heaven Sent e Hell Bent. Só isso.), que se meteu em uma enrascada desse porte. Aqui, seu trabalho é burocrático e não avança em praticamente nada. Como ela possui um estilo mais dramático de guiar os roteiros, fica clara sua tentativa dar esse tom na relação entre Jax e o pai, mas o texto estraga tudo. Salva-se, novamente, as cenas na mansão da mãe adotiva de Rip, único bloco do episódio que tem bons elementos técnicos mas que, convenhamos, é 100% inútil para qualquer coisa já dita ou aludida na série até agora. Só dou uma estrela para o episódio porque realmente gostei da atuação de Celia Imrie e do trabalho nas sequências da casa de adotivos fora do tempo. De resto, a única coisa que eu posso dizer é que assistir LoT tem progressivamente sido um exercício revoltante.

Legends of Tomorrow 1X12: Last Refuge  (EUA, 2016)
Direção: Rachel Talalay
Roteiro: Chris Fedak, Matthew Maala
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Paul Blackthorne, Faye Kingslee, Martin Donovan, Celia Imrie, Eli Goree, Ray Boulay
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.