Crítica | Legends of Tomorrow 1X13: Leviathan

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estrelas 2,5

Épico e ambicioso, como Legends of Tomorrow se propôs a ser, Leviathan é quase um “finalmente!” para as lendas do amanhã em sua longa jornada para encontrar/capturar/matar/atrasar/boicotar/perseguir/despistar (estou me esquecendo de mais algum objetivo?) Vandal Savage. Em Londres, no ano de 2166, três dias antes da morte da família de Rip Hunter, o grupo de viajantes do tempo tem apenas uma jogada para contra-atacar o ditador. E convenhamos, eles não desperdiçam a oportunidade de fazer um grande espetáculo.

Que fique bem claro: eu realmente apreciei o caráter de grandeza que os produtores aplicaram a este episódio. Na luta entre o Leviathan e Eléktron, se descontarmos o “efeito-lesma” causado pela desaceleração da projeção, temos um baita embate. Também é importante dizer que o desenho de produção para este mundo sob ataque é realmente muito bom, em especial as instalações oficiais. Ver os bastidores de uma sociedade fascista e especialmente uma governada por Savage é algo interessante. O culto ao líder, o militarismo aliado a grandes loucuras científicas e a total desumanidade dos atos do personagem dão alguma noção de quem ele verdadeiramente é. Este mérito é do episódio, não há como tirar isso. O problema, no entanto, é a base na qual essas coisas se sustentam.

Em primeiro lugar, para um capítulo deste porte, cairia bem uma preparação de luta que não fosse uma reunião para testar planos e improvisos. Isto daria, por exemplo, a oportunidade de todos os atores do grupo fazerem sua parte e não serem escanteados enquanto seus companheiros são postos em ação genérica e repetitiva. São três blocos onde Onda Térmica e Capitão Frio se comportam exatamente do mesmo modo e com a exata premissa de batalha. Chega a ser constrangedor.

Em segundo lugar, algo que eu já havia reclamado em Progeny, quando as visões do passado começaram a assombrar Kendra, e que aqui ganha um final completamente… inconveniente: o destino dos gaviões. Se o leitor parar para pensar em termos de construção de drama e verossimilhança, talvez consiga ver melhor. Havia, com certeza, uma probabilidade matemática de Carter, em algum momento, se deparar com Savage e ser cooptado por ele, correto? Até aí tudo bem. Mas então chega a pergunta de um milhão de lendas do amanhã: este foi o caminho correto do texto de Sarah Nicole Jones e Ray Utarnachitt para este ponto da saga? A chegada de um Carter manipulado no exato momento em que Kendra estava para matar Savage não é absurdamente inconveniente a ponto de quebrar o próprio núcleo e proposta da série? Com todo o time de lendas na outra ponta lutando, justamente Carter foi passar por eles? Naquele momento? Não havia nenhuma outra forma de levantar um conflito moral para Kendra?

Aí se abrem as portas para o forte problema que vejo neste episódio. Problema este que, tenho certeza, muitos espectadores tenderão a ignorar ou facilmente perdoar pela já dita muito boa exploração épica das batalhas e pelo fato de toda a ação aqui acontecer em um tempo e local de crise na história da humanidade, o mesmo que vemos na abertura de todos os os episódios desde a estreia do show. Mas, de novo, as muitas possibilidades interessantes disso acabam sendo subtraídas por decisões dos roteiristas que não fazem sentido para o próprio programa e para esta fase final. O desfecho poderia apontar para estas mesmas situações. Mas não desta forma. Isso não dá para perdoar.

Mas ainda não acabou. Que tal falarmos do ferimento de Stein e seu escanteamento no episódio? O orçamento não permitiu pelo menos uma transformação do Nuclear? O professor não seria mais indicado como guia de Palmer do que um Jax repetindo frases clichês a ponto de nos fazer revirar os olhos para dentro da alma? E o processo de convencimento de Snart sobre Cassandra Savage, com um pequeno trecho de um vídeo? Decisão preguiçosa do roteiro ou tentativa falha de ser objetivo, pendendo para a pressa em resolver algo realmente importante? Não funcionaria melhor se o roteiro excluísse toda e qualquer manifestação inútil de amores e paixões e se entregasse de fato à luta, o objetivo principal o capítulo? Se este fosse o caso, qualquer sugestão mais motiva teria o dobro do poder dramático sobre o espectador porque viria de um contexto extremamente sombrio e denso. Mas convenhamos, no final, a despeito do aparato épico do Leviathan, o enredo acabou gerando bem menos tensão em seu todo do que, por exemplo, The Magnificent Eight, e isto para citar apenas um caso.

Eu queria gostar muito mais desta batalha e os acontecimentos em torno dela, até porque tudo pedia pendia para isso, mas não dá para ignorar falhas graves de roteiro em prol de duas ou três coisas legais.

Mas agora LoT está com uma boa possibilidade de avançar bem nos três episódios que ainda lhe restam. Chegamos a um momento de tudo ou nada, na reta final da temporada. Com Savage capturado e Cassandra do lado dos mocinhos, a reescrita do tempo, enfim pode acontecer. Isso pode dar um bom finale. Não vai salvar o ano, mas pelo menos nos deixará felizes com alguma coisa relacionada a esta busca.

Legends of Tomorrow 1X13: Leviathan (EUA, 2016)
Direção: Gregory Smith
Roteiro: Sarah Nicole Jones, Ray Utarnachitt
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Casper Crump, Jessica Sipos
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.