Crítica | Legends of Tomorrow 1X14: River of Time

estrelas 2

Mesmo que a nota que eu atribuo a este episódio o classifique como “ruim” por motivos que serão explanados mais adiante, esta foi a primeira vez em que eu senti real empolgação — a despeito das reviradas de olhos — vendo um capítulo de Legends of Tomorrow.

Tomando como princípio de ação o que acontece aqui, eu certamente classifico este como o episódio mais “objetivo” da temporada, porque criou uma espécie de saga dentro de um único núcleo dramático e trouxe muitas coisas legais no meio do caminho. É muito, mas muito irritante que um episódio empolgante a este ponto e com uma linha de eventos tão interessantes tenha sido mesclado com incompreensíveis e desnecessários flashbacks; insustentável “participação” e destino do Gavião Negro; intragável encerramento (ou será que não?) do romance Kendra-Ray; incoerente postura de uma Canário Branco aparentemente dada a rompantes morais de alta mota e, o pior e mais mortal de todos os erros, o aliamento de Vandal Savage aos Time Masters.

Em um primeiro momento, o espectador perdoa as conveniências explicativas do roteiro, não porque elas são pequenas ou perdoáveis, mas porque LoT não é uma boa série e todos nós sabemos que ela não vai dar muita coisa inteligente para nos entreter, então, depois de tantos episódios, nós nos resignamos. E veja, por mais que encontremos muitos problemas em torno desse perdão na abertura, não dá para negar que o texto de Cortney Norris e Anderson Mackenzie possui boas ideias, por exemplo, a forma como Jax foi desmembrado da missão e como Capitão Frio e Onda Térmica foram tratados nos dois primeiros atos.

Em ações levemente orgânicas, a saga avançou com um objetivo máximo: se livrar de Savage. Como já foi citado, alguns braços gerados por este objetivo são bem orquestrados, mas lamentamos que este não tenha sido o mote principal de River of Time. A diretora Alice Troughton (que já dirigiu episódios de Doctor Who, Torchwood e The Sarah Jane Adventures) tenta imprimir o máximo de ação possível às cenas, mesmo quando não é cabível — os momentos de reflexão e pesar se tornam, igualmente, momentos onde coisas importantes estão acontecendo em volta; tudo aqui parece em fluxo –, mas essa estratégia não consegue livrar o capítulo de um roteiro que insiste em colocar coisas aleatórias, como as muitas lembranças de eventos passados e a total separação desses momentos diante do que estava sendo desenvolvido.

É quase certo que essa manobra foi uma tentativa dos roteiristas, por ordem dos produtores, criarem a aparência de um ciclo se fechando, enquanto um outro, o do “destino das lendas”, se abria. A manobra conseguiu se sustentar na ação bruta, ou seja, nós entendemos perfeitamente um ciclo se fechando e um novo momento e um novo inimigo surgindo, mas o que não dá para entender é como eles chegaram ao fundo do poço de guiar 13 episódios que agora parecerem 100% jogados fora, anunciar no antepenúltimo episódio que Savage viaja através do tempo e, depois de 8 mudanças de objetivo central, alavancar uma 9ª mudança, a pior delas, colocando Savage como agente dos Time Masters, ganhando, inclusive, um prêmio, voltando para a Terra no ano em que a tragédia-núcleo desta série aconteceu.

Há alguns episódios eu brinquei com um dos leitores, nos comentários, dizendo que “só falta o Savage estar infiltrado no Time Council“. E… bem, ele estava! Esta é uma das vezes em que eu adoraria estar errado. E diante disso, não há mais nada a dizer. Só sentir. Raiva.

Legends of Tomorrow 1X14: River of Time (EUA, 2016)
Direção: Alice Troughton
Roteiro: Cortney Norris, Anderson Mackenzie
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill,Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Casper Crump, Emily Bett Rickards, Falk Hentschel, Martin Donovan, Isabella Hofmann, Stacie Greenwell
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.