Crítica | Legends of Tomorrow 1X16: Legendary

estrelas 2

Acabou.

Final de temporada, momento de colocar um ponto final (ou um ponto-vírgula) em algumas coisas desenvolvidas durante o ano e preparar o terreno para a próxima fase, certo? Bem, como estamos falando de LoT, a coisa não é exatamente assim, a começar das explicações paradoxais para explicar paradoxos. É mais ou menos o que os franceses chamam de mise en abyme, ou “narrativa em abismo”, só que no sentido mais negativo que isso possa suscitar.

Há algo positivo em algum momento dessas explicações? Bem, há. O princípio narrativo é interessante, porque fecha a saga a partir de eventos mostrados em Pilot – Part 2, Blood Ties e Night of the Hawk, elemento que sempre satisfaz o espectador por dar a sensação de ver algo que respeita o seu próprio cânone e valoriza o que foi criado antes. Até aqui, não tenho reclamações a fazer. Aliás, acho vital que esse tipo de narração que liga episódicos da temporada esteja no finale. O vacilo do roteiro é que este não é o único princípio-base do episódio. Existem outros. E estes sim, são ruins.

Para que eu não fique parecendo um crítico [mais] chato (a convivência com o Ritter tem me transformado ao longo dos anos) e totalmente intransigente com o material que analiso, parem um pouco e pensem com cuidado em todas as explicações dadas por Rip para modificações ou não da linha do tempo que eles estavam. Sério, pensem a respeito.

Como é possível conceber aquilo que ele disse para Sara sobre a morte da irmã dela? Se o infame Oculus de Destiny não existe mais, como é possível Rip ter certeza de que salvar Laurel Lance mataria Sara e o pai delas? Qual é a verdadeira lógica nesse tipo de explicação? E vejam, eu sou um grande interessado em material de ficção científica, como vocês já sabem, desde a literatura da era “era de ouro” do gênero, com exemplos como FundaçãoThe Tunnel Under the World até elucubrações malucas que falam de tempo e seus paradoxos, como a série O Guia do Mochileiro das Galáxias e filmes e séries que herdam o formato diretamente destes princípios, como O Predestinado e Doctor Who. O que LoT faz aqui, ao menos em tese, não é nada diferente de elementos já estabelecidos no gênero e nos exemplos que eu citei (embora existam outros milhares!), portanto, há sim uma “boa maneira” de fazer o que este episódio se propõe. Todavia, me parece, os produtores só sabem seguir cartilhas ruins (a da CW, por exemplo). As boas, eles fingem entender e dão nó em um novelo mais impossível que o de Teseu. Aí fica difícil.

Fora as explicações, a ideia que o roteiro nos traz de final de temporada é de um reboot. Ou seja, termina errado e reinicia um ciclo de forma errada.

Penso que se a série fosse cancelada agora na 1ª Temporada, teríamos algum sentido no final que tivemos, com algumas Lendas (os gaviões voaram para fazer seu ninho em algum lugar distante, então estão fora da jogada…) tornando-se Time Masters. Voltamos ao princípio de controle do tempo e de reunião de um grupo disfuncional que aprendeu a trabalhar junto. Nesse ponto, em termos de drama, estamos em um bom terreno, correto? Essas mudanças comportamentais de “indiferente” ou “mau” para “engajado” e “bom” nos acalenta de uma forma que não sabemos exatamente medir. A mesma coisa vale para a emotiva reação de Sara ao saber da morte da irmã ou para despedida entre Mick e Snart. São momentos à parte o tema central que funcionam. Agora vamos para um outro ponto: Stein e a esposa. Que bloco mais insosso e sem sentido! Sem contar que ficam dezenas de interrogações sobre Jax e Palmer e o segundo rompimento de ambos com 2016. Qual o sentido de rebootar o drama das Lendas colocando um reinício para alguns personagens e não para outros? Resposta: nenhum.

A única coisa que me impulsionou a não diminuir mais a nota desse episódio foi a estupenda montagem. Sob qualquer ponto de vista, este foi o melhor trabalho de edição que tivemos na temporada e que serviu muito para tornar toda a narrativa aceitável em seu andamento e interessante em suas deixas para o que aconteceria em seguida. Como a direção de Dermott Downs  primou pela ação, a equipe de montagem trabalhou em duas vertentes, uma em paralelismo (três tempos com objetivos similares, mas personagens e lugares diferentes) e outra em atrações (tomada circular e orgânica de diferentes ângulos ou pontos de vista para as mesmas cenas). Desse modo, a sequência das lutas nos três tempos em torno dos meteoros são as melhores coisas do episódio, mesmo que o caminho construído para que essas cenas acontecessem não seja nada elogiável.

E então temos um final enigmático que traz o Homem-Hora (também conhecido aqui no Brasil como Tempus, o Homem-Hora), Rex Tyler, trazendo uma mensagem do futuro. Aquele final não só é um prego no caixão da série, como termina de forma ruim esta temporada e dá uma premissa ruim para a próxima.

Eu não preciso de uma nave temporal ou ser um Time Master para prever que o segundo ano de Legends of Tomorrow será tão mentecapto quanto o primeiro. Talvez com um pouco mais de megalomania e fan service, mas ainda assim… nada de novo no front.

Quem de vocês pretendem continuar acompanhando o show?

Legends of Tomorrow 1X16: Legendary (EUA, 2016)
Direção: Dermott Downs
Roteiro: Phil Klemmer, Marc Guggenheim, Greg Berlanti, Chris Fedak
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Ciara Renée, Amy Pemberton, Dominic Purcell, Wentworth Miller, Patrick J. Adams, Paul Blackthorne, Casper Crump, Falk Hentschel, Isabella Hofmann, Alex Duncan
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.