Crítica | Legends of Tomorrow 2X01: Out of Time

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estrelas 3

spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de LoT, aqui.

Depois de uma primeira temporada que podemos chamar de “caótica e nonsense“, Legends of Tomorrow começa o seu segundo ano de maneira aceitável, embora repetindo os cacoetes de nível “WTF?” que são a marca registrada das séries de herói da CW. Apesar desses momentos, é possível se divertir um pouco com Out of Time, talvez por ser a primeira vez nesta temporada que temos um “problema da semana” e o grupo enfrentando um (ainda não estabelecido) vilão, para salvar NY da explosão de uma bomba nuclear (“atômica!” como diria o Pig-Einstein do episódio).

Quem acompanhou a minha sofrida abordagem da primeira temporada da série, em 2015, deve se lembrar que eu sempre me admirei com duas coisas ao longo dos episódios, independente dos roteiros, direção e atuações: direção de arte e figurinos. Em algumas vezes, também a fotografia era adicionada a essa lista, mas basicamente as duas primeiras se destacavam. E convenhamos que parte do bom desempenho de Out of Time vem dessas dupla, andando de mãos dadas com o trabalho fotográfico em [quase] todas as partes do episódio.

Apelando para a participação de Oliver Queen na trama, o roteiro nos introduz o historiador Nate Heywood (Cidadão Gládio), que vai falar com o Arqueiro Verde sobre os “amigos em perigo” no ano de 1942. O didatismo aí não é da estirpe de Paradox, em The Flash, então dá para suportar com tranquilidade. Mostrado esse gatilho para o conflito, vem o corpo do episódio, com cenas do passado, das quais a única relevante é a que se passa em Nova York. Esqueçam o capricho cômico na corte de Luís XIII, e as três temporalidades diferentes para as quais Átomo, Canário Branco e Nuclear são mandados, no final, pois não servem para absolutamente nada dentro do episódio a não ser a tentativa desnecessária de arrancar risos (sabe-se lá por quê) do espectador. Mas não tem como retirar os elogios da arte, figurinos e fotografia nesses lugares (bom, exceto a sequência de Ray com o dinossauro, que é inteiramente ruim mesmo).

Basicamente, Out of Time é um episódio de situações. Percebam que os diálogos são poucos e porcos, tendem a uma linha de humor deslocada e se repetem, mais do que criam. Mesmo que o didatismo aqui seja suportável e o espectador seja presenteado por uma boa equipe de produção, há buracos no episódio que irritam bastante, sendo o principal deles a falta ou mínima coerência ao estabelecer-se motivações para os outros viajantes no tempo fazerem o que fazem. Exatamente por quê motivo matar Luis XIII? Fora o conceito da vitória nazista na Segunda Guerra (denso conceito, mas jamais trabalho, sequer em sua mínima parcela sociopolítica, no episódio), por que Damien Darhk está envolvido nisso? E o pior de tudo: sério — mas sério mesmo? — que colocaram o Flash Reverso nessa jogada?

Esteticamente admirável, mas com narrativa fraca, Out of Time nos trouxe o que sabíamos que teríamos de LoT neste seu segundo ano. Mesmo assim, há algum entretenimento em jogo e a aparição da Sociedade da Justiça, na cena final, tem um bom peso para o espectador, prendendo a atenção e dando um nível de animação que com certeza será frustrado adiante, mas que é impossível não sentir neste momento. Agora é esperar para mais do mesmo. Bem vindos a mais uma temporada de Legends of Tomorrow.

Legends of Tomorrow 2X01: Out of Time (Estados Unidos, 13 de Outubro de 2016)
Direção: Dermott Downs
Roteiro: Marc Guggenheim, Phil Klemmer, Greg Berlanti, Chris Fedak
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Matt Letscher, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Neal McDonough, Stephen Amell, John Rubinstein, Matthew MacCaull, Kwesi Ameyaw
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.