Crítica | Legends of Tomorrow 2X02: The Justice Society of America

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estrelas 3,5

__ Alô, ONU? Oi, ONU, aqui é a Gretchen. Tudo bem com vocês, queridos? Amados, eu to ligando pra saber, né, o que tá acontecendo, hein? Como assim, com o quê? Não, meus amores, não é sobre Flash e Sua Turma de novo não. É sobre LoT. Isso, lindos, Legends of Tomorrow. Ah, é tipo assim, dois bons episódios (e o segundo melhor que o primeiro!), seguidos, não é o padrão dessa série, não é lindinhos? Tô aqui já desesperada, achando que to vendo a série errada! Perdidinha, perdidinha. Podem dizer aí o que está acontecendo. Ou será que vou ter que ligar pra NSA também? Acode aqui!

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A Gretchen está certa. Alguma coisa está acontecendo com LoT. Sim, são apenas dois episódios da segunda temporada, mas isto já é inédito no show: dois bons capítulos, com crescimento de qualidade de um para o outro, com histórias sólidas, erros pequenos e aceitáveis, diversão e coerência na construção de uma ameaça futura. Um episódio livre de vilão da semana sem sentido e que segue com competência a deixa de Out of Time, o capítulo anterior. Uma grata surpresa. E que retrato interessante estão fazendo da Sociedade da Justiça!

Se vocês derem uma olhada nos comentários do finale da temporada passada, perceberão que eu e alguns leitores já sinalizávamos uma expectativa (temerosa, apesar de tudo) em relação à SJA e sua participação na continuação das aventuras das lendas. O grupo mais sisudo possível para a TV, marcado por valores rígidos da sociedade americana dos anos 40 e com todo o garbo a Era de Ouro não é exatamente algo fácil de se colocar na tela. Eles precisavam ser durões. Precisavam ter algum tipo de preconceito de época. E marcar definitivamente sua presença no programa, algo que com certeza fizeram.

O roteiro de Chris Fedak e Sarah Nicole Jones não amoleceu uma única vez e deu a desses heróis clássicos uma boa figuração na tela. A excelente luta inicial, quando eles dão uma merecida surra nos viajantes do tempo, foi um momento de grande diversão, de bom uso de efeitos e direção limpa de Michael Grossman. Pequenos lampejos dessa luta reaparecem mais adiante, não com a mesma qualidade técnica, mas com o mesmo nível de diversão. Em dois episódios de sua 2ª Temporada, LoT conseguiu nos dar mais do que sua 1ª Temporada inteira não foi capaz.

A continuação da perseguição aos nazistas e como eles são elencados também foi um bom avanço. Volto a elogiar o desenho de produção da série, os excelentes figurinos e as deixas que o diretor colocou, fazendo-nos lembrar constantemente de Bastardos Inglórios.

Um roteiro que se passa durante a Segunda Guerra precisa ser muito bem decupado para não parecer anacrônico ou querer pregar lições de moral sem considerar o olhar da atualidade e/ou fazer valer o detonador que a ficção mais gosta de usar quando mostra esse período histórico: a dualidade do bem Aliado versus o mal do Eixo. E esse bom tratamento, mesmo que não seja correto/ideal em linhas historiográficas (mas isso é só a minha chatice profissional falando alto), faz total sentido no episódio.

Percebam como a incorporação do vilão nazista é orgânica e, mesmo que o Barão e seu soro sejam ridículos, há uma justificativa para eles dentro de um contexto maior, o mote da temporada, assim como para a presença do Flash Reverso (eu ainda tenho muito receio quanto a ele nesta temporada, mas enquanto estiver funcionando, vamos seguir…), relacionando-se com um momento da temporada anterior e abrindo as portas para algo muito maior.

Com bom uso do machismo (do Homem-Hora) para fins de ataque e crítica em contraponto com uma visão contemporânea; de uma retratação impressionante da Sociedade da Justiça e ótimas cenas de ação, The Justice Society of America garantiu a semana das séries fracas com um forte episódio. Lamentamos que o Manto Negro tenha ficado escanteado na segunda parte da trama (aliás, a luta em Paris seria muito melhor se ele e o Doutor Meia-Noite tivessem mais importância), mas é como diz um sábio ditado, “tudo, não terás“, especialmente de uma fonte da qual nada se espera, não é mesmo? Eu não sei o que está acontecendo com LoT ou se vai continuar a acontecer, mas agora posso dizer que, pelo menos um momento, estive feliz com a série. Espero que não seja igual criança, se a gente elogia, estraga.

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No Próximo Capítulo…

Gente linda, a partir desta semana, dia 20/10/2016, eu estarei fazendo a cobertura da 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Isso significa que eu praticamente vou morar nos cinemas ao redor da cidade até o dia 02/11/2016, sem contar os dias da repescagem. Por isso, o episódio de Legends of Tomorrow da próxima semana (assim como já anunciado também em Flash e Sua Turma), será escrito por vocês! Semana de crítica aberta aos leitores do Plano Cítico! Para se aquecerem, relembrem de como fizemos esse exercício no ano passado clicando aqui. O resultado foi bem bacana. Chamem os amiguinhos, todo muno que vê a série para dar sua opinião! Publicarei a postagem no sábado, dia 29/10/2016 e deixarei as regras para vocês seguirem e enviarem os testículos textozinhos textinhos textos. Quero só ver o que vai sair. Voltamos a nos ver depois da Mostra. Beijo no coração de vocês!

Legends of Tomorrow 2X02: The Justice Society of America (Estados Unidos, 20 de Outubro de 2016)
Direção: Michael Grossman
Roteiro: Chris Fedak, Sarah Nicole Jones
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Matt Letscher, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Patrick J. Adams, André Eriksen, Matthew MacCaull, Sarah Grey, Kwesi Ameyaw, Dan Payne
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.