Crítica | Legends of Tomorrow – 2X04: Abominations

estrelas 2

Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer aos leitores que participaram da crítica colaborativa de LoT no episódio Shogun, enviando suas opiniões e avaliações enquanto eu estava mergulhado em salas de cinema e ar-condicionado vs. calor de 32ºC do lado de fora, o que me deu uma bela bronquite de brinde logo no final da cobertura da 40ª Mostra SP. Muito obrigado a Huckleberry Hound, Watchmen e Iron Fist!

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Zumbis na Guerra Civil americana? É isso mesmo, produção? Vocês juram que não havia nada melhor que isso para construir o roteiro de um episódio com uma dura e ao mesmo tempo bela mensagem sobre o período de escravidão nos Estados Unidos? Parece que chegamos à conclusão de que a CW é um bebê. Se você elogia ou diz que ele está fazendo algo muito bom, só para te fazer de mentiroso na frente dos outros, ele vai lá e faz absolutamente tudo ao contrário.

Como bem colocaram os leitores nos comentários do episódio anterior, houve uma queda de qualidade em relação aos primeiros capítulos da saga, algo que percebemos se repetir aqui, para pior. Em uma análise rápida, estamos diante de um filler. Um filler ruim. Percebam que Shogun também pode tranquilamente ser classificado como um filler, mas há uma diferença de qualidade absurda entre o episódio ambientado no Japão do período Edo e o dos Estados Unidos em plena Guerra da Secessão. Sem contar os efeitos ruins que abundam neste quarto capítulo, o que mais incomoda é a bizarrice e inutilidade da história, que só se salva por fazer mini-arcos emotivos e interessantes no sentido de aprimoramento dos personagens. Só isso.

O grande evento aqui é que o Sr. Raimundo Palmeira se tornou o novo Capitão Frio. Aí eu te pergunto: qual é a necessidade disso, abyguinho? Pensemos por um momento se Ray pudesse mesmo continuar como auxiliar na nave, como Jax ficou boa parte do tempo, no período em que Rip o estava treinando. Isso seria ruim? Não seria humano levar adiante o lado não super-heroico de Ray e deixar o heroísmo comum vir à tona? Particularmente achei simpático o fato dele ajudar a equipe, e isso ainda rendeu uma boa piada com o seu jeito nerd de ser e informar o grupo. Faz sentido esse tipo de personagem em uma série, e isso é bom, pois humaniza a trama! Mas para a CW? Oh, não! Todo mundo tem que ter um gadget, todo mundo tem que fazer alguma coisa extraordinária senão não vale. Chega a ser patético.

Mas o meu maior lamento aqui foi a queda conceitual da narrativa. Se pegarmos as boas histórias de Out of Time e JSA, perceberemos que um oceano de possibilidades foi completamente drenado com essa história dos zumbis, que, além dos já citados aprimoramentos de personagens (Jax e Ray, na verdade, pois os outros apenas reagiram a coisas diante das quais reagiriam normalmente. E não, eu não vou nem me alongar falando da estupidez que foi o roteiro colocar Stein com medo de zumbis. Péssimo, péssimo, péssimo em todos os sentidos), não teve nada de importante como motor da temporada. Nem para termos a mensagem inteira do Barry do futuro tocada até o fim…

Não bastasse o roteiro, os setores técnicos que eu normalmente elogio não estiveram em suas melhores performances. O figurino parece ter sido o único a manter o posto, mas a fotografia, especialmente a noturna, foi um pouco vergonhosa e a direção de arte da série já viu coisas muito melhores. Isso sem contar que a direção de Michael A. Allowitz no piloto automático não ajuda muito. O diretor conseguiu um excelente momento no celeiro, com Jax e os escravos presos no tronco, mas fora isso, tudo está displicente e solto demais, sem identidade, sem força. Essa caraterística prossegue, inclusive, até o péssimo final, com a repetição da canção de dignidade, força e esperança dos negros diante das atrocidades sofridas. Depois do primeiro momento onde aparecera e da conversa bonita entre Stein e Jax, precisava da canção fechando o episódio? Qual a necessidade? O diretor não possui senso de saturação dramática?

Com algumas pinceladas de bons momentos em borrões gigantescos de más escolhas, Abominations é o primeiro episódio ruim desta segunda temporada de LoT. É, meus caros, a gente sabia que este dia ia chegar. Pena que chegou cedo demais.

Legends of Tomorrow – 2X04: Abominations — EUA, 3 de novembro de 2016
Direção:
Michael A. Allowitz
Roteiro: Marc Guggenheim, Ray Utarnachitt
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, John Churchill, Dean S. Jagger, Alex Barima, Warren Belle, Tintswalo Khumbuza, Joshua Hinkson
Duração: 44 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.