Crítica | Legends of Tomorrow – 2X11: Turncoat

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estrelas 3,5

Contém spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Legends of Tomorrow, aqui.

Em tramas de espiões ou em grandes lutas entre mocinhos e bandidos, ter alguém que muda de lado é sempre um ponto chocante na narrativa, um divisor de águas. Em LoT, esse impacto vem com um Rip Hunter de memória modificada por Eobard Thawne. Aqui, o ex-Capitão se volta contra os antigos amigos, mata George Washington e força as Lendas voltarem no tempo para impedir que isso aconteça, abrindo caminho para que a recuperação de uma outra parte da Lança do Destino seja feita pela Legion of Doom.

De forma bastante coerente, temos a lembrança imediata do episódio The Chicago Way e uma narrativa de abertura bastante espirituosa, com Mick quebrando levemente a quarta parede ao comentar da [má] qualidade de escrita dessas introduções. Desde o episódio anterior nós temos um número cada vez maior de boas piadas internas, ligadas à trama. No presente episódio, o efeito se repete e é igualmente bem utilizado. Arthur Darvill ironiza viagens no tempo divertidas, cercando o seu papel em Doctor Who; Nate e Amaya, que tem o melhor flerte de toda a série até agora, conversam e contextualizam O Mágico de Oz; e a diminuição de Ray por um tempo razoável brinca muito bem com Viagem Fantástica (1966).

O cenário da Revolução Americana serve como impulso para algo importante na série, que certamente definirá as ações das Lendas daqui para frente. Se descontarmos as facilidades de morte e ressurreição e o chateante discurso de Sara para Jax, quando este apontava uma arma para Rip, há uma linha bastante fluída do roteiro e a temporada já se mostra bem servida de eventos espaço-temporais inteligentes. O deslocamento aqui acontece para todas as Lendas — em oposição à calmaria dentro da nave, que dominou o capítulo anterior — e o roteiro serve tanto para criar novas camadas para eles, em uma sequência sólida (The Flash está comendo poeira aqui), quanto para “resolver” um problema de busca, entregando todas as chaves do castelo para os vilões e tornando o contra-ataque dos mocinhos ainda mais necessário.

Como aludi antes, Nate e Amaya estão soberbos. A noite juntos, as conversas, a pequena decepção de Nate (que é um baita personagem interessante e absurdamente simpático) na ceia de Natal são exemplos de um destaque amoroso instigante dentro da série, que por ser inteiramente diferente daquela coisa pífia que rolou entre Ray e Kendra na 1ª Temporada, ajuda a tornar o clima mais leve, mesmo em um cenário em que o time perde uma batalha. E convenhamos, foi muito bom que isso tenha acontecido. Tornará a reta final mais interessante.

Um ponto que também gostei, foi a coragem dos produtores em permitir que o roteiro mantivesse uma alteração temporal feita pelas Lendas. Desde o primeiro episódio dessa temporada, havia a sugestão de que eles não conseguiriam arrumar tudo (mudança imediata em relação à pretensão absoluta do ano inicial) e que algumas de suas ações poderiam gerar coisas que naturalmente não existiriam. A estátua de Mick aqui foi um exemplo oficial disso e ainda bem que teve confirmação em texto, pois amarrou a relativização do tempo e das muitas teorias possíveis de alteração que estão sendo levantadas no ano.

Tirando de cena a necessidade de lutas épicas, LoT adentra com cuidado, alguns erros e muita determinação no hall das séries que sabem melhorar aos poucos e respeitar a linha de arco principal na temporada vigente. A Legião agora está de posse da Lança do Destino e as Lendas estão esperando o aviso de mudanças para agir e impedir o que quer que seja. O próximo episódio será um batismo de fogo para a série, e confesso que tenho medo do que vão fazer. Vem aí, senhoras e senhores, Camelot 3000.

Legends of Tomorrow – 2X11: Turncoat (EUA, 7 de fevereiro de 2017)
Direção: Alice Troughton
Roteiro: Grainne Godfree, Matthew Maala
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Matt Letscher, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Randall Batinkoff, Boyd Ferguson, Noel Johansen
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.