Crítica | Legends of Tomorrow – 2X12: Camelot/3000

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estrelas 3,5

Contém spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Legends of Tomorrow, aqui.

Não, esse episódio não foi — talvez para o próprio bem da série; ou por uma questão de adquirir direitos autoriais mesmo — uma adaptação da sensacional série de Mike W. Barr e Brian BollandCamelot 3000. A barra que divide os dois termos, no título, refere-se a duas localizações diferentes onde a nave das Lendas pousa, rastreando os pedaços restantes da Lança do destino, a saber, Detroit, no ano 3000 e Camelot, no ano 507.

De imediato, o leitor que conhece o mínimo de História entende que deve colocar de lado a cobrança por veracidade (ironia da CW: há um historiador no grupo das Lendas!) e aceitar Camelot, o castelo gigantesco e todas as formas de comportamento que só seriam realmente comuns na Europa dali a pelo menos 500 anos. O ideal de castelo é bastante antigo (da Antiguidade mesmo), mas só a partir de sua função de defesa e em estrutura de cercamento + “barracões de madeira com pequenas torres”, não no formato imenso e de pedra que conhecemos dos castelos medievais e que só começariam a existir de verdade do meio para o final do século IX, chegando à classificação de “comum” na Europa só no final do século X.

Apesar das misturas arquitetônicas/histórias do episódio, algo que o roteiro tenta, não com total sucesso, disfarçar, temos uma inserção curiosa e divertida do cenário das lendas arturianas na série, especialmente com o personagem de Ray, que é um verdadeiro nerd/viciado nos relatos sobre o Rei Arthur e, além de pegar para si o ideal de nobreza e comprometimento que cresceu lendo, cria uma “espada de luz” (?) alertando para que não chamem de “sabre” por conta da “marca registrada”. Mais uma piada externa (ou interna?) bem inserida em um episódio.

A cena no ano 3000, quando o Doutor Meia-Noite encontra o “Rip Maligno” é rápida demais para contar como essencial. Na verdade, essa cena só existiu mesmo para que a CW pudesse brincar com o título do episódio e indicasse outra grande criação da DC Comics, nada mais. [… e quando digo “nada mais”, quero dizer que aquele pedaço da lança poderia ser facilmente adquirido em outro lugar, um que tivesse melhor conexão com o restante do episódio. E com isso, não quero dizer que a cena no ano 3000 foi ruim!]

O foco na Idade Média (notem que estamos bem no começo desse período — Roma cai em 476 –, de modo que as incorreções histórias têm grande peso — novamente: não levem isso muito a sério) toma todo o centro do episódio e claramente levou uma baita fatia do orçamento para a temporada (ao lado de Turncoat), então é possível esperar alguns episódios mais módicos antes do grande final — o próximo deve ser claustrofóbico mesmo, dentro da nave, com Rip tentando controlá-la. A temporada terá 17 episódios, então em breve as principais forças devem se alinhar para a batalha final e os maiores gastos devem ficar para a tríade final da temporada.

Me incomodou um pouco aqui a ausência não explicada do Flash Reverso e de Malcolm Merlyn, mas esse espaço em branco não é uma falha assim tão grande. A compensação para ela vem com uma preparação bastante inteligente de luta, excelente uso de linha humorística e de relação entre personagens. Diferente do “episódio de Natal” em plena Guerra de Independência Americana, esse aqui foi mais urgente, mostrou pontos diretos de briga dentro da equipe — imaginei que Mick, que voltou a ficar levemente insuportável, iria mesmo enfrentar Sara — e deixou os personagens em perigo real, inclusive com decisões não muito simples, que acabaram cobrando caminhos morais densos de todo o resto do grupo.

A direção de Antonio Negret (que assinou White Knights, na temporada passada) é bem mais eficiente nos momentos de ação, mas isso não significa que seu trabalho é ruim em outras ocasiões. Cercado por uma excelente direção de arte, figurinos e belíssima fotografia, mesmo que ele não tivesse uma boa presença como diretor, seria difícil estragar um episódio como Camelot/3000. Ao menos dessa vez, as Lendas conseguiram se sair vitoriosas. Falta agora a luta contra o ex-Capitão, um inimigo que sabe muito bem o território em que está jogando. Isso será bem interessante de se ver.

Legends of Tomorrow – 2X12: Camelot/3000 (EUA, 21 de fevereiro de 2017)
Direção: Antonio Negret
Roteiro: Anderson Mackenzie
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Matt Letscher, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Neal McDonough, Sarah Grey, Kwesi Ameyaw, Elyse Levesque, Nils Hognestad, Andrew Mockler, Neil Webb, Mark James
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.