Crítica | Legends of Tomorrow – 2X17: Aruba

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Episódio e Temporada

estrelas 3,5

Contém spoilers! Leiam as críticas dos demais episódios de Legends of Tomorrow, aqui.

Após uma temporada surpreendentemente boa e de uma repetição desnecessária de temas nos episódios finais, este segundo ano de Legends of Tomorrow foi uma prova de que mesmo a mais imprestável das séries pode mudar, se os roteiristas e produtores resolverem trazer para o público coisas que exijam um QI acima de zero para ser entendido.

Marcada por alterações da realidade, reescrita do tempo e das próprias personagens principais, a temporada funcionou como um teste de resistência para a CW, explorando até onde a emissora conseguiria colocar nas telas algo que não subestimasse o espectador e que fizesse um uso inteligente das possibilidades de ficção científica que a própria série possibilitava. O resultado foi uma boa jornada, que mesmo tendo seus altos e baixos, manteve-se em boa qualidade, mostrando-se muito superior em relação ao seu ano de estreia.

Uma das coisas que temos de lamentar aqui é o uso apenas casual da Sociedade da Justiça, que praticamente só serviu para adicionar Amaya na equipe e levantar um ou outro suspense com o passar do tempo. Seria muito bom que o grupo tivesse uma participação maior ao longo do serial, inclusive com maiores interferências junto às Lendas. Olhando por outro ângulo, porém, notamos que a aparição pontual de alguns membros da Sociedade serviu para fortalecer tramas como Camelot/3000 e o ótimo Moonshot. Ainda assim, a colocação do grupo no começo, como algo importante e grandioso e o retorno picotado de alguns de seus membros soou como uma oportunidade desperdiçada.

Um dos méritos da temporada foi o aprimoramento de coisas que já eram boas na temporada anterior, a saber, os figurinos e a direção de arte. É impressionante que mesmo em sua pior fase, LoT sempre teve um visual muito bonito e com bastante cuidado histórico e atmosférico, mantendo poucos anacronismos e acertando muito em modelos de guarda-roupa, cores e tipo de roupa utilizada pelos personagens, isso não apenas de forma histórica, mas obedecendo à psicologia de cada um, além do tom dos episódios, mesmo quando o roteiro não era assim tão interessante, como no caso de Shogun, Abominations e Outlaw Country.

O arco da Lança do Destino veio trazer novas perspectivas, mesclando mitos religiosos, sci-fi e dramas familiares ou pessoais, tudo ganhando o devido clímax neste capítulo final. Já apontei o fato desse arco ter sido estendido mais do que deveria, mas ainda prefiro essa extensão com episódios de qualidade, como foi o caso, do que uma linha aparentemente independente de eventos com roteiros vergonhosos, como foi a saga de Vandal Savage.

O desfecho dessa trama, porém, teve sua dose de anti-clímax de um jeito bastante… intenso. Convenhamos que as mortes do episódio chocaram à primeira vista — e sim, foram muitas mortes! Mas quando percebemos que eram apenas as versões “aberrações” das Lendas que morriam, o grande propósito se perdeu, as mortes não tiveram mais o mesmo peso e sentido. Além disso, o retorno par ao ano de 1916 pareceu ser uma escolha estruturalmente preguiçosa, embora eu entenda isso como uma armadilha de roteiro, o que não significa que não deva apontar seu impacto negativo na resolução do principal problema.

Somando-se a essa sensação de repetição (paradoxalmente mergulhada em um bom ritmo de episódio) temos o destino final das Lendas. Não acho que foi uma boa ideia terminar a temporada “apenas” com uma aberração na cidade de Los Angeles, agora cheia de dinossauros. O produtor da série já tinha dito em entrevistas que o time das Lendas iria mudar na 3ª Temporada, mas que essa mudança não aconteceria no finale da Segunda Temporada. De “definitivo” mesmo, tivemos aqui a vitória sobre a Legião do Mal, a partida e Rip e a aberração em LA. Eu esperava algo mais intenso. Essas grandes mudanças só virão na abertura da próxima temporada, que, a rigor, irá finalizar o que ficou em andamento aqui. É estranho demais para um show que demanda renovação de equipe e tema a cada ano deixar uma janela desse tamanho para o próximo serial. A não ser que a própria base da série esteja sendo mudado, o que não é algo ruim não.

A segunda temporada de LoT saiu da zona de péssimo conforto e arriscou bastante, conseguindo um resultado muito bom no final de tudo. Evidente que não foi uma temporada livre de erros, mas que com certeza abriu caminhos para a própria CW apresentar tramas com conteúdo em suas outras séries de heróis. O finale deste segundo ano foi menos impactante em resoluções do que esperávamos, mas mesmo assim, foi um bom finale. Ficamos agora apreensivos para o que vão fazer com esse povo na 3ª Temporada. Qual é a desses dinossauros em LA?

Legends of Tomorrow – 2X17: Aruba (EUA, 4 de abril de 2017)
Direção: Rob Seidenglanz
Roteiro: Phil Klemmer, Marc Guggenheim
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Arthur Darvill, Caity Lotz, Franz Drameh, Matt Letscher, Maisie Richardson-Sellers, Amy Pemberton, Nick Zano, Dominic Purcell, Neal McDonough, Katie Cassidy, John Barrowman, Wentworth Miller, Jack Turner
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.